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Gosto... não gosto.

- Gosto da frontalidade das cenas de Eugène Green. Nunca me canso de recomendar Le Pont des Arts (2004), sua obra máxima, indesculpavelmente inédita no Brasil. Só a interpretação sofrida de Natacha Régnier (na foto acima) já basta para colocá-lo entre os cinco melhores do século XXI.

- Não gosto da tolerância do público atual de cinema com exibições digitais, ou pior, com exibições em Beta ou DVD. O máximo não é ver na tela grande, é ver em película. Se no futuro o digital conseguir chegar à qualidade da película com preço menor ou igual, eu dou o braço a torcer. Por enquanto, a situação é triste, porque ninguém reclama. O recente SP Terror foi recebido por muitos, eu incluso, como uma dádiva. Mas as exibições foram todas em DVD, com tela escura, lamentadas por amigos muito mais tolerantes com essas coisas que eu. Pior, quem viu pagou 13 reais a inteira. Precisava cobrar? Se precisava, não podia ser bem mais barato?

- Gosto da efervescência cinematográfica que vem aí. Dia 7 começa o Festival Latino, que sempre nos brinda com algumas pérolas, ainda que neste ano os clássicos estejam em menor número. Mas é difícil não ter coisa boa entre os novos. Não esqueço a experiência de ver Arcana, belissimo filme chileno, no Cinesesc. Dia 8 começa no CCBB uma mostra com o gênio Ernst Lubitsch. Desnecessário dizer que é para ver tudo, e rever o que puder. Essas duas mostras vão compensar o circuito, condenado à pobreza eterna, pelo que me parece.

- Gosto de superlativos, como qualquer leitor atento deve ter notado. Como sei que incomodam, tento sempre economizar na dose. Mas é difícil. É meu jeito de amar.



Escrito por sérgio alpendre às 22h14
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Panorama do cinema japonês

O Intendente Sansho, de Kenji Mizoguchi

PANORAMA DO CINEMA JAPONÊS

 

Dividido em três módulos, o curso pretende dar um panorama desse cinema riquíssimo, muito falado, mas pouco visto e discutido que é o cinema japonês, com base na análise das obras de alguns de seus principais diretores. Todas as aulas terão um filme base, que será exibido na íntegra, e uma análise da carreira do diretor enfocado, com trechos de alguns de seus filmes mais importantes.

 

O módulo I abordará os mestres, desde o mais ligado a uma tradição contemplativa da cultura e da narrativa japonesa (Ozu) até o mais ocidentalizado (Kurosawa), passando pelos mestres no retrato das mulheres nipônicas (Mizoguchi e Naruse).

 

O módulo II analisará o cinema moderno japonês (que foi chamado de nouvelle vague japonesa), um cinema iconoclasta, de estéticas radicais e de algum escândalo, como por exemplo, Nagisa Oshima, o cineasta dessa geração mais famoso no ocidente em razão de seu Império dos Sentidos.

 

O módulo III buscará compreender os cineastas contemporâneos, as diferenças estéticas entre eles; a opção pelo cinema fantástico em Kiyoshi Kurosawa e a violência estetizada de autores como Takeshi Kitano.

 

MÓDULO 1 – OS MESTRES

 

 

 

(dia 8/07)

        

1) Kenji Mizoguchi: a força de um olhar.

         -filme base: O Intendente Sansho

 

(dia 15/07)

 

2) Akira Kurosawa e o flerte com o ocidente.

         -filme base: Trono Manchado de Sangue

 

(dia 22/07)

 

3) Mikio Naruse e a mulher japonesa.

         -filme base: Mamãe

 

(29/07)

 

4) Yasujiro Ozu e a poesia do cotidiano

          -filme base: Pai e Filha

 

 

MÓDULO 2 - A NOUVELLE VAGUE JAPONESA

 

(dia 5/08)

 

1) Nagisa Oshima e a ousadia conceitual

         filme base: Juventude Desenfreada

 

(dia 12/08)

 

2) Shohei Imamura e a marca da crueldade

         filme base: A Balada de Narayama

 

(dia 19/08)

 

3) Seijun Suzuki e a ousadia formal

         filme base: Tokyo Violenta

 

(dia 26/08)

 

4) Hiroshi Teshigahara: a parceria com o escritor Kobo Abe + comentários sobre filmes de Masahiro Shinoda e Yoshishige Yoshida

         filme base: A Mulher das Dunas

 

MÓDULO 3 - O CINEMA JAPONÊS CONTEMPORÂNEO

 

(dia 2/09)

 

1) Takeshi Kitano: a versatilidade

         filme base: Hana-bi

 

(dia 9/09)

 

2) Kiyoshi Kurosawa: o verdadeiro novo mestre do Terror

         filme base: Pulse

 

(dia 16/09)

 

3) Hayao Miyazaki, o mestre da animação

         filme base: A Viagem de Chihiro

 

(dia 23/09)

 

4) Takashi Miike: entre a sugestão e a ultra violência

         filme base: Audition

 

O curso tem um total de doze aulas, de três horas e meia cada.

