E a nave vai...

Seguindo com a vida, que o bonde não retorna.
- O maior problema de Xingu é o longo período que ele pretende cobrir. São mais de vinte anos que se passam na tela, mas não houve uma construção boa o suficiente para dar conta de todos esse tempo passado. O roteiro é estruturado como se o filme se passasse em alguns meses apenas, e isto faz com que alguns acontecimentos, principalmente na segunda metade, atropelem o fluxo da natureza que se impunha até então. Xingu se divide em dois, sob esse aspecto: o filme-rio, que corre tranquilo em meio ao verde todo, e o filme-correnteza que leva tudo que vê pela frente, destruindo a paisagem. O filme-rio é bem superior.
- Digressão: não aguento mais os comentários de "fãs do esporte" nos programas da ESPN Brasil. Eles me afastam. Não entendo por que dão tanto espaço para quem não tem nada a dizer. Da mesma forma, ver esses programas que acontecem após as partidas se tornou uma experiência insuportável. Tomemos como exemplo o último domingo. O Bate Bola, programa que já foi muito legal, passou quase uma hora falando do Fluminense campeão, com insuportáveis entrevistas com jogadores que só dizem o óbvio, depois fica 20 minutos falando do Santos campeão (menos da metade do espaço dado ao Fluminense, o que mesmo assim dá direito a reclamarem que só dão espaço para o Santos). Ou seja, o programa ideal seria o que não entrevistasse jogadores, nem abrisse espaço para a participação de espectadores.
- Sete Dias com Marilyn é um tanto estranho. Nenhuma atriz atual conseguiria representar esse fenômeno que foi Marilyn Monroe. Michelle Williams tenta bravamente, mas não consegue. Todos dizem: "ela brilha em cena, é um fenômeno", mas o que vemos não é o brilho fenomenal como o que vemos nos filmes com a atriz, mas o brilho comum de uma estrela atual. Há então esse grave descompasso entre o que falam os personagens e o que vemos na tela.
- Beto Brant continua fazendo filmes tortuosos. Filmados com um talento inegável, mas cheios de buracos e situações que mereciam maior cuidado. É um bom cineasta incompleto, com ou sem Renato Ciasca. Eu Receberia as Piores Notícias de Seus Lindos Lábios (foto) tem vários momentos raros no cinema brasileiro, de impacto e paixão, com a técnica vindo depois da vontade de filmar (como deve ser). As elipses muitas vezes parecem cortes impostos, o que prejudica um pouco. Mas é um filme que cresce conosco, vai se revelando conforme pensamos nele. Beto Brant é o Guilherme de Almeida Prado de nossa geração, e seu novo filme me lembra muito, pela entrega geral que diminui alguns problemas, Onde Andará Dulce Veiga?.
- Falando em Beto Brant, uma divulgação para o leitor que mora no Rio de Janeiro. O Invasor, não o melhor de seus filmes, mas o mais famoso, terá exibição no próximo sábado, na Escola Darcy Ribeiro. Segue o serviço:
A Escola de Cinema Darcy Ribeiro (21 2233-0224) exibe neste sábado, dia 19, às 18h, o filme “O Invasor” (2001), de Beto Brant, como parte da programação de seu Cineclube. Após a exibição, haverá um debate com o professor de roteiro Sérgio Almeida. As sessões do Cineclube têm entrada franca e são realizadas todos os sábados, às 18h.
Escrito por sérgio alpendre às 13h46
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Alice's Restaurant





Plano final de Alice's Restaurant (Deixem-nos Viver, 1969), o melhor filme de Arthur Penn. Mostra a personagem de Pat Queen dando a "última olhada para os anos 60", como escreveu Jean-Baptiste Thoret em seu monumental livro sobre cinema americano dos anos 70. Mais até do que Bonnie and Clyde, do mesmo Penn e tido como o marco inicial da Nova Holywood (que segundo Thoret, vai de 1967 a 1980), Alice's Restaurant é uma importante fonte para o estilo que Scorsese (esse grande bucaneiro do cinema) iria desenvolver em filmes como Sexy e Marginal, Caminhos Perigosos e Alice Não Mora Mais Aqui. É o filme mais decupado de Arthur Penn. Nesse plano final, que de certa forma contrasta com o ritmo ágil do filme (embalado pela narração rap de Arlo Guthrie), a combinação do travelling lateral com o zoom é absurdamente genial. Outro momento de antologia é quando Pete Seeger e Arlo Guthrie cantam para um agonizante Woody Guthrie, num quarto de hospital (abaixo).

