Elia Suleiman

Nesta última sexta-feira estreou O Que Resta do Tempo, último filme de Elia Suleiman. Reproduzo aqui, para homenageá-lo, alguns trechos de suas respostas na entrevista que Luiz Carlos Merten realizou com o diretor para O Estado de São Paulo: "O que é representar o cinema palestino? Como é fazer cinema num território ocupado? Estou certo de que, em seu país, muitos diretores também devem ter essa sensação de estar fazendo cinema numa terra ocupada. Pode ser uma ocupação diferente, sem um dispositivo militar que salte aos olhos, mas muitas vezes pode ser mais difícil fazer cinema, de um determinado jeito, para o público que tem sua alma, sua inteligência ocupada." "Sou um cineasta palestino que vive na França. Faço filmes baseados no meu entorno, naquilo que conheço e com que me identifico, mas espero, como artista, estar construindo uma obra universal, para ser vista e aceita no Brasil, no Uruguai. Não quero elucidar a questão do Oriente Médio para ninguém, nem tenho essa pretensão. Quero relatar experiências estéticas e humanas. Como a história de meus pais." "A universalidade é o sonho do artista, mas hoje viver num mundo global não facilita a comunicação, ao contrário do que se pode imaginar. Eu me identifico com os palestinos, porque sou um deles, mas também sou um cidadão do mundo. O mundo tende a me considerar um cineasta palestino, falando sobre a identidade palestina." A entrevista, na íntegra como foi publicada, está aqui: http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,diretor-elia-suleiman-fala-de-o-que-resta-do-tempo,506540,0.htm
Escrito por sérgio alpendre às 15h52
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Homenagem tardia ao grande Eric Rohmer

Agora que todo mundo esqueceu é hora de voltar a lembrar: Eric Rohmer, grande mestre do cinema, faleceu no comecinho do ano em que iria completar 90 anos. Seu último filme é a obra-prima cujop cartaz ilustra o post. Segue a lista com filmes vistos e com cotações: O Signo do Leão (Le Signe du Lion, 1959) * * *1/2 A Padeira do Bairro (Le Boulangère de Monceau, 1963) * * *1/2 A Carreira de Suzanne (La Carrière de Suzanne, 1963) * * * A Colecionadora (La Collectioneuse, 1967) * * * * Minha Noite com Ela (Ma Nuit Chez Maude, 1969) * * * * * O Joelho de Claire (Le Genou de Claire, 1970) * * * *1/2 O Amor à Tarde (L'Amour L'Après Midi, 1972) * * * * * Marquesa D'O (Marquise D'O, 1976) * * * *1/2 A Mulher do Aviador (La Femme de L'Aviateur, 1980) * * * * Le Beau Marriage (1982) * * * Pauline à la Plage (1983) * * * *1/2 Noites de Lua Cheia (Les Nuits de Pleine Lune, 1984) * * * O Raio Verde (Le Rayon Vert, 1986) * * * * * O Amigo de Minha Amiga (L'Ami de Mon Amie, 1987) * * * *1/2 Quatre Aventures de Reinette et Mirabelle (1987) * *1/2 Conto de Primavera (Conte de Printemps, 1991) * * * Conte de L'Hiver (Conto de Inverno, 1992) * * * *1/2 A Árvore, O Prefeito e a Mediateca (1993) * * * * Conto de Verão (Conte de L'Été, 1996) * * * *1/2 Conto de Outono (Conte d'Automne, 1998) * * * *1/2 A Inglesa e o Duque (L'Anglaise et le Duc, 2002) * * * * * Les Amours d"Astrée et de Céladon (2007) * * * * *
Escrito por sérgio alpendre às 01h08
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As cumieiras da mente

Se um ET caísse na Terra hoje, sem conhecimento prévio, e tivesse como primeira experiência a visão de A Todo Volume (It Might Get Loud, 2008), de Davis Guggenheim, sairia do cinema aprendendo que Jack White e The Edge são guitarristas fenomenais, e Jimmy Page é Deus. Iria querer encontrá-lo, para alcançar a luz. Esse é um mérito inegável do filme, deixar as coisas bem evidentes, além de estabelecer a devida filiação: The Edge é o irmão mais velho, rebelado pelo punk, que nega o pai para reencontrá-lo no futuro. Jack White é o irmão mais novo, também muito influenciado pelo punk, mas de uma maneira que só o aproxima do pai, porque ambos nutrem uma extrema paixão por rockabilly, blues rústico e rock distorcido e contagiante. O pai Jimmy Page, bonachão, se diverte com a paixão de um e a racionalidade de outro, mas todos ganham algo com esse encontro. Mas há senões ao filme. Guggenheim quer ser artista, e de vez em quando viaja em imagens, compondo digressões que nem sempre enriquecem a experiência promovida pelo filme. A mania de picotar os depoimentos também atrapalha, pois às vezes não temos resposta para alguns ganchos plantados pelos guitarristas. Ou quando temos, já esquecemos do gancho. Mas é uma delícia para quem gosta de rock. E toca duas das melhores músicas já feitas: "The Battle of Evermore" e "When the Levee Breaks", ambas do Led Zeppelin IV (1971).
Escrito por sérgio alpendre às 01h29
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Metallica