 

Toda quarta-feira a partir de julho, às 19:30.

 

 

Professores:

 

Sérgio Alpendre foi criador e editor da Paisà, redator da Contracampo, do Cineclick e do Guia da Folha (discos, livros, filmes).

 

Francis Vogner dos Reis é redator da Cinética.

 

Luiz Carlos Oliveira Jr é editor da Contracampo

 

QUANTO: 150,00 mensais (três meses de curso), com desconto especial para quem já tiver feito o mesmo curso no ano passado.

 

ONDE: Rua Aureliano Coutinho, 278 - conj. 32

            Higienópolis - São Paulo

           Fone: 3825-8141 / 7414-3534

           email: sergio.alpendre@uol.com.br



Escrito por sérgio alpendre às 13h14
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Michael Jackson e o "moonwalk"

Não queria fazer mais um post sobre Michael Jackson. Existem vários por aí. O cara merece, mas acho exagerado o vampirismo de sempre quando morre um astro, mesmo de menor grandeza que nosso problemático Rei do Pop. Corre-se atrás de todas as informações sobre a vida e a morte dele. Diversos escritos inundam os veículos, dizendo mais ou menos as mesmas coisas. Mas o que me espanta nessa cobertura é que, salvo engano, não foi mencionado o verdadeiro propagador do "moonwalk". No caderno especial da Folha SP o próprio Jacko fala que copiou a dança das crianças negras do gueto. No mesmo especial, dizem que a primeira vez que o rei a dançou foi em 1983. Tudo bem que o filme é desconhecido, apesar de passar vez ou outra no Telecine Cult, mas ninguém lembrou que Bob Fosse já havia dançado o "moonwalk" - que ainda não tinha esse nome - em uma sequência brilhante de um filme razoável chamado O Pequeno Príncipe (1974), dirigido por Stanley Donen. O personagem, uma cobra, se torna um dançarino vestido de negro. Fosse debulha no papel, e entre outros movimentos brilhantes, realiza o "moonwalk". Seria, por isso, o primeiro artista a se apropriar da dança das crianças negras do gueto.

Quanto a Michael, criança bonita que se transforma em homem bonito que vai enfeiando durante a década de 80, para virar um monstro na década seguinte e morrer num estado lastimável; nada apaga sua enorme contribuição à música pop. Tem dois ou três discaços com o Jackson 5, o melhor sendo Dancing Machine (1974), mais dois excelentes álbuns solos, Off the Wall (1979) e Thriller (1982), além de um disco sempre subestimado, Bad (1987). Continuou oferecendo pérolas em discos bem irregulares como Dangerous (1991, com a excelente "Remember the Time") e History (1995, com a inacreditável "Earth Song"). E encerrou a carreira com o medonho Invincible (2001).

Top 5 Michael Jackson (em ordem cronológica):

- I Am Love (1974), dos Jackson 5.

- Don't Stop Til' You Get Enough (1979) 

- Rock With You (1979)

- Billy Jean (1982)

- Earth Song (1995)



Escrito por sérgio alpendre às 03h41
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O melhor e o pior do CineOP

Um festival de cinema, geralmente, facilita a identificação de seus aspectos negativos, enquanto os positivos ficam diluídos durante o evento, sob um conjunto proporcionado pela escolha de filmes, debates e salas de cinema. Sem contar, claro, o encontro com amigos queridos e distantes geograficamente. O 4º CineOP - Mostra de Cinema de Ouro Preto, mais uma vez, propicia algo diferente. Foi muito fácil pensar no melhor do festival, tanto ou mais do que no pior. Claro que nada na história dos festivais brasileiros será melhor do que a presença dos dois curtas de Jean Renoir com o acompanhamento de três músicos franceses, no que se chamou de Rendez-vous du Sam'di Soir. Não só porque os curtas - A Pequena Venderora de Fósforos (1928) e Sur an Air de Charleston (fotos acima)(1927) - são geniais, sem esquecer da banalização do adjetivo nos últimos anos, mas porque o trio também conseguiu criar um arranjamento perfeito que, segundo o que apurou Marcelo Miranda em conversa com um deles, foi baseado nas partituras originais.