Escrito por sérgio alpendre às 23h37
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A discreta face da ociosidade

Escrevo também para organizar ideias, para entendê-las, ou mesmo para saber que elas existem e o quanto elas valem. Muitas vezes descubro que não valem nada, mas geralmente quando leio o que escrevi com certo distanciamento, depois de alguns dias. É quando bate a frustração. Outras vezes descubro que tinha, de fato, boas ideias, no lugar do emaranhado de coisas sem sentido que, a meu ver, originalmente estava brotando da tela do computador.
A memória que se esvaiu depois dos trinta me ajuda a saborear cada leitura como se fosse a primeira vez. Mesmo um livro lido pela terceira vez em menos de um ano se revela em grande parte inédito ao meu tutano, mesmo que boa parte de seu conteúdo estivesse me guiando nos últimos pensamentos, estudos e escritos. É uma vantagem para a desgraça do enfraquecimento da memória, que só continua boa para coisas inúteis.
Algumas leituras eu ainda guardo bem comigo, porque datam de um tempo em que minha memória era prodigiosa - sim, houve esse tempo, quando eu, com vinte e poucos anos, achava que já sabia de tudo, que estava em pé de igualdade com um professor de filosofia (sim, foi um debate caloroso num boteco de Pinheiros, e ele revelou que algumas palavras minhas deram um nó na cabeça dele, e eu saí de lá com a tola ilusão de que era o máximo, quando era - ainda sou - um perfeito idiota). Achamos que podemos dominar o mundo, ao menos intelectualmente, com vinte e poucos anos.
E agora, o que me resta? Aprender, sempre, cada vez mais. Com os alunos, com professores, com escritos diversos, com críticos (muitas vezes bem mais jovens), descobrindo e admitindo meus próprios erros, e errando adoidado por aí. Vencendo preconceitos também. Tenho muitos - quem não tem?
Escrito por sérgio alpendre às 01h52
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Drive my car

Finalmente vi Drive. Tanta firula para quê mesmo? Para ser mais artístico e menos tributário do que Tarantino? Para não cair na vagabundagem de um filme que envolve gangsters se revestindo de um verniz chique? Para entrar na moda, que dita ou uma câmera que treme como um bêbado com abstinência ou um trabalho com texturas, fusões, câmera fluindo, música de fossa e tempos sobrepostos?
Sejamos francos: Drive é uma tremenda bobagem. Walter Hill fez umas bobagens parecidas nos anos 80 e 90, mas tinha mais talento. A alinearidade estraga o potencial dramático dos três ou quatro clímaxes (o último, por sinal, é ridículo). Ryan Gosling tem uma semi-mudez mais caricata que a mudez total de Warren Oates em Galo de Briga. Este último só fala antes do trauma e depois de sua superação, o protagonista de Drive é quieto porque é mais cool ser assim. Arranca elogios da crítica e periga ganhar alguns prêmios em festivais cobiçados. Se Gosling é um dos melhores atores de sua geração, fica pequenino diante de Oates. Nicolas Winding Refn quer ser artista, enquanto a história desse homem meio sem eira nem beira, um pária envolvido com uma violência sem fim, pede algo mais terreno, vagabundo. Um artista de fato saberia respeitar isso.
Escrito por sérgio alpendre às 01h28
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Clássicos restaurados no Olido

