Elephant

Filme dirigido por Alan Clarke em 1989, feito para a TV inglesa. Um petardo que influenciou Gus Van Sant. Causou todos os tipos de emoções extremas na Oficina de crítica que dei em Aracaju. Como será em Londrina?
Escrito por sérgio alpendre às 02h00
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Voltando a Manaus

- Um dos principais jornais de Manaus se chama A Crítica. - Entro no carro e o motorista que me levou ao Cinemais para ver OSS117, ao saber que eu estava lá para cobrir o evento, diz: "ah, você é crítico de cinema". Logo em seguida ele começou a reclamar que o cinema brasileiro estava comercial demais, cheio de filmes repetitivos que imitavam mal a televisão.
Escrito por sérgio alpendre às 04h08
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Revisão de Woody Allen

Comecei a rever os filmes de Woody Allen (e a reler textos e entrevistas), como preparativo para as aulas que darei no CCBB em dezembro. Optei, mais uma vez, pela ordem cronológica, sempre que possível. Assim, revi os filmes dos anos 60 e 70, com a exceção de O Dorminhoco e Annie Hall, dois que revi há menos de cinco anos, e que pretendo rever mais uma vez, se der tempo. O curioso é que alterei ligeiramente meu julgamento (perdão, faltou palavra melhor) sobre todos eles. Continuo gostando de Um Assaltante Bem Trapalhão e A Última Noite de Boris Gruschenko, mas ambos revelaram pequenos problemas estruturais - que dependem da situação, certamente - que impediram uma fruição mais agradável. Ambos têm momentos antológicos, especialmente o primeiro, que é menos irregular. Mas carecem da unidade que ele iria demonstrar em seus melhores trabalhos. Interiores, por sua vez, caiu bastante. Não porque tenha se revelado um mau filme. Era dos que eu mais gostava entre suas obras sérias, igualando-se a A Outra. Hoje, depois da revisão deste último para escrever o texto do catálogo e da revisão de Interiores há pouco, devo dizer que A Outra dá uma lavada. Mesmo assim, Interiores é bem digno, ainda mais para quem sensivelmente buscava um outro caminho, mais pretensioso, mas ainda incerto e arriscado. Por outro lado, Bananas e Tudo Que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo, Mas Tinha Medo de Perguntar subiram um bocado no meu conceito, principalmente o segundo, que era o que menos me entusiasmava nessa primeira fase. Bananas deve ser o campeão em número de gags, algumas sensacionais, outras infames, mas que se tornam engraçadas pela performance de Allen - um excelente ator de comédia. Tudo Que Você Sempre Quis Saber... por sua vez, me surpreendeu por ter quatro episódios (dos sete que compõem o filme) sublimes: os três primeiros (o que tem Allen como um bobo da corte, o da ovelha e o do casal italiano) e o de encerramento, menos pela ideia do espermatozóide em crise do que pela concepção do corpo humano com seus operários setorizados. O episódio do casal italiano (da foto lá em cima) tem um charme extra. É a primeira vez que o cineasta emula deliberadamente outro diretor que não seja de comédia, já que nos filmes anteriores a emulação era principalmente de Jerry Lewis (na atuação e direção) e Groucho Marx (na atuação). Nesse terceiro episódio do longa de nome infindável ele mostra que viu, e muito bem, Visconti e Antonioni, mais do que Fellini (que também é perceptível). A mise-en-scène é rebuscada, refinada, e melhor, certeira.
Essa mudança de percepção é uma das coisas mais estimulantes das revisões, porque diz respeito não só a nossa situação no momento, mas a uma ideia assimilada anteriormente do que era o filme, e que deve ser colocada à prova com certa frequência, para o bem do rigor crítico. É como eu sempre digo: a apreciação de um filme, exceto daquele que nasceu obra-prima, tem prazo de validade de mais ou menos cinco anos. Assim, novas revisões virão nos próximos dias.
Escrito por sérgio alpendre às 03h40
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Novo filme de Woody Allen

Tudo Pode Dar Certo (Whatever Works, 2009) tem estreia marcada para março segundo o Filme B (a confirmar com a distribuidora). Mas quem conseguiu ingresso para a abertura da Mostra "A elegância de Woody Allen", que rolou nesta quarta-feira no CCBB-SP, viu uma pré-estreia com uma cópia legendada em francês, com legendas eletrônicas em português. O filme tem mais uma exibição, nesta quinta-feira às 14:30. No programa, dois curtas: o primeiro, Meetin' WA (1986), é a entrevista que Godard foi fazer em Manhattan com o diretor. O choque entre as visões de cinema dos dois é o que alimenta o curta, e Godard é inteligente ao tirar o sarro de ambos. O segundo, Sounds From the Town I Love (2001), é um primor. Dirigido por Woody Allen, mostra pessoas andando pelas ruas de Nova York com seus celulares. Três minutos de diálogos absurdos, dos quais só ouvimos um lado. Tudo Pode Dar Certo continua com a sequência de grandes filmes que Allen engatou a partir de O Sonho de Cassandra, só que desta vez ele está de volta a sua Manhattan querida. O protagonista é Boris, um intelectual fracassado que ficou manco após uma tentativa de suicídio. Ele conhece uma sulista que foge da mãe perua e vai para NY sem ter onde morar. O ator que faz Boris é Larry David, mais conhecido como co-criador do Seinfeld e Curb Your Enthusiasm, e que tem um único filme como diretor, Sour Grapes, de 1998. Parece o doutor House, com sua aversão por pessoas, ainda mais burras, e seu delicioso humor rabugento. Os diálogos são cortantes, como era de se esperar de Allen, e os atores matam a pau, mesmo não sendo muito conhecidos do grande público - o próprio David só atuou em episódios das séries que escreveu, e em dois ou três filmes anteriores de Allen, nenhum como protagonista. Ao contrário de O Sonho de Cassandra e Vicky Cristina Barcelona, Tudo Pode Dar Certo deve agradar sobretudo aos fãs mais antigos do diretor. Se vai ser elogiado por muitos críticos, é outra história. Eu curti, e bastante.
Escrito por sérgio alpendre às 03h53
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De volta ao Arteplex