Vamos, então, ao melhor e ao pior do 4º CineOP.

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MELHOR:

1) Rendez-vous du Sam'di Soir, com os curtas de Renoir e Entr'Acte, de René Clair.

2) Os debates com Carlão Reichenbach e Inácio Araujo (Estratégias da boca) e com Zezé Motta e Zilda Mayo (Mulheres dos anos 70 - O poder do corpo e sobre o corpo)

3) Os curtas pernambucanos (Super-barroco, Muro e o melhor, Nº27). Longe do endeusamento que alguns críticos fizeram, mas animadores, sem dúvida.

4) A curadoria, que conseguiu driblar o conceito das décadas com uma contextualização entre a Embrafilme e a Boca do lixo nos anos 70; a produção, que conseguiu juntar seus três eventos num corpo coeso e estimulante de reflexão; a vontade e paixão que todos os que trabalharam no evento demonstraram.

5) O catálogo de 200 páginas. Com bons textos, entrevistas e um trabalho de pesquisa admirável. Fonte de consulta importantíssima sobre o cinema brasileiro.

6) A confirmação de que Dona Flor e Seus Dois Maridos é cinema de uma sofisticação incrível, o que leva à tristeza de pensar o porquê de não fazermos mais comédias comerciais desse jeito.

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PIOR:

1) A falta de educação do público, que estava ali pela festa e atrapalhava a concentração com luzes de celular, gritinhos fora de hora e conversas que pareciam munidas de megafones.

2) A internet complicadíssima de Ouro Preto, que dificultou os trabalhos da imprensa.

3) As projeções em video, quase sempre com distorções de imagem.

4) Os atrasos. O debate com Barretão, Neville D'Almeida, Roberto Farias e Geraldo Veloso atrasou quase uma hora, por culpa dos dois primeiros.

5) O preço do catálogo: 40 reais.

6) O pessoal do Cine Vila Rica, que deixou que crianças entrassem em filmes com cenas impróprias e permitiu que pessoas que não tem nada na cabeça deitassem na rampa de acesso ao cinema atrapalhando, e às vezes impedindo, a passagem. Durante a projeção de Dona Flor, tentei ir à cabine de projeção para avisar que a janela estava errada - um festival de testas cortadas - mas só iria conseguir se passasse por cima dos folgados. Desisti.

 



Escrito por sérgio alpendre às 19h28
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Ainda em Ouro Preto

Dois dias sem cotações por aqui. Dias de debates, decepções e maravilhas.

CURTAS:

A Pequena Vendedora de Fósforos (1928), de Jean Renoir * * * * *

Renoir já era gênio nos anos 20.

Entr'Acte (1924), de René Clair * * * * 1/2

Bobeira não gostar de Clair.

Sur un Air de Charleston (1927) * * * * *

Inacreditável e mágico.

Minami em Close Up - A Boca em Revista, de Thiago Mendonça * * * 1/2

Podia ser bem maior.

Teresa, de Paula Szutan e Renata Terra * * 1/2

Sabrina Greve.

Noite de Domingo, de Rodrigo Hinrichsen * *

Que?

A Distração de Ivan, de Cavi Borges e Gustavo Melo * *

Não gosto da câmera.

Danças, de Fernando Watanabe * * * 1/2

Momentos muito inspirados.

Superbarroco, de Renata Pinheiro * * * 1/2

Primeiro ET da noite.

Muro, de Tião * * * 1/2

Outro ET, de uma galáxia mais distante.

- Vi também alguns curtas restaurados de João Batista de Andrade, mas como estava com a cabeça no debate com Carlão e Inácio e nada nos filmes conseguiu atrair minha atenção, ficam sem cotações.

MÉDIA E LONGA:

O Galante Rei da Boca, de Luis Rocha Melo e Alessandro Gamo * * *

Irregular e afetuoso.

Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno Barreto * * * 1/2

Se o sucesso de hoje tivesse esse artesanato...



Escrito por sérgio alpendre às 11h51
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Sábado em Ouro Preto

Em Ouro Preto, cobrindo o 4º CineOP para o cineclick e para a contracampo. Textos vocês podem ver no primeiro, por enquanto, e mais tarde, ou depois do evento, no segundo. Por aqui, pequenos comentários e cotações, a exemplo do que fiz em festivais anteriores.

O primeiro dia mergulhado na programação foi assim, debates fora:

LONGAS E MÉDIAS:

Alphaville, de Luíza Campos * * *

Isso sim é fobia.