Começou ontem, sexta-feira. Estou atrasado, eu sei. Mas vale avisar ainda, até porque só passou um filme, que reprisa na próxima semana. Ou seja, podem se programar que a mostra é muito valiosa.
O Cine Olido é meio descuidado e tal. O preço do ingresso faz com que muitos entrem lá para dormir, as poltronas são desconfortáveis e a projeção deixa a desejar. Dito isso, para quem frequenta o CCBB, vai parecer um palácio. Cabeças não vão te impedir de ver o filme, terá lugar para todos e quem sofre de claustrofobia não vai sentir incômodo.
A lista de clássicos restaurados impõe respeito. São dois do mestre Howard Hawks, Scarface (1932) e Os Homens Preferem as Loiras (1953). O primeiro faz parte de um ciclo muito prolífico de filmes de gangster. Entre 1930 e 1933 vários filmes fizeram sucesso explorando o crescimento do comércio ilegal possibilitado principalmente pela Lei Seca, mas que teve suas origens também na recessão do final da década de 1910. Scarface já começa com um plano sequência mizoguchiano e genial que Hawks creditou à genialidade de Lee Garmes, diretor de fotografia e operador de câmera (que também havia trabalhado em outro dos melhores filmes do ciclo, Ruas da Cidade, dirigido por Rouben Mamoulian em 1931). Esse plano de abertura inicia uma série de cenas antológicas, em um filme inatacável. Nem o letreiro inicial, nem as cenas inseridas a pedido dos censores conseguiram abalar essa obra-prima violenta e sombria. Scarface passou hoje, sexta, antes deste post. Mas passará de novo na próxima sexta, às 19h30. Os Homens Preferem as Loiras eu não vejo há um bom tempo, mas estarei lá para conferir, neste sábado ou na terça-feira. Tudo que lembro é que apesar do vulcão Marilyn Monroe estar no filme, a morena Jane Russell não fica eclipsada.
A mostra ainda exibirá Cantando na Chuva, de Stanley Donen e Gene Kelly, um dos melhores musicais de todos os tempos. Kelly, Debbie Reynolds e Donald O'Connor deixam-nos com um sorriso no rosto e algumas melodias na cabeça, além de ter uma das cenas mais engraçadas quando resolvem que o filme que está sendo feito em 1927 seria sonoro: "I can't make love to a bush". Como complemento ao filme, será exibido o curta mais famoso de Georges Méliès, Viagem à Lua.
Uma Aventura na África é um belo filme de John Huston. Talvez não esteja entre os dez melhores que ele fez, mas vale ser revisto, ainda mais em película. Lembro que o filme tinha uma barriga, mas pode ter sido impressão minha na época. Não revejo há uns vinte anos.
Também na mostra um dos bons longas do inglês Ken Loach: Kes, de 1971. Como não sou um grande admirador do cinema desse diretor quase sempre engajado, devo dizer que é o filme mais fraco da mostra. Mesmo assim merece ser visto (caso seja possível ver todos).
Se todos esses filmes puderam ser vistos no Brasil nos últimos dez ou quinze anos, em cineclubes, de cópias vindas de outras cinematecas ou em 16mm cedidos por algum colecionador, com O Portal do Paraiso, de Michael Cimino, a história é outra. O filme foi restaurado em 2004 e, que eu saiba, essa versão de três horas e quarenta minutos nunca foi vista em película no Brasil. Vale redescobrir o filme com a duração pretendida originalmente por Cimino, e com o grão insubstituível de uma boa película.
Escrito por sérgio alpendre às 03h29
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Celebrando uma obra-prima
 
 
 
 
 

O Portal do Inferno (Jigokumon, 1953), de Teinosuke Kinugasa
Escrito por sérgio alpendre às 01h01
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Fim de semana triste

Paulo Cezar Saraceni (1933-2012) ---------------------------------------------- - Cancelada a edição 2012 do Festival de Paulínia. A choradeira é grande. Ninguém atentou para as altas e aberrantes cifras do evento? Ninguém acha um escândalo que milhões sejam gastos com um festival de cinema exclusivo para filmes brasileiros? Falam em 10 milhões, mas mesmo que seja metade disso, é desperdício. Que esse prefeito cancelou por estar mal intencionado eu não tenho a menor dúvida. Por que cancelar justamente no ano eleitoral? Mas daí a achar que o Festival de Paulínia era uma benção para o cinema brasileiro são outros quinhentos. - E ontem morreu o grande Paulo Cezar Saraceni. Isso sim é motivo para tristeza. Só nos últimos vinte anos ele nos deu dois grandes filmes: O Viajante e O Gerente. Sua importância é infinitamente maior para o cinema do que o Festival de Paulínia (a maior propagação de seus filmes também, mas é coisa que não motiva tanta gente). A morte é irreversível, então dá até para entender a desproporção nos lamentos. - ATUALIZAÇÃO: Morreu também o ator e diretor Adriano Stuart (de Kung-Fu Contra as Bonecas, Bacalhau e alguns dos melhores filmes com Os Trapalhões). Que fim de semana terrível.
- Cinema com lugar marcado: a nova praga paulistana (ou seria brasileira?). Pior é que tem gente que escolhe o lugar pela proximidade com outros já escolhidos. Acham, em sua triste ignorância, que o lugar é melhor porque alguém está sentado por perto. Isso numa sala relativamente vazia (aconteceu sexta-feira, no Reserva Cultural).
- Tirando parte do atraso com o circuito, vi Heleno, que é um progresso impressionante em relação às obras anteriores do José Henrique Fonseca, mas mesmo assim não chega a ser satisfatório. Manual de afetação que às vezes até engana, mas que não ultrapassa a frouxidão do estilo. Vi também Raul - O Início, O Fim e o Meio, de Walter Carvalho, mais um documentário musical a explorar a fórmula história + entrevistas, sendo incompetente nas duas frentes.
Escrito por sérgio alpendre às 17h55
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A Queda do Império Romano