Três filmes seguidos no meu cinema preferido (tem a melhor projeção 35mm da cidade, junto da Cinemateca BNDES, mas adotou a projeção digital em várias salas - vai entender): - Começando pelo último, esse aí da foto. (500) Dias Com Ela, de Marc Webb, começa assustando com seu aspecto indie, e vocês sabem como tenho aversão a esse tipo de picaretagem moderninha para descolados. Depois acaba se tornando um veículo simpático para a gracinha de sempre Zooey Deschanel e o charmoso Joseph Gordon-Levitt, em seu melhor papel, que eu me lembre. Incomoda um pouco a previsibilidade dos ganchos - disco dos Smiths na parede do quarto, pode apostar que vem canção da banda. Mas tem uma cena final das mais interessantes, que faz uma conexão meio enviezada com as duas namoradas dos irmãos de Ligado em Você (April e May). - Antes vi À Procura de Eric, que seria bem enfadonho se não fosse por dois momentos: Cantona falando que a jogada mais marcante de sua carreira não havia sido um gol, mas uma assistência perfeita para um companheiro da equipe. O lance é mostrado, e é realmente sensacional. O outro momento é a Operação Cantona. Não ela toda, mas o plano da colocação das máscaras, propriamente, e a subsequente invasão da casa. Tirando isso, tem a habitual preguiça de Ken Loach para os enquadramentos (que nunca parecem ser pensados). E eu vi na janela certa, 1.85:1. - O primeiro do dia foi Alô Alô Teresinha, de Nelson Hoineff, típico filme ruim que é legal de se ver por causa das imagerns de arquivo. Aliás, é curioso como as imagens de 1987 (ou 1980, 1982, 1985) da Globo, são incrivelmente mal conservadas em comparação com as da Tupi, de... pasmem... 1972. Disseram que as chacretes são escrotizadas. Sinceramente, não achei isso não. O único que é realmente escrotizado é aquele calouro que alega ser melhor que o Roberto Carlos. Mas o filme não consegue emular o caos que Chacrinha produzia em seu palco.
Escrito por sérgio alpendre às 03h54
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Post esquizofrênico nº 3.000.000

vista do Rio Negro, em foto tirada do 16º andar do Hotel Tropical Business Tower ------------------------------------------------------------------------------------------------------ - Encerrado o 6º Amazonas Film Festival, não tenho do que reclamar, a não ser do calor absurdo de lá. Mas a exposição a esse calor é mínima. Tirando o último dia, que nos obrigou a suportar uma cerimônia de premiação ao ar livre, passei no máximo uns dez minutos de calor, porque em todo lugar fechado, incluindo os carros, tem ar condicionado forte. Aqui em São Paulo o desgaste do calor é muito maior, porque os habitantes ainda acreditam que 34 graus é uma temperatura agradável em uma cidade com poucas árvores e concreto que rebate o sol, e não reclamam se não há ventiladores ou ar condicionado nos lugares. O principal premiado da noite foi o filme de que mais gostei (e que passou na Mostra SP, mas eu não vi): Samson and Delilah, de Warwick Thornton, uma bela história de amor aborígene. O segundo campeão, Whisper With the Wind, foi o último filme visto no evento. É bonito, cheio de imagens surreais e maneiristas. Mas de vez em quando esse maneirismo passa dos limites. Mais sobre o encerramento na terceira crônica de Manaus, que você encontra seguindo este link: http://cinema.cineclick.uol.com.br/noticia/carregar/titulo/cronica-de-manaus-capitulo-3-premiados-e-ensopados/id/24600 - Revi A Última Tempestade (Prospero's Books, 1991), de Peter Greenaway, após quase 18 anos de meu deslumbramento por esse tipo de cinema. É o tipo de armadilha na qual caem os neófitos, e comigo não foi diferente. Permanece uma admiração pela habilidade de composição e movimentação do diretor, mas suspeito que tenha sido a primeira vez em sua carreira que a afetação (olha a palavra aí novamente) supera, de longe, essa habilidade. Resta rever meus dois preferidos, A Barriga do Arquiteto (1987) e O Cozinheiro, o Ladrão, Sua Mulher e o Amante (1989), para confirmar isso. - Bolei um mini-curso para as férias de dezembro. É sobre o cinema de Quentin Tarantino. Mais informações aqui: http://cursotarantino.blogspot.com - Eide Abreu, com quem divido muitas coisas, aderiu finalmente à blogosfera. E ela vai escrever sobre várias coisas, sobre a garota da Uniban, Marx e Madonna. Altamente recomendável: http://eideabreu.zip.net
Escrito por sérgio alpendre às 04h02
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Enquanto isso, em Manaus