Um Homem de Moral (2009), de Ricardo Dias * * *

A entrega de Virgínia Rosa faz chorar.

CURTAS:

O Vampiro de Pequim, de Cássio Pereira dos Santos * * *

Made in China

JLG/PG, de Paulo Gregori * * * * 1/2

Lição de etiqueta genial.

Doriangreen, de Carlosmagno e Andrés Schaffer * * * *

Desconcertante e doloroso.



Escrito por sérgio alpendre às 02h08
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A Partida

Existem diferentes níveis de tolerância com a pieguice, de forma que nunca podemos saber exatamente quão próximos estamos do limite dessa tolerância. Algo que nos parece piegas pode ser absorvido como beleza poética por outra pessoa, e não quero dizer com isso que essa outra pessoa seria menos treinada no olhar do que qualquer crítico de cinema. Simplesmente é a tolerância que pode diminuir ou aumentar de acordo com a habilidade do diretor na dosagem dos elementos em cena e também de nossa sensibilidade no dia em que vemos um filme - o que fizemos antes, o que esperamos fazer depois, quais as expectativas antes de ver o filme, como lidaremos com a sucessão de imagens, com a frustração inevitável de algumas sensações imediatas que não são repetidas, etc.

Os italianos sempre foram mestres em atingir o limiar da pieguice. Sobretudo Luigi Comencini, que realizou L'Incompresso, um dos filmes mais belos e tocantes que existem, sempre se aproximando do transbordamento de emoção, da chantagem cinematográfica.

Os japoneses também, como já mostraram Eizo Sugawa, Akira Kurosawa, Kenji Mizoguchi, Mikio Naruse, Kohei Oguri, Shinji Aoyama, Kei Kumai e tantos outros.

Com A Partida, tradução empobrecedora de Departures, Yojiro Takita só ultrapassa o limite para o piegas no desnecessário clipe do violoncelista tocando em meio à natureza, enquanto cenas de seu cotidiano se repetem. Essa sequência é ruim, francamente. Em diversos outros momentos chegamos muito perto do exagero sentimental, mas não somos capturados por ele, e é justamente nesses momentos que o filme cresce, arrancando inevitáveis lágrimas pela simples compreensão do que está em jogo: o respeito e o amor ao que está partindo. O ritual perfeito para embalar aquele que se vai diante de seus familiares. Não é um tema fácil de ser levado às telas, e Takita, filmando como um Yoji Yamada em seus melhores dias, saiu-se muito bem nesse precioso desafio.



Escrito por sérgio alpendre às 03h30
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Post esquizofrênico

 

(foto) A Decadência de Osen, de Kenji Mizoguchi

- Muitas coisas vão rolar em sampa nos próximos dias. Dia 23 começa, no Centro da Cultura Judaica, a 2ª Mostra do Audiovisual Israelense, cuja atração máxima é Mais Tarde Você Vai Entender, de Amos Gitai, filme que já passou no Festival do Rio e na Mostra SP de 2008. Dia 17 a Reserva Cultural inicia para o público o Panorama do Cinema Francês, com alguns filmes que a Imovision distribuirá nos próximos meses. Os destaques são óbvios: Horas de Verão, belíssimo longa de Olivier Assayas, e Inimigo Público Nº1 - Instinto de Morte, de Jean-François Richet, diretor do razoável remake para Assalto ao 13ª DP. Fica a milhas do original de John Carpenter, mas Richet mostrou-se um diretor com certo talento. Finalmente, a melhor atração de todas: o SP Terror - Festival Internacional de Cinema Fantástico. Vai passar Deixe Ela Entrar, o filmaço de Tomas Alfredson. Desta vez quem perder é mulher do padre.

- André Forastieri anuncia um empreendimento bacana e ousado chamado MOVIE. Revista de cinema que parece ser bem plural, e terá edições impressas e eletrônicas. Quem quiser saber mais pode acessar http://movie.tv.br.

- Vendo o primeiro filme de Johnnie To, Enigmatic Case, fica claro o talento do diretor para o uso da câmera lenta. A cena de luta com espadas no clímax é um primor, assim como a cena dos guarda-chuvas em Sparrow. Momentos de antologia como esses existem aos montes em The Big Heat, co-dirigido por Andrew Kam. Mas aí já entramos no domínio da aceleração constante, outra característica que To exibe com méritos.