Foi meu maior choque com o diabo do formato de tela. Maior ainda do que quando a TV começava a exibir os filmes em scope durante os créditos e sumia com as tarjas logo que os créditos acabavam.
Ainda não existia DVD, mas alguns canais da TVA passavam os filmes na proporção original, isso em meados dos anos 90. Lembro de me preparar para a revisão de A Queda do Império Romano no Canal Mundo. Sabia que estava passando com as tarjas que respeitam o scope, e tinha colocado para gravar uma das reprises para ver de madrugada, sempre o meu horário preferido para ver filmes.
Pois bem. Coloco a fita e começo a assistir ao maravilhoso épico de Anthony Mann. Por um erro de cálculo, mesmo sabendo que o filme é imenso, a fita acaba pouco antes de completar 3 horas de projeção. O que fazer? Única saída: rever o filme de uma gravação antiga da TV aberta, dublada e em fullscreen. Achei o ponto em que a fita havia acabado e recomecei. Raios. O que era um plano geral, com uma pequena reunião em cima de um palco, e com um monte de pessoas se espalhando para a esquerda do quadro, na horizontal, acompanhando a extensão da passarela que leva ao palco, se transformou quase num plano médio do pessoal que conversa, e as pessoas que se amontoavam para a esquerda desapareceram por completo do quadro.
Dia desses fui procurar a cena no DVD do filme, felizmente num DVD em formato correto (a versão dupla da Classicline, pois a versão simples da mesma distribuidora está com formato 1.77:1). Não achei. Provavelmente a memória me traiu a respeito do que estava em cena (podia ser outra coisa no lugar de uma passarela, ou do palco, como podia ser mais para o meio do filme). Mas lembro até hoje do choque pela mudança de enquadramento. A dublagem não me atrapalhou, o que incomodou mesmo foi o corte de quase toda a metade esquerda. Sei que um grande filme como esse resiste a essas alterações criminosas, mas que a experiência é atenuada, disso não tenho a menor dúvida (como já é atenuada quando vista em casa, não numa tela grande de cinema).
Escrito por sérgio alpendre às 04h33
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EUA, 1976 - Parte 2

Dois filmes históricos de 1976. Os Ídolos Também Amam (Gable and Lombard), de Sidney J. Furie, e Dois Vigaristas em Nova York (Harry and Walter Go to New York), de Mark Rydell. Um deles se passa nos anos 30. O outro, na última década do século 19. Ambos mostram artistas. No primeiro, são estrelas de Hollywood. No segundo, medíocres artistas mambembes. Ambos foram dirigidos por cineastas que foram ousados na década anterior (especialmente o Furie), mas já tinham amaciado as mãos à essa altura. O elenco é um ponto forte dos dois filmes. No primeiro, Allen Garfield arrasa como Louis B. Mayer. É uma das melhores atuações que vi (e o filme nem foi produzido pela Metro, é da Universal). Jill Clayburgh manda muito bem como a ousada Carole Lombard, incluindo o quesito sensualidade. No segundo, o elenco todo dá um show.
Sidney J. Furie filmou umas maluquices nos anos 60. The Appaloosa, The Ipcress File, filmes com a câmera colocada nos lugares mais estranhos (na espora da bota de um cowboy, escondida por trás de uma cadeira num mesanino para captar algo que acontece na parte de baixo, e outras bizarrices). Nos anos 70, deu uma sossegada. Fez uma interessante cinebiografia de Billie Holiday em Lady Sings the Blues, com Diana Ross no papel da deusa. Em 1976, fez um dos filmes mais tristes que eu já vi: Gable and Lombard. O tom é mais de comédia romântica, com todos os clichês desse subgênero tão corriqueiro hoje em dia em Hollywood. Mas termina com a morte acidental de Carole Lombard, logo depois de, na história, ela conseguir se casar com Clark Gable. É uma história de amor e escândalo romantizada ao extremo, repleta de liberdades e falseamento de datas (e daí? Hollywood não era a fábrica dos sonhos?). O filme todo mostra a atriz como uma mulher com sede de vida, que enfrenta moral e bons costumes em prol de sua felicidade, para no final mostrar Gable, o bronco, lamentando a morte da única mulher que amou na vida (segundo o filme, claro). Triste demais.
Dois Vigaristas em Nova York é o melhor filme de Mark Rydell junto com Apenas uma Mulher (1967), o que não quer dizer muita coisa. O elenco faz a diferença aqui (no outro filme era a fotografia impressionista de William Fraker). Michael Caine faz o super vigarista, uma antecipação de seu papel em Os Safados, que é bem melhor. Eliott Gould está ótimo como o artista de quinto escalão que é levado pelo amigo, James Caan, ao mundo dos trambiques. No caminho eles conhecem a charmosa Diane Keaton. Algumas gags são engraçadas sobretudo pelo trabalho dos atores, que Rydell respeita muito bem.
Escrito por sérgio alpendre às 01h53
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EUA, 1976