Duas histórias de Manaus: - No domingo, eu, Paulo Henrique Silva, Luís Zanin, Orlando Margarido e Carlos Heli de Almeida entramos numa área à esquerda do Teatro Amazonas, destinada a receber convidados para beber sucos e comer salgadinhos enquanto a cerimônia que antecede o filme não começa. Um funcionário começa a falar com o Zanin em francês, dizendo que não podíamos ficar ali porque não era uma área para a imprensa, mas reservada para os convidados internacionais. Enquanto isso, uma organizadora do Festival ouviu e disse que àquela hora tudo bem, pois os convidados já estavam na platéia, testemunhando uma das muitas cerimônias de homenagem a alguém, um peixe-boi, um curumim do bico dourado, uma avoceta ou qualquer outra coisa do gênero. Houve homenagem ao grande ator Milton Gonçalves, mas foi em outro dia. O funcionário, coitado, não sabia o que fazer. Mas ele não foi grosseiro em momento algum, e sempre que passava por nós, depois do mal entendido, sorria e dizia alguma observação amistosa (em português). - Na segunda-feira a maior parte dos convidados foi para o Ariaú, o hotel sobre a copa das árvores, na subida do Rio Negro. É uma experiência e tanto, mas para uma vez só, no máximo duas. Nos últimos dois anos fui para lá, e neste terceiro ano seguido não quis voltar. É rústico demais, quente demais, cansativo demais. Mas a festa do primeiro ano foi antológica, com a melhor discotecagem que eu presenciei, e as pessoas dançando na areia até 4 da manhã (2h em Brasília). No restante do tempo, almoço ruim, gringos dando comida para macaquinhos ladrões, pequenas piranhas assassinas de bichos também pequenos, araras, e à noite, a maior barata que eu vi na minha vida - tinha o dobro do tamanho normal. - Mais filmes vistos: City of Life and Death, de Lu Chuan * * * A invasão de Nanquin, China, em 1937, com tintas ambíguas e câmera surpreendente. OSS 117 - Fúria na Bahia (1965), de André Hunebelle * * * Pastiche de 007. Aventura escapista em que todos falam francês, do Rio de Janeiro à Bahia. Engraçado, mas nem sempre essa graça é intencional, e dirigido por um competente artesão nascido no século XIX. Em Teu Nome, de Paulo Nascimento *1/2 Dez anos perseguidos pela ditadura em 100 minutos? Dificilmente daria certo. Samsom & Delilah, de Warwick Thornton * * * 1/2 Agradável surpresa no ritmo dos aborígenes. Garimpeiro, de Marc Barrat * * O cinema industrial chega às Guianas. ------------------------------------------------------------------------------------ Links para a cobertura no cineclick:
Escrito por sérgio alpendre às 02h43
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Os 100 melhores filmes da década (The Times)