- Quem ficar até o término dos créditos para o final surpresa de Apenas o Fim vai presenciar um belo resumo do que é o filme: bobo, cheio de afetação nerd e com poucas falas engraçadas. Não entendo o fuzuê que estão fazendo em torno desse filme de Matheus Souza. Ou melhor, entendo, sim: o circuito está tão fraco que qualquer coisa mais ou menos é bem-vinda.

- E que belo disco fez Cat Stevens, aliás, Yusuf. Roadsinger - To Warm You Through the Night dificilmente sai da minha lista de preferidos de 2009.



Escrito por sérgio alpendre às 21h38
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George Cukor, um dos grandes

Depois da decepção com o transbordamento poético do cinema de Julio Medem, nada melhor do que sanar as feridas com a revisão de um filme de George Cukor. Qualquer Cukor serviria. É um dos vários cineastas cujo talento é muito maior do que falam nos escritos sobre cinema.

Lembro de um texto de Sérgio Augusto em que ele dizia que Núpcias de Escândalo (The Philadelphia Story, 1940) era o filme preferido de Woody Allen (não sei se ainda é, mas em 1990/91 foi o que se escreveu). O escriba deu a sentença que me assustou, não porque desaprove gostos diferentes do meu, mas porque foi um disparate enorme mesmo. Disse preferir Alta Sociedade, o remake musical lusco-fusco de Charles Walters, ao clássico de Cukor. Esse tipo de coisa mostra no mínimo uma grande desatenção.

Núpcias de Escândalo é daqueles filmes para se ver sem respirar. Qualquer falha na concentração, por menor que seja, e estamos arriscados a perder uma grande sutileza dos diálogos, ou dos enquadramentos elaborados de Cukor. Não é necessário falar do elenco, um dos melhores de todos os tempos, mas vale mencionar os principais nomes: Cary Grant, Katharine Hepburn e James Stewart. Elenco de sonho.



Escrito por sérgio alpendre às 23h07
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Os Amantes do Círculo Polar

Nunca fui tão entusiasta assim do Julio Medem, mas tinha alguma admiração especial por Os Amantes do Círculo Polar (1998) e Lucia e o Sexo (2001), além de achar que Vacas (1992), O Esquilo Vermelho (1993) e Terra (1996) eram bons filmes.

 

Dez anos depois revejo Os Amantes do Círculo Polar e a coisa se revela de um nível poético que se assemelha ao pior de Kieslowski, Lasse Hallström e outros europeus.

 

É bem sintomático de uma época (os anos 90) em que efeitos com o tempo e a narrativa provocavam tanto frisson que eram explorados à exaustão, como se tudo mais num filme devesse estar subordinado a uma idéia discutível de poesia cinematográfica, às imagens que enobrecem a mente e o coração, ao sentimento humano por um viés artificial.

 

Ora, sentimento humano é outra coisa, algo que não se vê sem uma dedicação extrema ao personagem e ao ator que está representando; ao espaço captado pela câmera e à distância entre a lente e os corpos que se movem.

 

Assim, é bem mais salutar buscar poesia num filme que se passa tal qual as histórias se desenrolam em nossas vidas do que em truques de roteiro e estilo como os estudantes de cinema adoram praticar.

 

Claro que existem várias exceções: Godard, Buñuel, Bergman, Fellini, Tarkovski, Béla Tarr, Tarantino e outros fazem um cinema que nem sempre mantém laços com as histórias que vivemos, mas conseguem, por diferentes formas, atingir uma concepção muito mais compreensível da vida, do mundo, do que o cinema desses diretores que apostam todas as fichas num embaralhamento calculado da narrativa.

 

Julio Medem, nesse sentido, tenta alcançar o mesmo que esses mestres acima conseguiram, mas falha porque parece ignorar uma referência palpável que deveria ser obrigatória, mesmo que por negação.

 

Fez um filme que cansa com meia hora de duração, por acumular diversos truques que não resistem a revisão. Vale comparar com Fale Com Ela, de Almodovar, que tem estrutura parecida, mas é muito mais feliz.



Escrito por sérgio alpendre às 02h33
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Momento de diversão

Dois videos que ilustram muito bem o ridículo de uma época. O primeiro é do Candlemass, banda de Doom Metal criada antes do termo existir, calcada em Black Sabbath e Trouble. O segundo é do Platina, banda de hard rock brasileira calcada no som do Whitesnake.

O primeiro é grande, e a parte mais engraçada acontece depois de 5 minutos e meio. Se não quiser ver inteiro, você pode deixar carregando enquanto assiste ao de baixo, que já é hilário desde o início.