Já que estamos numa vibe mais roqueira, vamos subir alguns decibéis em relação ao Twisted Sister. Vejam o texto que Paulo Ricardo (sim, o do RPM) fez sobre o show do Metallica, publicado, pasmem... na Folha SP de terça-feira. Depois leiam, embaixo, o texto clássico sobre o disco Live Evil, do Black Sabbath que saiu numa Rock Brigade de 1983. Impossível não pensar em homenagem a um estilo de escrita. Peso do Metallica te deixa leve PAULO RICARDO ESPECIAL PARA A FOLHA O heavy metal (e suas variações, death metal, speed metal etc.) consolida-se nos anos 80, mas suas raízes estão nos 70, quando Led Zeppelin e Black Sabbath dão ao rock'n'roll uma nova dimensão, em termos de peso e profundidade. O interesse por magia negra de Jimmy Page e a paranoia do Sabbath, que Ozzy eternizou, detonaram no imaginário da garotada uma série de associações que, por sua vez, dão à loucura dos grandes centros urbanos e sua intrínseca violência uma espécie de sentido, tradução e exorcismo. É sob esta ótica que se pode compreender com mais clareza o tipo de ritual que acontece num show do Metallica. Pode-se ir mais longe, ao delta do Mississipi, e assimilar a revolta dos escravos, a dor do blues e a música como redenção. Transpondo essa revolta para os dias de hoje, vemos a evolução desse gênero desdobrar-se em todo tipo de catarse, seja a do "white trash" americano contra o sistema ou a do garoto rebelde sub metido à tirania (ou descaso, como em "Jeremy", do Pearl Jam) de pais e professores. Sob o manto de suas camisetas negras, todos comungam coletivamente, em estádios nas metrópoles de todo o mundo, sua ira e inconformismo, cuspindo o lixo de volta, como dizia Renato Russo, em alto (muito alto) e bom som. "Kill 'Em All" e "Seek & Destroy" são alguns títulos de canções que exemplificam bem o que estou querendo dizer. A tradução da violência dos dias de hoje, a pressão do sucesso, a opressão dos padrões estéticos apolíneos, tudo isso é questionado através da observação e da assimilação da morte, segundo Arthur Schopenhauer, responsável por toda a filosofia. Diante da aceitação da finitude das coisas, adquirimos mais elementos para enfrentar o peso do dia a dia. Não por acaso este novo trabalho da banda se chama "Death Magnetic". Trabalhando com o fogo dos infernos (inacreditáveis lança-chamas ao lado das c olunas de som, que pareciam querer incinerar a lua cheia que iluminava o Morumbi), explosões de fogos de artifício e muita pólvora, o Metallica oferece como ninguém o maior espetáculo do metal dos dias de hoje. Impressionante. A espinha dorsal (e membro fundador, junto com o guitarrista e vocalista James Hetfield) é o baterista Lars Ulrich. Pequeno/grande Napoleão da bateria, ele estupra nossos ouvidos a cada patada em seu bumbo. Que, em inglês, se chama "kick" (chute), numa tradução bem mais acurada do que acontece ali. Posicionado bem em frente à coluna de som, o absurdo de volume é uma verdadeira porrada, causando um perceptível deslocamento de ar e das entranhas. A banda é de uma precisão irritante, uma máquina, um exército de dar inveja aos 300 de Esparta. Não é à toa que Tânatos, o deus da morte, tem o coração de ferro e as entranhas de metal. Somos massacrados pelos decibéis, pelos riffs marciais, e pela performance enérgica do Metallica, sem piedade até o final do show, com os "pop hits" (ou quase) "Nothing Else Matters" e "Enter Sandman". Por incrível que pareça, saí de lá mais leve. E convertido. Kill "Em All!!! -------------------------------------------------------------------------------------- Ronnie James Dio encarou o demônio de frente, galopou no cavalo da morte e dançou na propriedade do sobrenatural. A amarga gota de fel que é nódoa nos corações humanos e o desespero pelo poder da força que arrasta todos às profundezas do inferno, foram por ele galhardamente cantadas, num Heavy Metal que Satanás não ensinaria nas escolas do inferno. A guitarra de Iommi ronca feio para o lado dos espíritos. Estremece túmulos. Os ventos soprados pelas cordas de Geezer assobiam gelado nas cumieiras da mente! Vinnie o convidado macabro cumpre o seguimento do ritual, possuído que foi pelo Black Sabbath. O Sabbath resistiu e persistiu no caminho do pau-pesado que transcende a própria música. Pois na sua essência a estupidez do pesado é o repúdio encolerizado da própria condição “Filho da Puta”, pecaminosa e mortal em que vive o homem. Na capa, um shock de nuvens carregadas de megatons anunciam fenômenos dantescos sobre o mar. O azul foi ao negro num abraço macabro, e o positivo foi ao negativo como que por encanto, precipitando na estampa perplexa do horizonte confuso, a descrição geométrica de um relâmpago serpenteador. Desceu na rota dos elétrons como um raio sobre o oceano, que o acolheu em seu peito com tanta valentia e determinação, quão resoluto e furioso ele desceu. A natureza enxotou de seu reino as pernícies humanas que vagueiam nas entranhas de suas cores místicas e em seus fenômenos íntimos. Sob a intolerância das forças naturais, elas deixam-se sair pelas portas do oceano, alcançando a praia, onde vagueiam as almas penadas a procura de um lar seguro e promissor. E encontram a mente humana, onde engendram, conquistam e dominam...
Escrito por sérgio alpendre às 02h13
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Ecos de Minas Gerais