Só agora vi a lista do The Times. A notícia do UOL é esta: http://cinema.uol.com.br/ultnot/2009/11/08/ult4332u1346.jhtm As ausências são lamentáveis: Mal dos Trópicos, Le Pont des Arts, Dez, Les Amours d'Astrée et Céladon, Adeus Dragon Inn, O Quinto Império, O Signo do Caos, e alguns outros. Sei que seria muita ingenuidade minha achar que eles saibam da existência de alguns desses filmes. Mas, enfim, quem se guiar por essa lista vai ter uma ideia muito equivocada do que de melhor se fez na década. Abaixo, colo a lista que saiu em The Times. Com minhas cotações para cada filme visto: ------------------------------------------- legendas: de * a ***** estrelas. # Talvez entrasse numa lista minha de 100 preferidos. + Entraria certamente. ------------------------------------------ #1. Caché (Michael Haneke, 2005) **** 2. A Supremacia Bourne/O Ultimato Bourne (Paul Greengrass, 2004, 2007) ** #3 Onde os Fracos Não Têm Vez (Joel Coen, Ethan Coen, 2007) **** 4 O Homem-Urso (Werner Herzog, 2005) **1/2 5 Team America: Detonando o Mundo (Trey Parker, 2004) 6 Quem Quer Ser um Milionário? (Danny Boyle, 2008) * 7 O Último Rei da Escócia (Kevin Macdonald, 2006) ** 8 Cassino Royale (Martin Campbell, 2006) *** 9 A Rainha (Stephen Frears, 2006) *** 10 Hunger (Steve McQueen, 2008) 11 Borat (Larry Charles, 2006) *** 12 A Vida dos Outros (Florian Henckel von Donnersmarck, 2006) **1/2 13 This Is England (Shane Meadows, 2007) 14 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (Cristian Mungiu, 2007) *** 15 A Queda (Oliver Hirschbiegel, 2004) ** 16 Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (Michel Gondry, 2004) ** 17 O Segredo de Brokeback Mountain (Ang Lee, 2005) **** +18 Deixe Ela Entrar (Tomas Alfredson, 2008) ****1/2 19 Vôo United 93 (Paul Greengrass, 2006) **1/2 20 Donnie Darko (Richard Kelly, 2001) *** 21 Boa Noite, e Boa Sorte (George Clooney, 2005) *** 22 Longe do Paraíso (Todd Haynes, 2002) ***1/2 23 O Equilibrista (James Marsh, 2008) 24 Extermínio (Danny Boyle, 2002) ** 25 Dançando no Escuro (Lars Von Trier, 2000) *** 26 Minority Report (Steven Spielberg, 2002) *** 27 Sideways - Entre Umas e Outras (Alexander Payne, 2004) ** 28 O Escafandro e a Borboleta (Julian Schnabel, 2007) 29 Quero ser John Malkovich (Spike Jonze, 2000) **1/2 30 Irreversível (Gaspar Noé, 2002) * 31 Iraq in Fragments (James Longley, 2006) 32 Gladiador (Ridley Scott, 2000) ** 33 Um Casamento à Indiana (Mira Nair, 2002) *1/2 34 Procurando Nemo (Andrew Stanton/Lee Unkrich, 2003) ***1/2 35 E Sua Mãe Também (Alfonso Cuarón, 2002) ** 36 Na Captura dos Friedmans (Andrew Jarecki, 2004) ** #37 Amor à Flor da Pele (Wong Kar Wai, 2000) **** #38 Cidade dos Sonhos (David Lynch, 2001) **** +39 Encontros e Desencontros (Sofia Coppola, 2003) ****1/2 40 Syriana (Stephen Gaghan, 2005) ** 41 Filhos da Esperança (Alfonso Cuarón, 2006) *** #42 Os Incríveis (Brad Bird, 2004) **** 43 Batman - O Cavaleiro das Trevas (Christopher Nolan, 2008) *** 44 Sob a Areia (François Ozon, 2000) *** 45 Touching the Void (Kevin Macdonald, 2003) 46 Traffic (Steven Soderbergh, 2000) ** 47 My Summer of Love (Pawel Pawlikowski, 2004) 48 Pequena Miss Sunshine (Jonathan Dayton/Valerie Faris, 2006) ** #49 Ligeiramente Grávidos (Judd Apatow, 2007) **** 50 O Senhor dos Anéis: O retorno do Rei (Peter Jackson, 2003) #51 O Quarto do Filho (Nanni Moretti, 2001) **** 52 O Jardineiro Fiel (Fernando Meirelles, 2005) ** 53 Milk (Gus Van Sant, 2008) ***1/2 54 Papai Noel às Avessas (Terry Zwigoff, 2003) *** 55 Chopper (Andrew Dominik, 2000) #56 Volver (Pedro Almodovar, 2006) **** 57 The Consequences of Love (Paolo Sorrentino, 2004) 58 Shaun of the Dead (Edgar Wright, 2004) ** 59 Ser e Ter (Nicolas Philibert, 2002) ***1/2 60 A Lula e a Baleia (Noah Baumbach, 2005) ** +61 A Viagem de Chihiro (Hayao Miyazaki, 2001) ****1/2 62 O Âncora: A Lenda de Ron Burgundy (Adam McKay, 2004) *** 63 Sangue Negro (Paul Thomas Anderson, 2007) *** #64 A Criança (Jean-Pierre Dardenne/Luc Dardenne, 2005) **** 65 Valsa Com Bashir (Ari Folman, 2008) 66 Cidade de Deus (Fernando Meirelles, Katia Lund, 2002) *1/2 67 Gomorra (Matteo Garrone, 2008) ** 68 Memento (Christopher Nolan, 2000) *1/2 69 Persépolis (Vincent Paronnaud, Marjane Satrapi, 2007) 70 Entre os Muros da Escola (Laurent Cantet, 2008) *** 71 Monstros S/A (Pete Docter/David Silverman/lee Unkrich, 2001) 72 Guerra ao Terror (Kathryn Bigelow, 2008) 73 De Tanto Bater, Meu Coração Parou (Jacques Audiard, 2005) **1/2 74 O Labirinto do Fauno (Guillermo Del Toro, 2006) **1/2 +75 Fale com Ela (Pedro Almodóvar, 2002) ****1/2 76 Control (Anton Corbijn, 2007) ** 77 Tiros em Columbine (Michael Moore, 2002) ** 78 As Confissões de Schmidt (Alexander Payne, 2002) *1/2 79 Le Grand Voyage (Ismael Ferroukhi, 2004) 80 Eu, Você e Todos Nós (Miranda July, 2005) ** 81 In The Loop (Armando Iannucci, 2009) #82 As Coisas Simples da Vida (Edward Yang, 2000) **** 83 Ventos da Liberdade (Ken Loach, 2006) **1/2 84 Hotel Ruanda (Terry George, 2004) *1/2 85 A Professora de Piano (Michael Haneke, 2001) ** 86 O Orfanato (Juan Antonio Bayona, 2007) ** 87 Time and Winds (Reha Erdem, 2006) #88 Os Excêntricos Tenenbaums (Wes Anderson, 2001) **** #89 Escola de Rock (Richard Linklater, 2003) **** #90 Penetras Bons de Bico (David Dobkin, 2005) **** 91 Lantana (Ray Lawrence, 2001) 92 Coisas Belas e Sujas (Stephen Frears, 2002) ** 93 O Clã das Adagas Voadoras (Zhang Yimou, 2004) **1/2 94 Uma Verdade Inconveniente (Davis Guggenheim, 2006) 95 Amores Brutos (Alejandro González Iñárritu, 2000) ** 96 Morvern Callar (Lynne Ramsay, 2002) 97 Sympathy for Lady Vengeance (Park Chan-Wook, 2005) *1/2 98 Crash (Paul Haggis, 2004) * 99 Battle Royale (Kinji Fukasaku, 2000) *** 100 O Diabo Veste Prada (David Frankel, 2006) *1/2
Escrito por sérgio alpendre às 18h47
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A volta do post esquizofrênico

- Vi The Road, filme de John Hillcoat que estreia em fevereiro no Brasil com o nome A Estrada. É um bom filme, com bom clima, sem muitas explicações, apenas o necessário para nos entreter num ritmo pouco convencional. Lembra dois filmes, um superior, Filhos da Esperança, um inferior, O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford. Do primeiro herda o clima apocaliptico e a falta completa de esperança. Do segundo, o ritmo e a contemplação. - Hoje teve o passeio de barco até o encontro das águas, descendo o Rio Negro até chegar ao Solimões. Durante a viagem, mesas redondas com Claire Denis, Alex Descas (os esses são pronunciados), Leonor Silveira e John McTiernan. Este último deu a melhor entrevista da jornada, principalmente quando se empolgou ao falar de um projeto futuro, The Assassination of Orson Welles. Participei das mesas apenas como ouvinte distante, pois o barulho do barco e o calor me impediram uma maior concentração. Em outro momento, Leonor Silveira, fora da mesa redonda, foi perguntada sobre sua suposta cegueira em Singularidades de uma Rapariga Loura. Pude ouvir a resposta, que foi mais ou menos assim: "não há cegueira alguma, foi a marcação rigorosa de Oliveira que me impediu de olhar nos olhos de Ricardo Trêpa". - Tirando os passeios de barco, que permitem uma bela vista das praias do Rio Negro e de suas águas escuras, passo bem menos calor aqui em Manaus, onde 25 graus transmitem a sensação de 40, do que em Sampa, cidade muito mal estruturada para o calor. Aqui, qualquer carro e qualquer estabelecimento fechado tem ar condicionado, geralmente no máximo. A exposição ao calor não chega a passar de cinco minutos, geralmente. - Revisão de trechos de O Último Herói Americano (The Last Action Hero) no canal Universal, ontem à noite. É um dos filmes mais subestimados de John McTiernan, e tem momentos de humor que se assemelham aos mais malucos do trio ZAZ (Zucker, Abrahams e Zucker, de Apertem os Cintos o Piloto Sumiu). - Atlético MG 1 x 3 Flamengo. O que dizer? Time que perde de três em casa não parece querer o título. Mas afinal, quem quer? Talvez só o Flamengo mesmo, e talvez até consiga, com esse time sem vergonha, mas com muita vontade. - E o Palmeiras foi prejudicado pela arbitragem. E os paulistas estão aprendendo a reclamar disso com mais contundência. Mas já esqueceram de que foram ajudados contra o Corinthians e em outros jogos? - Caso da Uniban: vergonha para a Universidade e para todos que lá estudam. Se é que dá para chamar um troço daqueles de Universidade. - Meu Último Suspiro, sensacional livro de memórias de Buñuel, foi relançado pela Cosac & Naify, com capa dura. Merecia um post gosto/não gosto, afinal, foi ele que me inspirou. Mas fica para outro dia.
Escrito por sérgio alpendre às 20h20
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6° Festival de filmes de aventura do Amazonas