Escrito por sérgio alpendre às 19h46
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O Exterminador do Futuro - A Salvação

Star Trek pode até ser legalzinho, mas o blockbuster que vale em 2009, por enquanto, é O Exterminador do Futuro - A Salvação (Terminator Salvation - The Future Begins).

McG foi bem esperto, lançando várias idéias ao mesmo tempo, e deixando que a própria narrativa se encarregue de amarrá-las.

Os clichês estão lá, mais uma vez, mas diluídos em camadas que sobrevivem por baixo de um verdadeiro balaio de analogias. Desde a que aparecia com força no terceiro e melhor epísódio da série, a do domínio nazista, até o conhecimento perfeito das armas do inimigo - John Connor domina como ninguém os aparelhos tecnológicos que tem à disposição, e por isso consegue vencer a batalha.

Entre as várias idéias, a principal é a do semi-homem, um coração que derrota toda a armadura de aço que o encobre. No final, o que importa no filme é o fator humano.

 



Escrito por sérgio alpendre às 02h38
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Parem as rotativas...

A Lume vai lançar em DVD um dos grandes filmes de Joseph Losey: Time Without Pity (1957). Procurem pelo nome brasileiro: A Sombra de uma Forca.

http://www.2001video.com.br/detalhes_produto_extra_dvd.asp?produto=19218



Escrito por sérgio alpendre às 03h02
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Muita informação, pouca formação

Tenho lido muito sobre a necessidade de informação nos dias de hoje. Até em comunidades do orkut, em listas de discussão e no Twitter o que mais se procura é a informação, a sede por notícias frescas, a mania de querer estar sempre atualizado do que ocorre no mundo. Taí o Festival de Cannes para exacerbar essa vontade. No mês de maio, só se falava nele, nos filmes que eram mais aplaudidos, nos que foram mal recebidos, em quem declarou isso, quem informou aquilo, etc.

Aí acabo lembrando sempre da frase de Lírio Ferreira no programa Sala de Cinema, do Sesc TV (deve entrar no ar em agosto): "muita informação, pouca formação". Ele reclamava dos que chiaram por Cartola, o belo filme que fez com Hilton Lacerda, não ter muita informação, por ser um filme poema. Disse, com razão, que quem quisesse informação que fosse procurar na internet e não enchesse o saco, pois o filme era outra coisa. Perfeito. No mundo, não há mais espaço para a formação, e daí, amplio, ou melhor, especifico: para a reflexão, o pensamento. Tudo tem de ser comprovado, checado, evidenciado por um cruzamento de fontes. Tudo deve ser fato. O jornalismo de hoje virou reciclagem de press release. E corrida pelo furo mais sensacional.

Chega, então, a notícia da volta da SET. Dois amigos que leram a notícia aqui vieram comentar: "po, vamos ver se agora a revista tem mais informação", mais ou menos com essas palavras, os dois queriam a mesma coisa que já podem encontrar em diversos outros lugares. Querem ler de novo as mesmas notícias, recauchutadas.

Não sei quanto tem de comprovado nisso, mas me parece que a tendência é pior no Brasil - cultura periférica, ainda? As revistas inglesas de cinema adquiriram faz tempo o costume de colocar um breve parágrafo com a sinopse de cada filme, para desobrigar o redator de ter que gastar linhas com isso e permitir que vá direto à reflexão. A informação só aparece quando necessária ao pensamento, e cada escriba tem um espaço razoável para demonstrar o seu.

Aqui, ao menos nos grandes veículos, continua o medo de camuflar a história. Gasta-se linhas inúteis com sinopses, informações de bastidores, curiosidades das filmagens. E o leitor, cada vez mais, fica sujeito a uma lobotomia induzida, a passar de uma informação para outra (e reproduzí-la no Twitter, claro). São os malditos tempos modernos, e temos todos que aprender a lidar com isso.

Nada contra, se não passássemos por uma escassez desanimadora de pensamento, de idéias. Essas também vêm recicladas. Qualquer adolescente pode chegar e traduzir coisas que leu no site mais obscuro, posando, assim, de blogueiro descolado. O adolescente que queira outra coisa tem mais é que camelar para encontrar algo diferente. Não há mais o combate, a oposição. Tudo parece interessante, digno de ser propagandeado. Discussão? O mais rápido possível.

A overdose informativa me lembra dos multiplexes, com diversas salas passando os mesmos poucos filmes. O que muda é o tamanho da tela, e o número de poltronas também. Estaríamos presenciando a vitória da mediocridade. Mas nada disso é novo. Sempre se reclamou dessa decadência do pensamento.