- Paradoxo, processo, dispositivo. Nunca essas três palavras foram tão massacradas quanto na 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes. Tem um lado positivo na coisa toda: serviu para mostrar que a discussão intelectual na comunidade cinematográfica é tão ou mais autista do que os cinéfilos e críticos mais viciados. Tudo passa pelo atalho formado por essas três palavrinhas. Quando se soma à vulgarização da expressão mise-en-scène, o cenário fica ainda pior. Os debatedores parecem dispostos a seguir caminhos que não sabem trilhar. Palpite: Cléber Eduardo, elogiado com toda razão pelo Inácio Araujo, tem uma conversa estimulante e um apetite inexaurível para formular questões e colocar pulgas nas orelhas. É um talento como curador, justamente pela capacidade de provocar e incitar as pessoas à reflexão. Mas não há quem o acompanhe com sucesso nessa tarefa. A discussão nos seminários vira sempre uma verborragia enfadonha, que gira diante de obviedades (a insistência no paradoxo), viagens (associar a angústia dos filmes atuais à redescoberta do cinema novo) ou falsas questões como a do filme processo (desconto: não ouvi a elogiada fala de Cezar Migliorin). Tentei fugir desse redemoinho na minha fala no debate sobre o filme Pacific, mas fracassei retumbantemente por falta de fôlego. Deveria ter sido mais combativo, não contra o filme, mas contra algumas idéias que apareceram. Meu lado conciliador falou mais alto. Outros debatedores de filmes fugiram do redemoinho com maior facilidade, ainda bem. Não quero dizer que a Mostra tenha sido um desastre. Não é nada disso. Só não foi melhor porque os filmes no geral deixaram a desejar, e os debates panorâmicos foram doses de soníferos para elefantes. Mas o ambiente na cidade histórica é contagiante, sem dúvida. - Volto ao circuito paulistano, que, segundo conta o amigo José Damiano, humilha o circuito de Toronto, rendido aos maiores blockbusters hollywoodianos. Mas não dei sorte. O Homem Que Engarrafava Nuvens é um documentário comportado demais e Nine é uma ofensa ao cinema. Tentarei escrever algo sobre o último para a Contracampo. - A foto no alto, da banda Twisted Sister, é muito menos patética do que a que se encontra nas páginas da revista inglesa Record Collector.
Escrito por sérgio alpendre às 23h35
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Encerrando Tiradentes
Ainda é cedo para comemorar. Aliás, sempre é cedo quando se trata de cinema nacional. Mas a vitória incontestável do filme cearense Estrada para Ythaca, que angariou os prêmios do Juri Jovem e do Juri da Crítica, ilumina um caminho interessante para o cinema brasileiro que não quer ou não pode se sujeitar aos benefícios da Globo Filmes. Com a história de quatro amigos que após uma bebedeira daquelas decide pegar a estrada rumo a uma experiência única, Estrada para Ythaca, dirigido por Irmãos Pretti e Primos Parente, consolida um filão já antes explorado, com menos felicidade, por filmes como Conceição e Amigos de Risco: o elogio da brodagem e da paixão pelo fazer cinema. Se é um caminho que será seguido, o que francamente espero, saberemos em breve. Mas já é animador saber que há um caminho sendo traçado. Mas um festival não se compõe só de acertos e novos caminhos. Há surpresas e decepções em meio a uma enormidade de lugares comuns. Se em alguns longas podemos detectar o perigo de um novo academicismo à espreita - Mulher à Tarde - ou a facilidade de uma idéia que se esgota no meio do caminho, apesar de alcançar alguns resultados interessantes - Um Lugar ao Sol, Pacific - existe, felizmente, uma pulsão renovadora que elege caminhos no lugar de resultados, riscos em vez de fórmulas, como é o caso evidente de Esperando Telê e do grande premiado, citado acima - os dois melhores longas da Mostra Aurora (dedicada a realizadores nos primeiros ou segundos longas), e, não seria exagero dizer, de toda a 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes. Nos curtas, o panorama é preocupante. Um punhado de obras incompletas, indecisas em seu formato, conservadoras na estética, mais um número bem grande de filmes simplesmente anódinos. Vem de Pernambuco os dois curtas que salvaram a programação da mediocridade: Faço de Mim o Que Quero, de Sérgio Oliveira e Petrônio Lorena, e Recife Frio, de Kleber Mendonça Filho. O primeiro faz uma radiografia tocante e inspirada do panorama brega do centro de Recife, com suas cores, barulhos e cheiros estranhos. O segundo utiliza o formato do falso documentário para fazer um delicioso comentário de costumes, com direito até a uma pincelada no conflito de classes, na cena em que a empregada tem seu quarto tomado pelo filho do casal. Dois grandes filmes, que confirmam o estado pernambucano como o mais antenado e prolífico em matéria de novas idéias, ao lado do Ceará. Outros curtas elevam-se da mediocridade, como é o caso de As Corujas, Fantasmas, Bailão, Quarto de Espera, A Amiga Americana, Manassés, Pedra Bruta, Ensaio de Cinema, O Menino Japonês, Nego Fugido, A Montanha Mágica. Outros bem falados por alguns companheiros de labuta crítica ainda não foram vistos por mim, lamento. Ainda há aqueles que são apenas razoáveis - muitos para citar aqui. Enfim, o panorama não muda há um bom tempo, e se temos boas idéias vindas de alguns lados - notadamente do Nordeste - falta ainda coragem para apostar em caminhos espinhosos ou aprumar-se num classicismo arriscado, por parecer mais fácil de ser realizado.
Escrito por sérgio alpendre às 01h21
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13ª Mostra de Cinema de Tiradentes