Estou em Manaus, onde está sendo realizado o 6° Festival de filmes de aventura do Amazonas. Ontem foi a abertura, com discurso de mais de meia hora do Governador do Estado e a apresentação, em digital de má qualidade, do filme Antes que o Mundo Acabe, de Ana Luiza Azevedo. Neste ano a cobertura será feita essencialmente aqui no chip hazard e, assim que possível, no Cineclick e na Contracampo. O filme de Ana Luiza Azevedo, por exemplo, teve detratores violentos durante o festival do Rio, bem como defensores apaixonados. Estou confortavelmente no meio, equidistante da aprovação entusiasmada ou da reprovação contundente. O que mais me incomoda é a mania de encher o filme de diálogos espertos, com as confusões que o nome Mim (de Jasmim) causa, por exemplo, ou os diversos outros mal-entendidos elaborados pelos roteiristas, entre eles o papa desse tipo de coisa, Jorge Furtado. Tem alguns momentos interessantes, justamente os que derivam diretamente de Houve Uma Vez Dois Verões, de... Jorge Furtado. A dor do menino que perde a namorada para o melhor amigo é bem filmada, assim como sua relação com a meia irmã e com o padastro, e ao contrário de sua relação com o pai distante. No geral, Antes Que o Mundo Acabe patina entre o mais do mesmo, o terno amor entre amigos e parentes, e a mania excessiva de querer ser espertinho.
Escrito por sérgio alpendre às 17h55
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Mostra SP: um balanço

A Mostra SP passada a limpo. Algumas cotações mudaram, para cima e para baixo. Neste ano fugi de quase todas as projeções digitais, e me dei bem com isso. As duas que encarei, para preencher buracos da programação, abortei com menos de vinte minutos. Acho incrível cobrarem por essas projeções. Muita gente tá reclamando, e a Mostra tá perdendo público com isso. Só não vê quem não quer. * * * * 1/2 A Religiosa Portuguesa, de Eugène Green Vencer, de Marco Bellocchio * * * * Shirin, de Abbas Kiarostami 35 Doses de Rum, de Claire Denis Singularidades de uma Rapariga Loura, de Manoel de Oliveira * * *1/2 Uma Vida Real, de Sarah Leonor Ainda Adoráveis, de Nicholas Fackler Morrer Como um Homem, de João Pedro Rodrigues * * * Brilho de uma Paixão, de Jane Campion Belair, de Bruno Safadi e Noa Bressane A Casa de Sandro, de Gustavo Beck Polícia, Adjetivo, de Corneliu Porumboiu Independência, de Raya Martin Trilogia II: A Poeira do Tempo, de Theo Angelopoulos * *1/2 Katalin Varga, de Peter Strickland Natimorto, de Paulo Machline Momentos Eternos, de Jan Troell Alexandre, o Último, de Joe Swanberg
Carmel, de Amos Gitai * * Mother, de Bong Joon-Ho A Família Wolberg, de Axelle Ropert London River, de Rachid Bouchareb O Amor Segundo B. Schianberg, de Beto Brant 1ª Vez em 16mm, de Rui Goulart Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo, de Karin Ainouz e Marcelo Gomes * 1/2 Insolação, de Felipe Hirsch e Daniela Thomas Perseguição, de Patrice Chéreau * Dzi Croquettes, de Tatiana Issa e Raphael Alvarez RETROSPECTIVAS (vistos ou revistos na Mostra) * * * * * Crônica de Anna Magdalena Bach, de Jean-Marie Straub e Danièlle Huillet * * * * O Banquete, de Hasse Ekman Meu Lar é Copacabana, de Arne Sucksdorff * * 1/2 Nevrijeme - O Temporal, de Gian Vittorio Baldi
Escrito por sérgio alpendre às 23h42
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Kiarostami e a frustração

Dia completamente dominado por Abbas Kiarostami, e sua experiência com reação e frustração. Reação de atrizes a um filme que não podemos ver - daí a frustração. Shirin deve ser o mais belo filme já feito em cima desse tipo de frustração, e nesse sentido é melhor que Branca de Neve, a provocação diabólica de João Cesar Monteiro. Shirin (2008), de Abbas Kiarostami * * * * Acompanhar a emoção. Polícia, Adjetivo (2009), de Corneliu Porumboiu * * * Daria um ótimo curta de 20 minutos. Tudo o que vem antes não me parece necessário para o brilho da sequência final. 1ª Vez em 16mm (2008), de Rui Goulart * * Bizarrice de alguém que sabe não ser Godard, muito menos ator, mas quis fazer seu Paixão.
Escrito por sérgio alpendre às 02h34
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Fim de outubro, começo de novembro