Talvez eu esteja desviando meu foco, tergiversando sem muito norte. Minha briga aqui é contra a sede de informações. Nem sei se vale a pena entrar nessa briga. Parece perdida. Mas que é necessário gritar um pouco me parece claro. E que seja sempre lembrado que crítica de verdade não tem nada a ver com jornalismo. Pelo menos com o jornalismo acomodado que se faz hoje em dia.



Escrito por sérgio alpendre às 00h23
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Johnnie To

All About Ah Long (1989), um filmaço de Johnnie To. Imperdível.

Quem diz que ele só se tornou grande depois de Heroic Trio erra. Quem acha que é só depois de The Mission erra mais ainda.

All About Ah Long, de todos os seus filmes, foi o que mais me emocionou. Comparações? Cuore (1985), de Luigi Comencini, ou O Rio dos Vagalumes (1987), de Eizo Sugawa. Dois filhos legítimos dos anos 80. Não é pouco.

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No post anterior, The Eighth Happiness (1988), do mesmo diretor. Uma tiração de sarro que não me agradou muito.



Escrito por sérgio alpendre às 02h26
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A que filme pertence esta imagem?

Quem adivinhar o nome do filme ganha um Chokito.

Quem adivinhar pelo menos o nome do diretor ganha uma bala Juquinha.



Escrito por sérgio alpendre às 04h29
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A revista SET não acabou

Ricardo Schott avisa que a SET volta nesta primeira semana de junho, sob nova gestão, com a bela capa que está aí em cima.

 

Comecei a ler a revista desde a número 1, nem era cinéfilo, apenas um amante de filmes bacanas que não sabia identificar que Os Intocáveis e Dublê de Corpo eram do mesmo diretor. Meu negócio era rock. A Bizz era a revista de cabeceira. A cinefilia veio dois anos depois, e devo dizer que a SET, e aqueles guias especiais me ajudaram nesse caminho de mão única.

 

Acho muito difícil que a revista volte a ser o que foi até 1991, 1992. Os tempos são outros, e qualquer deslize a aventura se encerra.

 

O pessoal que está no comando editorial agora (Carlos Helí de Almeida, Marco Antonio Barbosa, Nelson Gobbi e Robert Halfoun) terá de rebolar um bocado para escolher capas que vendam. As distribuidoras se empenham mês após mês a despejar babas recicladas em nossos cinemas de plástico.

 

Se a Paisà existisse, seria um verdadeiro suplício escolher uma capa. A SET deve ter tido o mesmo problema para o mês de junho, pois escolher O Exterminador do Futuro - A Salvação, que estreia no mesmo dia que a revista chega às bancas, é uma temeridade. Na segunda quinzena as vendas já podem cair absurdamente. Mas o que colocariam no lugar? A Festa da Menina Morta? Sim, se quisessem entrar no mercado na surdina.

 

Sinceramente, apesar de passar longe da revista nos últimos anos, fiquei chateado quando soube do possível fim. Por isso vou torcer para que a SET continue firme e forte com a mudança editorial. Torcerei também para que volte a ser uma boa leitura. Embora acredite que unir essas duas coisas é uma missão quase impossível.



Escrito por sérgio alpendre às 12h09
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Rourke nas telas e um pouco de esquizofrenia

- Killshot, de John Madden, é mais um filme em que a habilidade de artesão do diretor (demonstrada em alguns trechos de Shakespeare Apaixonado e Mrs. Brown) não segura as pontas. Enquanto Rourke está em cena, o filme é um, com Madden batendo ponto de maneira bem correta, certeira até. Sem Rourke, mesmo cenas que contam com Diane Lane e Thomas Jane - dois bons atores - ficam meio sem sentido, como se não houvesse um ponto de vista ali. Estou escrevendo sobre ele para a Contracampo.

- Decepção o Rastros de Ódio que saiu pela coleção da Folha. Lançaram em fullscreen, quando já existe no mercado aquela bela edição dupla com o Vistavision em seu esplendor. Para um filme como esse, de um diretor como John Ford, era necessário um capricho muito maior. Bola fora de uma coleção que estava indo bem.

- Quem perdeu Inocência, que recomendei no último post, perdeu um dos raros filmes em que o formato original é respeitado na TV paga. Passou em scope. Neste sábado passa Cleopatra, de Júlio Bressane. Se o scope não for mantido, é caso para protestos. Espero que o Canal Brasil tenha a decência de respeitar o que Bressane pensou e Walter Carvalho executou brilhantemente - é um dos momentos altos de sua filmografia como fotógrafo, nada a ver com suas desastradas incursões pela direção.