Desde 22 de janeiro está rolando a 13º Mostra de Cinema de Tiradentes. É a terceira vez que venho cobrir o evento, desta vez para o UOL Cinema, e a terceira vez que participo de um debate com realizadores, desta vez sobre o filme Pacific, da Mostra Aurora, dedicada a novos diretores. Por aqui, mantenho o costume de indicar os filmes vistos (mesmo quando vistos em outros festivais), com cotações e uma breve frase sobre eles. Mando, então, a primeira parcial: LONGAS Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo, de Karim Ainouz * 1/2 Road movie cheio de cálculos. Insolação, de Felipe Hirsch e Daniela Thomas * * Existe cura para a insolação. Cabeça à Prêmio, de Marco Ricca * * A insuportável influência de Lucrecia Martel. Dzi Croquettes, de Raphael Alvarez e Tatiana Issa * 1/2 Síndrome de Huguinho, Zezinho e Luisinho. Os Inquilinos, de Sérgio Bianchi * * 1/2 Na tocada de sempre do diretor. O Céu de Suely, de Karim Ainouz * * * Os germes da decadência? Morro do Céu, de Gustavo Spolidoro * * * A maturidade de um cineasta. Natimorto, de Paulo Machline * * 1/2 Vale pelos atores. Terras, de Maya Da-rin * * 1/2 A natureza não tem fronteiras. Estrada para Ythaca, Irmãos Pretti & Primos Parente * * * 1/2 "It's getting better all the time" A Alma do Osso, de Cao Guimarães * * * Hipnotizante nos melhores momentos. CURTAS: Cidade dos Mascarados, de Emanuela Yglesias * 1/2 ? Raz, de André Lavaquial * * Quase interessante. Flash Happy Society, de Guto Parente * * 1/2 Interessante. Cheirosa, de Carlos Segundo * * 1/2 Nos tempos da Brasília. Zigurate, de Carlos Eduardo Nogueira * 1/2 Bobagem insossa. What Do You Think of Me?, de Kika Nicolela * * 1/2 Simpático. Sobre Distâncias, Incômodos e Alguma Tristeza, de Alberto Bitar * * ? Calça de Veludo, de Ana Moravi e Dellani Lima * * Mais para polyester do que para veludo. A Montanha Mágica, de Petrus Cariry * * * 1/2 Memorialismo tocante. Olhos de Ressaca, de Petra Costa * * * Subestimado. As Corujas, de Fred Benevides * * * Bela atmosfera claustrofóbica. 98001075056, de Felipe Barros * * * Um tanto fácil, mas de certa beleza. Fantasmas, de André Novais de Oliveira * * * O velho truque da imagem rebobinada à Caché. Matryoshka, de Salomão Santana * * 1/2 Artístico demais. O Divino, De Repente, de Fábio Yamagi * * * Uma pequena delícia. Vista Mar, de Pedro Diógenes, Rubia Mercia, Rodrigo Capistrano, Claugeane Costa, Henrique Leão e Victor Furtado * * Tentativa frustrada de sátira social? 
Escrito por sérgio alpendre às 18h28
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Irving Rapper era um mágico










O momento mais belo de um dos melhores filmes que vi: Com um Pé no Céu (One Foot in Heaven, 1941), de Irving Rapper agradecimentos ao Edu Reginato
Escrito por sérgio alpendre às 01h24
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Invictus

1. Uma grande decepção. Foi o que senti nos minutos finais de Invictus, de Clint Eastwood, visto hoje em sessão para a imprensa no Arteplex. 2. Depois, conversando com Chiko Guarnieri e Francis Vogner, fui lembrando de algumas coisas, digerindo melhor o filme. Mais tarde, em conversa com Inácio Araujo, o processo continuou. 3. Mesmo assim, é fácil o pior filme de Clint desde Dívida de Sangue. 4. A cena em que Matt Damon, capitão do time de rugbi, chega com os ingressos para a final, e o ingresso extra é para a empregada negra parece ter sido concebida por um estagiário de publicidade. 5. Algumas cenas em câmera lenta também me deixaram constrangido. Como pode, Clint? 6. Não se trata de autorismo besta. Mas quando o cara é bom, consegue criar momentos de rara beleza. Em Invictus, eles aparecem sobretudo na primeira metade (os diálogos de Mandela Freeman com a assessora no carro, o avião que homenageia o time com um vôo baixo e, principalmente, os momentos em que os seguranças negros começam a se entender com os seguranças brancos - eles jogando rugbi e o presindente olhando pela janela é de antologia. 7. Morgan Freeman (Madiba) arrebenta. Tom Stern, não. Joel Cox, também não.
Escrito por sérgio alpendre às 00h58
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Os 20 melhores filmes de 2009

1) Gran Torino, de Clint Eastwood Christ all friday!!! 2) Amantes (Two Lovers), de James Gray O melhor filme de um grande diretor. 3) Deixa Ela Entrar (Let the Right One In), de Tomas Alfredson Eu deixo. 4) Aquele Querido Mês de Agosto, de Miguel Gomes Uma delícia de filme. Vasco, o mito. 5) Moscou, de Eduardo Coutinho A brilhante encruzilhada de uma carreira. 6) Inimigos Públicos (Public Enemy), de Michael Mann Carne picotada com muita habilidade. 7) Desejo e Perigo (Lust: Caution), de Ang Lee Carne, carne, carne... 8) As Ervas Daninhas (Les Herbes Folles), de Alain Resnais Decepcionante, pois não é a obra-prima que eu esperava. Mas é desconcertante. 9) A Troca (Changelling), de Clint Eastwood Na revisão cai um pouco, mas tem dois dos 10 melhores momentos do cinema em 2009. 10) Horas de Verão (L'Heure D'Été), de Olivier Assayas Ocaso de uma geração, rebento de outra. 11) Vocês, os Vivos (Du Levande), de Roy Andersson Ai, quem é que não gosta de quem só faz o mesmo filme? 12) Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds), de Quentin Tarantino Pelos dois primeiros capítulos. 13) Arrasta-me Para o Inferno (Drag me to Hell), de Sam Raimi Bruxa bem mais assustadora que a de Blair. 14) Inútil (Useless), de Jia Zhang-ke A brancura estética. 15) O Lutador (The Wrestler), de Darren Aronofsky "I knew right from the beginning / that you would end up winnin'" 16) Presságio (Knowing), de Alex Proyas Cage correndo e o mundo derretendo. 17) Aconteceu em Woodstock (Taking Woodstock), de Ang Lee Bela viagem de ácido. 18) Milk - A Voz da Igualdade (Milk), de Gus Van Sant A primeira metade é espetacular. 19) A Erva do Rato, de Júlio Bressane Como aproveitar a persona cinematográfica de Selton Mello. 20) Annabazys, de Joel Pizzini e Paloma Rocha Estimulante, dá vontade de ver Glauber. ------------------------------------------------------------ Só entraram na lista filmes que estrearam no circuito comercial de São Paulo durante 2009.
Escrito por sérgio alpendre às 21h39
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Os Guerreiros do Bronx