Crônica de Anna Magdalena Bach: novembro se inicia com esta maravilha em 35mm. ------------------------------------------ Quatro dias acumulados sem post durante a Mostra. Nos dois primeiros dias, só uma revisão necessária (Oliveira em 35mm) e a primeira vez que vi algo do Eugène Green no cinema. No domingo, três filmes, entre eles a obra-prima de Straub-Huillet e a revisão do sensacional filme do Bellocchio. Nesta segunda, uma grande decepção (Ainouz e Gomes) e um filme que chega perto de comover, mas que de tão aprisionado pela fórmula do cinema social acaba causando só enfado. Singularidades de uma Rapariga Loura (2009), de Manoel de Oliveira * * *1/2 Revisão em película deste divertimento do mestre Oliveira. A Religiosa Portuguesa (2009), de Eugène Green * * * *1/2 Mais desequilibrado do que Le Monde Vivant e Le Pont des Arts (que é provavelmente o melhor filme do século XXI), mas com três ou quatro momentos de antologia, incluindo a cena final. Crônica de Anna Magdalena Bach (1968), de Jean-Marie Straub e Danièlle Huillet * * * * * Revisto em película e com a janela certa (1.37:1), graças à Sala Cinemateca, é uma aula de composição e equilíbrio cênico. A Família Wolbert (2009), de Axelle Ropert * *1/2 Semelhante, no tom e na chatice, a Tempestade no Gelo. Vencer (Vincere, 2009), de Marco Bellocchio * * * *1/2 Revisão do melhor filme do Festival do Rio. Cresce ainda mais, confirma que a segunda parte é melhor que a primeira (apesar de ser em grande parte por causa da rapidez angustiante da primeira), e que Bellocchio tem muito mais relação com Straub do que eu mesmo supunha (vendo os filmes dos dois no mesmo dia isso ficou claro). Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo (2009), de Karin Ainouz e Marcelo Gomes *1/2 Muito cálculo para pouco cinema. Talvez a necessidade de estar em evidência atrapalhe esses talentosos diretores brasileiros, que acabaram criando aqui uma obra plastificada. London River (2009), de Rachid Bouchareb * * Mais do mesmo, inclusive na interpretação chorosa de Brenda Blethyn (de Segredos e Mentiras).
Escrito por sérgio alpendre às 22h30
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Landau, Burstyn e alguns brasileiros

Pulei um dia. Normal nessa correria maluca que é a Mostra SP. Quarta desisti de um filme brasileiro com menos da metade de sua duração. O filme, Um Dia de Ontem, parecia qualquer nota, mas seria injusto afirmar isso sem ter visto numa cópia decente. Diretor apresentou. Será que ele sabia do estado da cópia, que estava um horror? Sério, fazia mal à vista. Fico me perguntando como esses diretores querem algo do cinema e não ligam que seus filmes passem dessa maneira horripilante. A mesma coisa se deu com o português Fernando Lopes, um veterano que merecia mais respeito. Nesta quinta encarei três brasileiros. O melhor é A Casa de Sandro, de Gustavo Beck. O pior, Insolação, de Felipe Hirsch e Daniela Thomas. Esse último é uma espécie de cruzamento entre Purgatório Eroica (Yoshida) e O Signo da Cidade. Não tinha como dar certo. Entre eles, Natimorto, do qual tenho simpatia, mas não chego a apoiar com paixão, pois tem uma série de tiques meio bestas, como se precisasse mostrar a loucura do personagem com uma câmera mais louca que ele e uma montagem cheia de modismos; e Ainda Adoráveis, que caminha redondinho, até uma torção arriscada perto do fim, e se sustenta bem, graças ao desempenho gracioso de Martin Landau e Ellen Burstyn. Brilho de uma Paixão (Bright Star, 2009), de Jane Campion * * * Os atores brilham de fato. A Casa de Sandro (2009), de Gustavo Beck * * * Quem é Sandro? A câmera tenta descobrir. Com sucesso? Natimorto (2009), de Paulo Machline * *1/2 Outro filme de atores. A câmera e a montagem quase entortam. Ainda Adoráveis (Lovely, Still, 2008), de Nicholas Fackler * * *1/2 Uma boa surpresa. Comove mesmo quando quase se estrepa. Palmas para Landau e Burstyn. Insolação (2009), de Felipe Hirsch e Daniela Thomas *1/2 Que filhote mais defeituoso de filme de arte...
Escrito por sérgio alpendre às 03h28
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Mostra SP - Dia 27/10

Num dia que começou com a descoberta da Matilha Cultural, espaço bem interessante no Centro de São Paulo, o melhor foi Trilogia II: A Poeira do Tempo, continuação da trilogia iniciada em 2004 por Theo Angelopoulos. A questão é: ele piorou ou é esse tipo de cinema que não empolga mais como nos anos 1990? Seja como for, poucos filmam tão bem quanto ele, ainda que pesem as implicações exageradamente poéticas de suas tramas. Além do mais, prefiro um engessado cafona que se inspirou em Mizoguchi a um indie filipino que não sabe o que fazer com a câmera (Mendoza). Teve debate após a sessão, mas nada de novo ou surpreendente foi dito.
Katalin Varga (2009), de Peter Strickland * *1/2 Ia bem, até o desfecho. Perseguição (Persecution, 2009), de Patrice Chéreau *1/2 Pesado como um mastodonte, pretensioso à beça e chato de galocha. Pior filme do diretor.
Trilogia II: A Poeira do Tempo (The Dust of Time, 2008), de Theo Angelopoulos * * * Engessado toda vida, mas a movimentação da câmera continua lenta e impressionante.
Escrito por sérgio alpendre às 02h00
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Mostra SP - Dia 26/10