- Corinthians continua nessa levada "vamos fazer o que podemos sem muito esforço". Contra o Vasco foi uma vergonha não ter metido três gols, no mínimo. E o time, mesmo assim, está todo estourado. Vai entender... Uma derrota na Copa Brasil não seria tão injusta assim. E o Palmeiras tá deixando o Luxemburgo cada vez mais limitado. E tem gente que ainda o considera um dos grandes técnicos do Brasil.

- Comprei dois livros do João Bénard da Costa em um sebo de São Paulo. Preços irresistíveis. Dez dias depois, ele se foi. Qualquer dia posto algo dele por aqui, como já linkei a excelente crítica de Cassino, de Martin Scorsese. Foi um dos grandes.

- Novo do Wilco é o melhor deles desde Yankee Hotel Foxtrot (2002). Provavelmente desde Summerteeth (1999). Ou ando meio desestabilizado.

- Falando em disco, nada supera... melhor dizendo, nada se iguala ao fenomenal Leonard Cohen em Live in London. Tem em DVD também. Desnecessário dizer que os dois formatos são imperdíveis. Lançamento musical do ano.



Escrito por sérgio alpendre às 01h40
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Inocência

Post relâmpago com dica de filme na TV paga. No dia 1 de outubro de 2005, amigos estranharam que fui até Ipanema, longe do centro nervoso do Festival do Rio, para ver um filme obscuro chamado Innocence, dirigido por Lucile Hadzihalilovic. A credencial da diretora assustava quem havia detestado Irreversível: esposa de Gaspar Noé.

Sou dos que detestam o segundo longa de Noé (apesar de gostar do primeiro, Só Contra Todos). Mas algo na foto que tinha no catálogo (ou no site) me atraiu, assim como a sinopse. Ninguém teve coragem de me acompanhar. Uma pena.

O filme é bom, solidamente bom, tem um tratamento visual bem caprichado e uma ambiguidade muito bem explorada. Pelo menos foi o que achei na época.

Passa daqui a pouco no Telecine Cult, às 2h20 da manhã desta quarta-feira. Vale a pena conferir, porque essas impressões de festivais podem ser equivocadas (para o bem e para o mal).

Depois, quem quiser saber mais pode ler uma entrevista com a diretora aqui:

http://www.scene360.com/EDITINGroom_Hadzihalilovic.php



Escrito por sérgio alpendre às 23h06
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Próximas estreias nos cinemas

* fonte: Filme B

 

29/05

 

Garapa, de José Padilha

Cheira a presepada.

 

Heróis, de Paul McGuigan

Do cara que fez o bacana Paixão à Flor da Pele.

 

O Mistério das Duas Irmãs, de Charles e Thomas Guard

O trailer não anima muito.

 

05/06

 

O Exterminador do Futuro - A Salvação, de McG

T3 é o melhor.

 

A Mulher Invisível, de Cláudio Torres

Luana Piovani como mulher fatal. Tem como esquecer que é uma chata?

 

A Partida, de Yojiro Takita

Vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro. Parece uma patacoada sem tamanho, mas é bom conferir.

 

11/06

 

A Festa da Menina Morta, de Matheus Nachtergaele

Daniel Oliveira é para incomodar mesmo. E os berros servem para acordar o público.

 

O Guerreiro Genghis Khan, de Sergei Bodrov

Lembram de O Prisioneiro das Montanhas?

 

Stella, de Sylvie Verheyde

 

12/06

 

Apenas o Fim, de Matheus Souza

 

Minhas Adoráveis Ex-namoradas, de Mark Waters

Comédia romântica de um diretor que geralmente manda muito bem.

 

19/06

 

The Lucky Ones, de Neil Burger

O diretor de O Ilusionista dirige Tim Robbins e Rachel McAdams.

 

Nothing But the Truth, de Rod Lurie

Kate Beckinsale e Alan Alda.

 

 

26/06

 

Jean Charles, de Henrique Goldman

 

17/07

 

Amantes, de James Gray

Da foto que ilustra o post. Nem preciso recomendar, certo?

 

Parlez-moi de la Pluie, de Agnès Jaoui

Novo cinema de qualidade francês. Perigo.

 

No Meu Lugar, de Eduardo Valente

Olha ele aí!!!

 

24/07

 

Halloween - O Início, de Rob Zombie

Finalmente.

 

31/07

 

À Deriva, de Heitor Dhalia

Carimbado pela exibição em Cannes. Medo.

 

Tempos de Paz, de Daniel Filho

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Escrito por sérgio alpendre às 14h34
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