Os Guerreiros do Bronx (1982) é tão superior a Expresso Blindado da SS Nazista (1978) quanto é inferior a Keoma (1976). O que significa que Castellari continua uma incógnita sobre ser merecedor de tal culto. O mais bizarro do filme é o andar de Trash, o personagem principal (o ator Mark Gregory tinha apenas 17 anos na época): lembra os andares idiotas de um dos sketches mais clássicos do Monty Python. O melhor é a radiografia daquele início dos anos 1980, com os patinadores, o visual heavy metal, os rockeiros sulistas motoqueiros, os new romantics, os new-dândis, as criaturas saídas da capa do disco Mob Rules (do Black Sabbath), etc. Só por essa visão interessada e perspicaz de sua própria época o filme já merece um lugar no céu como importante peça de estudo daqueles anos estranhos.
Escrito por sérgio alpendre às 22h56
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Keoma

Conhecia apenas três filmes de Enzo G. Castellari. Expresso Blindado da SS Nazista (1978), mencionado no post anterior com seu nome original, Quel Maledetto Treno Blindato, Os Guerreiros do Bronx (1983) e Keoma (1976). Vi os três na pré-cinefilia, em canais de TV aberta (anos 80, não havia TV paga no Brasil). Talvez eu tenha visto Keoma no início da cinefilia, no máximo em 1990. Na memória eram filmes bem legais, cheios de ação e explosões. Mas suspeitava que não iria gostar se os revisse. Apesar de Castellari ser um diretor endeusado em alguns círculos (ou pelo menos cultuado), sentia que seus filmes eram apenas para fetichistas de um certo tipo de cinema vagabundo, do qual também gosto, mas nem sempre com o entusiasmo desses fãs ardorosos. Expresso Blindado, revisto ontem, apesar de ser um filme bacana (sim, foi essa a palavra que usei), confirmou essa impressão. Continuando a série de revisões para preparar as aulas do curso Tarantino, revi Keoma, que é, sim senhor, um filmaço, dos melhores westerns spaghetti já filmados. As lembranças invadindo o plano real já não eram novidade em 1976, mas são inseridas com tanto vigor e classe por Castellari que me emocionam sempre que ocorrem. Os irmãos divididos e a amizade de Keoma (Franco Nero), mestiço de branco com índio ("damned halfbreed") com o negro interpretado por Woody Strode também é marcante, assim como a senhora que sempre aparece como mediadora e conselheira (seria um fantasma de carne e osso?), também são de impressionar. Falta rever Os Guerreiros do Bronx para ver para qual lado a balança irá pender, se para o cineasta merecedor do culto ou para o esforçado que acerta em cheio muito de vez em quando. Claro que existem outros filmes dele disponíveis na rede, alguns eu já tenho aqui, mas a trinca citada acima responde por uma romântica pré-cinefilia, que me é muito cara.
Escrito por sérgio alpendre às 00h46
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Um lembrete tarantinesco

Últimos dias para inscrição no mini-curso Quentin Tarantino, a ser ministrado (sempre achei esta palavra muito esquisita) por mim nos dias 19, 20 e 21 de janeiro, às 19h30, na Rua Aureliano Coutinho, 278 - conj. 32. Higienópolis - São Paulo. Nesses dias que antecedem o curso começo a rever todos os filmes do diretor, incluindo a tão adiada revisão de Pulp Fiction, prometida já há uns bons dez anos; além dos filmes de diretores que o influenciaram: Castellari, Fukasaku, Suzuki, Chang Cheh e muitos outros. Mais informações em: http://cursotarantino.blogspot.com
Rever Quel Maledetto Treno Blindato, do Enzo Castellari, a maior inspiração para Inglorious Basterds, foi engraçado. Acho que nunca tinha visto o filme como cinéfilo, já que o via sempre que passava na Bandeirantes - ou Gazeta? - nos anos 80, como um adolescente apaixonado por filmes, mas sem ideia alguma de quem os dirigia. Ainda é muito interessante, mas já não dou mais tanta bola para coisas mais amadorísticas, que lembram filmes inventados em cabeças de criança. Algumas cenas mostram que Castellari tem um humor peculiar, mas nada que justifique seu endeusamento. É bacana, e só. E é o mesmo que posso dizer de Fernando Di Leo, ou ao menos dos filmes dele que vi - ainda que La Mala Ordina seja quase um filmaço. Com os orientais a coisa fica mais interessante. Não achei grande coisa o Battle Royale, de Kinji Fukasaku, o filme preferido de Tarantino nos anos 2000. Mas vou rever, pois lembro de momentos bem marcantes. Já Chang Cheh e os chineses em geral, geralmente os que foram produzidos pelos Shaw Brothers, me encantam quase sem exceção. Enfim, como as influências tarantinescas não param por aí, algumas mudanças de opinião devem acontecer nos próximos dias, o que é sempre estimulante. ----------------------------------------------------------------------------------- Para inscrições, mande email para sealpendre@gmail.com
Escrito por sérgio alpendre às 12h51
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Gosto... não gosto
A Perdição de Osen (1934)
Novamente um post em homenagem a Luis Buñuel, aproveitando o relançamento do imperdível Meu Último Suspiro, autobiografia deste genial cineasta. É também uma maneira de não deixar o blog desatualizado. - Adoro reconciliações esperançosas. - Gosto de sentir vibrações positivas após um período traumático. - Gosto de listas de fim de ano ou fim de década. Gosto de listas. Não entendo a birra que muitos têm contra elas, essas indefesas. - Não gosto de pessoas que falam alto no celular, dentro de ônibus ou metrô ou alguma outra localidade pública. Pessoas que colocam o som do celular - invariavelmente com qualidade de radinho de pilha - em volume considerável não merecem nem bom dia. - Odeio calor. No dia em que a criogenia ficar popular e tornar possível o congelamento humano por períodos definidos certamente serei um dos clientes. - Adoro ouvir música enquanto trabalho. Ou enquanto escrevo um post por aqui. Neste momento escuto Vindicator, de Arthur Lee, que na minha memória era melhor. - Acho insuportável levar pontapés na poltrona de quem está atrás no cinema. Será que não notam que isso incomoda e desconcentra? Da mesma série, odeio quando o projecionista interrompe a projeção antes do fim dos créditos. E o cheiro de manteiga em pipocas então, é abominável. - Gosto de deixar televisão ligada, às vezes até enquanto ouço um disco e leio coisas na internet, tudo ao mesmo tempo. O que não quer dizer que vejo filmes dessa maneira, pelamordedeus. Nesse ponto sou parecido com meu falecido avô. Quando criança costumava entrar em seu escritório para ler os jornais que assinava, alguns portugueses. Assim ficava atualizado do campeonato de lá. Torcia sempre pelo Boavista, sem saber que era do Porto. - Não gosto de câmera tremida, mas isso não é novidade para o leitor deste blog.
Escrito por sérgio alpendre às 01h59
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Melhores dos anos 2000 pelos Cahiers