A foto acima é do melhor filme visto em 26 de outubro: O Banquete, de Hasse Ekman. Foi o primeiro que vi desse diretor sueco, filho do ator Gosta Ekman, que também participa como ator. A nota patética, segundo o que foi narrado por um espectador via Twitter, aconteceu no debate após a sessão de Sorrisos do Destino, de Fernando Lopes (diretor de Belarmino). Um espectador, sem saber que o que tinha visto havia sido exibido numa cópia nojenta em DVCam, perguntou ao diretor o porquê da opção por uma fotografia sépia e opaca. Será que Lopes viu como seu filme foi exibido? Será que ele não quis enfiar a cabeça no chão depois da pergunta, ou após perceber em que enrascada havia se metido? Enfim, seria o caso de tomarem vergonha na cara e avisarem sempre das condições toscas dos filmes que programam, e tornar essas sessões gratuitas, no mínimo. Vamos à frieza das cotações: O Banquete (Banketten, 1948), de Hasse Ekman * * *1/2 O drama dos bem-nascidos. Meu Lar é Copacabana (Mitt Hem Är Copacabana, 1965), de Arne Sucksdorff * * *1/2 Só agora me dei conta que é Fábula com outro nome... mas me pareceu outra montagem. Não lembrava da narração. Por que diabos não programaram com o nome pelo qual o filme é mais conhecido? Morrer Como um Homem, de João Pedro Rodrigues * * * Viagem lisérgica pelo mundo dos travestis.
Escrito por sérgio alpendre às 01h22
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Mostra SP - Dia 25/10

Meu segundo dia de Mostra SP foi completamente dominado por Claire Denis. Incrível seu 35 Doses de Rum, que prefiro ao mais recente White Material - e nisso sei que sou esmagável minoria. A força do olhar de Alex Descas (foto) domina todo o filme, e imprime um tom dos mais emocionais na filmografia da diretora. Encontrei Inácio Araujo, que infelizmente não conseguiu ingresso. Vi no Cinema da Vila (ex-Cinemateca, Sala UOL, Sala IG...), agradável sala da Fradique Coutinho, em Pinheiros.
Alexandre, o Último (Alexander the Last, 2009), de Joe Swanberg * *1/2 Um média-metragem muito bom se terminasse após 40 minutos. 35 Doses de Rum (35 Rhums, 2008), de Claire Denis * * * * A força dos olhares.
Escrito por sérgio alpendre às 02h58
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Uma bola dentro

É tanta pisada na bola que quando colocam uma dentro do gol dá vontade de dar os parabéns, pelo feito tão raro nestes tempos em que o retorno financeiro parece estar acima do respeito à cinefilia, por mais que esta última não tenha feito nada para merecer o menor respeito. Trata-se do acesso a alguns filmes por meio de streaming, numa parceria da Mostra SP com o site The Auteurs. É quando o digital não é maldição. Os filmes ficam disponíveis logo após a primeira exibição nos cinemas participantes da Mostra. Ainda são poucos títulos, mas já é uma iniciativa a se comemorar, que permite a quem estiver longe de São Paulo acompanhar alguns dos títulos da presente edição. Recomendo, fortemente, Vencer, o filmaço de Marco Bellocchio. Eis a lista de filmes (clique nos títulos para ler a sinopse): 13 MINUTOS, Felipe Briso, Gilberto Topczewski (Brazil) – 24/10 A CANTORA DE TANGO, Diego Martinez Vignatti (Belgium, Argentina, France, Holland) – 28/10 À MARGEM DO LIXO, Evaldo Mocarzel (Brazil) – 25/10 A VIDA EM BLOCO, Alfredo Hueck e Carlos Caridad (Venezuela) – 25/10 AMOR EM TRÂNSITO, Lucas Blanco (Argentina) – 24/10 AQUILES E A TARTARUGA, Takeshi Kitano (Japan) – 30/10
BR3 (DOCUMENTÁRIO), Evaldo Mocarzel (Brazil) – 24/10 BR3 (FICÇÃO), Evaldo Mocarzel (Brazil) – 10/24 CORTEJANDO CONDI, Sebastian Doggart (USA, United Kingdom) – 26/10 DENTRO DA LEONERA, Nicolas Bénac e Cedric Robion (France) – 25/10 FUTEBOL BRASILEIRO, Miki Kuretani e Tatiana Vilela (Japan, Brazil) – 26/10 HUGO REI E SUA DONZELA, Franco de Peña (Poland, Venezuela) – 01/11
KALANDIA – HISTÓRIA DE UMA FRONTEIRA, Neta Efrony (Israel) – 26/10 MOMENTOS DE JERUSALÉM, vários diretores (Israel) – 27/10 NÓS QUE AINDA ESTAMOS VIVAS, Daniele Cini (Italy, Argentina) – 24/10 O CERCO, Toshi Fujiwara (Japan) - 01/11 O JOGO DO PAI, Michael Glawogger (Germany, Austria) – 28/10
O PEQUENO INDI, Marc Recha (Spain, France) – 27/10 PAPAI FOI CAÇAR PTÁRMIGA, Robert Morin (Canada) – 24/10
REIDY, BUILDING UTOPIA, Ana Maria Magalhães (Brazil) – 29/10 SIRI-ARA, Rosemberg Cariry (Brazil) – 02/11
TIKIMENTARY, Duda Leite (Brazil) – 24/10 TUDO QUE NOS CERCA, Hashiguchi Ryosuke (Japan) – 24/10
UM LUGAR AO SOL, Gabriel Mascaro (Brazil) – 28/10 VENCER, Marco Bellocchio (Italy) – 29/10
Escrito por sérgio alpendre às 16h25
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Digital é maldição