A Cahiers de janeiro soltou uma lista com os melhores da década. Anda muito comentada no Twitter. Deu David Lynch na cabeça. Com Mulholland Drive, filme que, na minha opinião, perde de pouco para Inland Empire. Mas a lista tem O Segredo do Grão e Guerra dos Mundos. O que dizer? Abaixo, a lista final, com os adendos e minhas cotações. Você vê os comentários aqui: http://awardsdailyforums.com/showthread.php?t=19839 Gostaria de ver a lista de cada redator. Deve ser mais interessante. 01 A Cidade dos Sonhos (Mulholland Drive), de David Lynch * * * * 02 Elefante (Elephant), de Gus Van Sant * * * * 1/2 03 Mal dos Trópicos (Tropical Malady), de Apichatpong Weerasethakul * * * * * 04 Hospedeiro (The Host), de Bong Joon-ho * * * * 05 Marcas da Violência (A History of Violence), de David Cronenberg * * * * * 06 O Segredo do Grão (The Secret of the Grain), de Abdellatif Kechiche * * 07 Tie Xi Qu: West of the Tracks, de Wang Bing * * * * 1/2 08 Guerra dos Mundos (War of the Worlds), de Steven Spielberg * * 1/2 09 O Novo Mundo (The New World), de Terrence Mallick * * * * 10 Dez (Ten), de Abbas Kiarostami * * * * * ------------------------------------------------------------------------------------- Listas de convidados. Sairam na mesma edição, mas não contaram para o Top 10:
Jia Zhang-ke: 01 Colossal Youth 02 Elephant 03 Millenium Mambo 04 Nobody Knows 05 Yi Yi, A One and a Two 06 Secret Sunshine 07 Uzak, Bilge Ceylan 08 I Don't Want to Sleep Alone 09 Summer Palace 10 Syndromes and a Century Kiyoshi Kurosawa: 01 War of the Worlds 02 A History of Violence 03 Mystic River 04 Notre Musique, JL Godard 05 L'enfant 06 Eureka 07 Death Proof 08 Platform 09 The Host 10 The Bridesmaid, Claude Chabrol Nanni Moretti: The 25th Hour Before the Devil Knows You're Dead Good Night and Good Luck The Incredibles Million Dollar Baby The Pianist Bong Joon-ho: Zodiac A History of Violence No Country for Old Men Still Life Jellyfish Woman on the Beach Punch-Drunk Love The Class Hunger A Brand New Life, Ounie Lecomte Pascale Ferran (Lady Chatterley): The Host Yi Yi : A One and a Two Blissfully Yours Kaïro (Pulse), Kurosawa Dancing, Trividic + Bernard + Brillat Games of Love and Chance , Kechiche Esther Khan Saraband Shinji Aoyama Only one film per director: Jean Bricards' Itinerary, Huillet & Straub Our Music, Godard War of the Worlds, Spielberg Death Proof, Tarantino Woman on the Beach, Sang-soo Merde, Léos Carax Gran Torino, Eastwood The Darjeeling Limited, Anderson Four Nights with Anna, Skolimovski Romance of Astree and Celadon, Rohmer Asia Argento: Irréversible Werckmeister Harmonies The White Ribbon (SO that really proves it was her favorite film of Cannes 09 of which she was a jury member) Fuck Me Visito Q, Takashi Miike Tarnation Zodiac There Will Be Blood Elephant Apocalypto, Mel Gibson (LMAO) Miguel Gomes (This Dear Month of August): Eurêka The Life Aquatic with Steve Zissou The Royal Tenenbaums In Vanda's Room, Pedro Costa La Livertad, Lisandro Alonso Gerry The New World Mein Stern, Valeska Grisebach Toutes les nuits, Eugène Green Tropical Malady Bertrand Bonello: Mulholland Drive Origins of the 21st Century, Jean-Luc Godard Ten The Brown Bunny Steak, Quentin Dupieux The Wire, David Simon Donnie Darko Tropical Malady Apocalypse Now Redux The Sun, Sokurov Philippe Grandrieux: Mulholland Drive Alexei and the Spring, Seiichi Motohashi Saraband The Sun Material, Thomas Heise Quentin Tarantino: 01 Battle Royale Then the rest in alphabetical order: Anything Else Audition Before Sunset Cabin Fever Lost in Translation Shaun of the Dead Team America There Will Be Blood Unbreakable Pedro Costa: ALL the films directed by the late Danièle Huillet and Jean-Marie Straub M/Other, Nobuhiro Suwa Platform / In Public, Jia Zhang-ke Come and Go (Coming and Going), João César Monteiro Most of Godard's films Numéro Zéro, Jean Eustache (1971 but released in 2003) Nicolas Klotz: Our Music Werckmeister Harmonies Regular Lovers In Vanda's Room Sicilia!, Huillet & Straub Los Muertos Film ist. A Girl and a Gun, Gustave Deutsch Primitive, Weerasethakul Numéro Zéro, Eustache Tie Xi Qu: West of the Tracks, Wang Bing João Pedro Rodrigues: Blissfully Yours Colossal Youth Unbreakable The Mad Songs of Fernanda Hussein, John Gianvito Nachmittag, Angela Shanelec Mein Stern, Valeska Grisebach The Living World, Eugène Green That Old Dream That Moves (aka Real Cool Time), Alain Guiraudie Porn Theater, Jacques Nolot
Escrito por sérgio alpendre às 16h47
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Hachiko - Sua vida de cachorro

Acabo de assistir a Sempre ao Seu Lado (Hachiko: A Dog's Story, 2009), do babeiro-mor Lasse Hallström. E não é que o filme é decente? Refilmagem de Hachiko Monogatari (1987), de Seijiro Koyama (roteiro do ótimo Kaneto Shindo), Sempre ao Seu Lado tem quase sempre o mesmo tom. Não há conflitos (a não ser que pensemos na mulher que não quer ter um cão em casa como conflito), não há reviravoltas (a não ser que pensemos na morte do professor como uma reviravolta - ok, até pode ser), tudo segue como um rio tranquilo (tinha prometido não ser "emo", foi mal), como uma fábula nipônica (a história real aconteceu no Japão durante os anos 1920-30), como quase duas horas vendo um programa do canal Animal Planet. Não vi o filme de Koyama, mas o final me pareceu uma bobagem, quase poluindo as águas do rio. Agora, quem não gostaria de ter um cachorro desses? E nem digo pela fidelidade, é pela beleza mesmo. Quando filhote então, é irresistível. Dá para entender por que o personagem de Richard Gere se encantou por ele.
Escrito por sérgio alpendre às 20h39
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Pequeno panorama dos estúdios cinematográficos japoneses

Não há nada de novo na mostra que o Centro Cultural São Paulo inicia nesta terça-feira. Mas a qualidade dos filmes faz com que seja uma mostra essencial, daquelas que devem ser realizadas uma vez por ano, no mínimo. Para começar tem o filme da foto acima. Talvez não dê tempo de ver, pois passa hoje (terça-feira) às 20h45, mas Desejo Profano (Akai Satsui, 1964) é a obra-prima de Shohei Imamura, um dos maiores cineastas de sua geração. É também um dos filmes mais elaborados plasticamente que eu já vi, com enquadramentos primorosos e uma mistura entre sonho e realidade mais radical que a de Oito e Meio. Vale o esforço. Mas caso não dê, reprisa no sábado, dia 16, também às 20h45. Outro filme de Imamura é imperdível. Trata-se de O Profundo Desejo dos Deuses, seu primeiro filme colorido. É um deleite para os olhos e para a imaginação. Depois dele, Imamura ficou 11 anos sem dirigir um filme de ficção. Outra obra-prima é O Portal do Inferno, de Teinosuke Kinugasa. Dá para ter uma boa idéia do que é o filme aqui: http://chiphazard.blogspot.com/2008/04/o-portal-do-inferno-jigokumon-1953-de.html No mais, tem Ferrão da Morte, o melhor filme de Kohei Oguri; Rede Elétrica de Musashino, do qual guardo uma boa lembrança de quando foi exibido na Mostra SP, com o nome Musashino - Torres de Alta Tensão; um indefectível Kobayashi (Harakiri), um Kurosawa iniciante (A Luta Solitária); o belo Sequestro, de Takao Okawara; mais filmes recentes (anos 90) de Okamoto e Shinoda, entre outros. É uma programação que convida o cinéfilo a montar acampamento no CCSP. Mais aqui: http://www.centrocultural.sp.gov.br/programacao_cinema.asp
Escrito por sérgio alpendre às 12h40
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Presságio

Ainda me atualizando de alguns filmes para a lista de melhores de 2009. Minha lista terá só filmes de circuito, pois creio ser uma experiência mais gratificante quando existe um limite para o universo a ser explorado. Esse limite pode muito bem ser a incompetência de nossas distribuidoras. Semana passada tive triplo desgosto: a decepção com Distrito 9 e Funny People (que não estreou, sendo inelegível), e a confirmação de que Tony Scott continua medíocre em O Sequestro do Metrô.
Voltando agora à razão do post. Quase tudo que se disse de bom sobre 2012, a bomba estratosférica de Roland Emmerich, poderia ser dito sobre Presságio. A breguice é a mesma, mas neste filme de Alex Proyas ela ao menos serve para que se justifique um final menos baixo astral do que a trama pedia. Porque aqui não temos "apenas" um dilúvio, mas a queimação da terra por uma explosão solar. Não me incomodei com a presença dos E.T.s. Sinceramente, desde aquele diálogo entre pai e filho sobre possibilidade de vida em outros planetas, talvez até antes disso, estava claro que a coisa toda teria a ver com alienígenas, se não como uma ameaça, como intermediários de uma possível salvação. Nicolas Cage correndo ou com cara de maluco atordoado, mais a facilidade com que ele descobre o enigma, e como tem ideias, mas permanece calado, deixando quem está com ele no mais terrível suspense, são outros clichês que não me incomodaram. Lembra Contato, de Robert Zemeckis: tem muita coisa besta, mas o todo é bem legal de ver, e me encanta como a um garotinho num planetário. Um típico filme B - no tom - com efeitos de primeira (ou quase). Ao menos esses efeitos, vistos agora em tela pequena, me impressionaram bastante. A maneira encontrada para incluir o mundo inteiro na catástrofe também me pareceu bem mais bacana do que em 2012, ainda que tivesse ficado óbvio que o ameaçado era o planeta, não os EUA. ----------------------------------------------------------------------- Atualização que tem muito a ver com este post. Deu no blog do Inácio, comentário assustador de uma leitora: "Sabemos que o Rio Tietê nasce na Cidade de Salesópolis. Minutos de Mogi das Cruzes. Em Mogi das Cruzes existe a Serra do Itapety. Fiquem sabendo que está em curso um projeto urbano de assentamento de 250 mil pessoas no entorno da montanha. A discussão do assunto tem sido local, quando deveria ser do interesse do Planeta. Divulguem."
Escrito por sérgio alpendre às 18h23
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Onde Vivem os Monstros