Twitter tem seu lado bom. Marcelo Hessel avisa que A Ressurreição de Adam, aguardado filme de Paul Schrader, está sendo exibido em DVCam na Mostra SP. Um a menos na minha programação. É uma besteira tamanha ver no cinema enquanto tem Blue Ray disponível na internet. Quem viu, ou verá, está assinando embaixo dessa prática tacanha de programar um filme em condições tão ralas. Não tem internet, ou é contra o download? Espere sair em DVD. Faça um favor a seus olhos. ----------------------------------------------------------------------------
Por enquanto, não consegui pegar nem no tranco. Vi apenas um filme nesta edição: Momentos Eternos, de Jan Troell **1/2 Detalhes insólitos e emotivos suavizam a sensação de previsibilidade. ------------------------------------------------------------------------------------------ Amanhã: Alexandre, O Último e 35 Doses de Rum.
Escrito por sérgio alpendre às 02h32
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Hora de voltar a Angelopoulos

No começo deste ano, fiz um post conclamando todos a uma revisão dos filmes de Theo Angelopoulos. Agora, a 33ª Mostra SP nos dará essa oportunidade, ainda que alguns filmes estejam meio escondidos na programação (salas distantes, pequenas, uma só reprise). Republico o post, então. ------------------------------------------------------------------------------------------ Aproveitando o lançamento de Um Olhar a Cada Dia, por cortesia da Lume, proponho uma revisão dos filmes de Theo Angelopoulos, considerando que a maioria, senão todos, estão disponíveis em algum lugar por aí (desde que se tenha banda larga para baixar as raridades, claro). No começo da década de 90, era moda gostar de Angelopoulos. Por consequência, de todos os filmes gregos, que causavam filas quando exibidos em mostras. Isso aconteceu por causa do imenso sucesso de Paisagem na Neblina, seu melhor filme, que ficou, se não me engano, quatro meses em cartaz no Cinesesc - passando em todos os horários, vale dizer. Agora é moda não gostar, o que é normal. Seus filmes representam um tipo de cinema que deixou um rastro de decepções a partir da década passada, queimando um pouco o circuito de arte com os críticos, talvez com uma boa dose de intolerância. Em 1995 surgiu Um Olhar a Cada Dia, que entrou em cartaz logo depois da 19ª Mostra SP (1995), para a alegria dos que ansiavam por nova obra de sua autoria. Na época me decepcionei, pois percebi que ele estava se repetindo de maneira incômoda, repetindo tudo o que tinha agradado em Paisagem na Neblina dentro de um tema caro ao cinéfilo: a busca pelas origens cinematográficas da Grécia. Mas faltava um filme, realizado entre um e outro, para saber como havia sido essa involução. A 20ª Mostra SP (1996), com uma retrospectiva completa de sua filmografia, foi a oportunidade ideal para conhecer melhor seu cinema, suas preocupações estéticas, suas influências. Foi, também, a chance de ver o tal filme do meio, O Passo Suspenso da Cegonha, de 1991, que me arrebatou em cheio na Cinemateca antiga, a de Pinheiros. Saí radiante pois tinha descoberto uma outra obra-prima do diretor, com Marcello Mastroianni e Jeanne Moreau. O primeiro filme que vi naquela mostra antecipava a parceria de O Passo Suspenso. Era O Apicultor, que Angelopoulos dirigiu em 1986 com Marcello Mastroianni falando grego (aprendeu de ouvido, segundo Angelopoulos). Nos dias seguintes pude construir mentalmente a cronologia de sua carreira, vendo de maneira desordenada os painéis históricos que ele havia realizado nos anos 1970: Reconstituição, Dias de 36, A Viagem dos Comediantes, Os Caçadores, filmes difíceis, com o foco dividido entre diversos personagens, sendo que apenas um deles tinha status de protagonista: a Grécia. O único que gostei entre esses filmes iniciais foi A Viagem dos Comediantes, gigantesco painel de quatro horas de duração que me obrigou a ficar de pé na Cinemateca por 1/3 de filme, na tentativa vitoriosa de afastar o sono. Valeu a pena. O que mais me marcou nesse filme antológico e complicado foram os diversos momentos em que a alegria coletiva era interrompida por algum representante da ordem. Em 1980, Angelopoulos inicia uma mudança em sua obra: em vez de compor um complicado painel histórico resolveu centrar suas forças em um personagem, fazendo as alegorias girarem em torno dele. O filme era Megalexandros, com suas três horas e meia de imagens inesquecíveis e discursos confusos. Sua obra seguinte completa a mudança e inicia a melhor fase de sua carreira: Viagem a Citera, a história de um diretor de cinema que pretende realizar um filme em homenagem a seu pai. A história é finalmente inserida de maneira clara, o filme é mais enxuto (duas horas e meia de duração) e as imagens continuam impressionantes, claramente influenciadas por Mizoguchi e Tarkovski. Essa fase dura até O Passo Suspenso da Cegonha, ainda que seus dois filmes seguintes tenham inúmeras qualidades. Um Olhar a Cada Dia sofre com a esperteza de quem se descobriu um gênio antes mesmo de se confirmar como tal, mas tem grandes momentos, como a dança que viaja pelos tempos, e uma interpretação magistral de Harvey Keitel. A Eternidade e um Dia, chamado jocosamente de Central da Grécia, por sua semelhança com Central do Brasil, também sofre da tal esperteza, mas as imagens hipnotizantes estão lá, e como Angelopoulos já havia aprendido a centrar suas forças em um único personagem, dá a chance para Bruno Ganz brilhar também. Vi Trilogia 1: O Vale dos Lamentos na Mostra SP de 2005 e não me impressionei. Em 2008 ele lançou a segunda parte, Dust of Time, que conta com Willem Dafoe, Bruno Ganz, Iréne Jacob e Michel Picoli.
Escrito por sérgio alpendre às 21h56
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