O filme de Spike Jonze tem uma trilha fofinha e insuportável de Karen O., monstrinhos fofinhos e uma história fabulesca. Só por me fazer usar esse adjetivo esdrúxulo - fofinho - já merecia uma temporada nas trevas. Mas o fato é que Onde Vivem os Monstros é simpático, talvez até demais. Os melhores momentos são aqueles que se passam logo após a chegada do menino à terra dos monstros, quando parece que os muppets gigantes vão comandar a narrativa, deixando o menino em segundo plano, ou como escada para que os monstros apareçam. Quando percebi que esses monstros formam uma quadrilha de "emos", não consegui conter um certo desespero, aprofundado pela trilha indie melosa e por uma fotografia que parece embalsamar esse novo lar encontrado pelo menino rebelde (na verdade, uma criança normal que resolve fugir de casa, nada demais). Enfim, nada que nos tire dos eixos, mas também não é um desastre, como o leitor poderá conferir a partir do dia 15.
Escrito por sérgio alpendre às 02h39
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A crítica

"crítico é um cineasta frustrado" "trabalhamos o ano inteiro (às vezes mais), pra fazer um filme, aí vem um boçal e destroi nosso trabalho num texto escrito em meia hora" "aquele que não sabe criar, critica" "é proibido o uso da primeira pessoa" "sempre demonstre sua inteligência; as pessoas te levam mais a sério quando pensam que você é intelectual" Essas são algumas das balelas que ouvi desde que nasci para o mundo da cinefilia, há pouco mais de vinte anos. Em alguns casos, foram ditas por pessoas que realmente queriam ajudar. Mas como diziam besteiras essas pessoas. Obviamente este post é derivado do que o Francis escreveu em o olho do furacão, que por sua vez é derivado do que o Bruno escreveu no mítico o signo do dragão, principalmente no quinto comentário (em resposta ao meu comentário, que ele aproveitou para burilar melhor o resmungo inicial. Mas é um post mais confessional, extremamente pessoal, com minhas impressões sobre o assunto e algumas inquietações rabiscadas rapidamente (pois não é fácil definí-las). Espero que não seja uma leitura aborrecida ou angustiante. Tenho conversado com muita gente - ex-alunos de oficina de crítica ou de aulas de cinema, ou demais interessados - sobre essa tarefa quase sempre incompreendida de dar conta de um manancial de imagens que se sucedem em um espaço de duas horas sem que possamos nos desligar completamente do mundo que nos atropela (essa é a questão, porque por mais autista que seja o espectador, algo no filme vai provocar uma viagem, mesmo que inconsciente, para fora dele). Todos procuram um modelo. Preferem ler alguma coisa já escrita antes de elaborar suas próprias ideias, ou de burilar alguns pensamentos. O que pode ser um procedimento útil, mas na maioria das vezes dá em asneira. Primeiro porque crítica independe de informação. Se vamos pesquisar para ver se nossas ideias procedem, estamos automaticamente abrindo mão de uma coisa mais instintiva, uma maneira Paulo Francis de ser, que faz falta. Várias vezes li ele dizendo que raramente consultava alguma coisa para fazer suas crônicas. Tudo bem, vão dizer, são crônicas. Mas a crítica se ressente um pouco quando o jornalismo a atropela. Sei que num jornal, ou em alguma revista, a função jornalística tem que estar presente, pois foi assim que acostumaram os leitores melindrosos. Mas num site como a contracampo, a cinética ou filmes polvo, ou qualquer outro que se aventure na crítica, a informação quase sempre surge para empacar um vôo livre, não um vôo em direção ao próprio umbigo - o que também é nocivo - mas um vôo em direção a uma compreensão mais larga do filme, que às vezes até parece sair do filme - o que é só uma aparência, se o vôo for bem feito. Logo que entrei na contracampo (há quase dez anos), fiquei embasbacado com o que percebia ser uma resistência muito grande a algumas coisas que eu gostava de ler em críticas, sobretudo ao uso da primeira pessoa, mas não só, também a sensação de conhecer um pouco mais da pessoa que escreve ao ler suas palavras. Para mim, isso era fundamental. Mas com a insegurança, novato em crítica, apesar dos mais de dez anos de cinefilia, e vinte e poucos de amor incondicional por filmes (qualquer diaz explico essa diferença), me adaptei ao que era mais ou menos a regra, sem perceber que essa regra devia, já naquele tempo, ser questionada - se não fosse por mim, um cara que sempre resistiu a ter essa relação intelectual com o cinema - que fosse por outros redatores. Não só essa regra implícita deixou de ser questionada, como, junto de outras não menos limitadoras (formalismo na escrita, influências teóricas proferidas em vão, medo de sair do filme por um segundo que seja...), influenciou uma geração de blogueiros e críticos de internet, que fazem mais do mesmo por aí, com eventuais lampejos de vôo livre. Eu me incluo nesse processo, obviamente. Tenho feito mais do mesmo também, e em alguns casos de maneira bem pobre. Peço desculpas por isso. Como fazer um vôo livre, então, mantendo o contato com o leitor interessado pelo filme? Como responder a sensações mais íntimas ou mundanas que a provocada pela leitura de uma outra crítica ou de declarações dos artistas, sem se tornar um "emo" sensível e poético, vingador solitário e virtual de todas as desgraças do mundo? Não sei, ou tenho uma vaga ideia. Mas podem ter certeza que vou buscar esse vôo sempre que possível (às vezes, os filmes, de tão limitados, não deixam), mesmo que caia e me machuque um punhado de vezes. Se vai ser bom, é outra história. -----------------------------------------------------------------------------------------------------
P.S. Desisto. O zip.net muda as fontes segundo alguma ordem que não consigo entender. Peço desculpas também por isso.
ALTERAÇÃO: com a confusão das fontes, acabei esquecendo de linkar os dois textos. E agora o zip.net não deixa linkar... Estão do lado esquerdo, na seção de links.
Escrito por sérgio alpendre às 14h38
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