Revi boa parte dos filmes americanos de 1976 para minha pesquisa. Outros tantos eu descobri. Foi um ano de respeito esse, do bicentenário da Independência dos EUA. Dá para ter uma ideia de como esse ano foi especial pela lista de filmes indicados ao Oscar: Taxi Driver, Rede de Intrigas, Esta Terra é Minha Terra, Todos os Homens do Presidente e o grande vencedor, Rocky - Um Lutador, de John G. Avildsen (ainda que até os anos 1970 é comum termos só bons filmes entre os indicados). O pior filme dessa lista é superior ao melhor dos filmes indicados de 2011.
Esta Terra é Minha Terra é um dos poucos filmes de Hal Ashby sobre o qual eu não me manifestava. Lembrava de ter visto na TV, mas não lembrava se vi inteiro, em boas condições ou sequer se tinha gostado. Vendo agora em DVD, posso dizer que seria um Oscar merecido, tanto para o filme quanto para o diretor ou seu ator principal, David Carradine - excelente no papel de Woody Guthrie, cantor e violonista folk de muito sucesso nos anos 1930 e 40.
Rede de Intrigas cresceu bastante na revisão. Era um dos que eu não gostava desse diretor incompreendido chamado Sidney Lumet. Todos os Homens do Presidente, como já postei aqui, é o melhor filme de Alan Pakula. E Taxi Driver dispensa comentários. É a obra-prima entre os indicados daquele ano. A lista dos não indicados comporta diversos filmaços do nível de Taxi Driver: Assalto à 13ª DP (John Carpenter), Josey Wales, o Fora da Lei (Clint Eastwood), Carrie e Trágica Obsessão (ambos de Brian De Palma), Foi Deus Quem Mandou (Larry Cohen), Killing of a Chinese Bookie (John Cassavetes). Tem também pequenos grandes filmes: Mother, Jugs and Speed (Peter Yates), Mikey and Nicki (Elaine May), O Último Pistoleiro (Don Siegel), No Mundo do Cinema (Peter Bogdanovich), A Nova Transa da Pantera Cor-de-rosa (Blake Edwards).
Nesse ano, Robert Altman, que àquela altura já errava o mesmo tanto que acertava, estava num ano "sim", com Buffalo Bills and the Indians; Paul Mazursky, cujos equívocos superam os acertos com certa folga, realizou um de seus melhores filmes, Próxima Parada: Bairro Boêmio; e Elia Kazan encerrou a carreira de forma digna com O Último Magnata.
A vitória de Rocky nos Oscars, aliada à sua enorme popularidade (foi a maior bilheteria no ano), plantou a semente para um tipo de cinema que, segundo o ótimo Robin Wood, dominaria nos anos 80: o cinema reaganiano, da volta dos "bons e velhos costumes" (racismo, sexismo, armamentismo) e o fim da era "anti-tudo". Tenho estudado mais o cinema americano dos anos 70, mas confesso que a vontade de estudar esse tal de cinema reaganiano (de Cobras, Bronsons e Bradocks) também é grande.
Escrito por sérgio alpendre às 01h04
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Shame

O insosso Shame é um pouco o que o Inácio falou, um filme de artista em demasia (seu diretor, Steve McQueen, é artista plástico e instalador), um pouco uma versão mais picante de Um Lugar Qualquer, aquele filme da Sofia Coppola em que o tédio é repassado ao espectador, e outro pouco (e aí é bem pouco mesmo) Dillinger Está Morto, de Marco Ferreri, na relação de seu protagonista com o entorno.
Filme sobre um homem que não consegue se relacionar com as mulheres. Ele só se dá bem com prostitutas, amadoras ou profissionais. A exceção é a primeira garota que ele conquista no bar, que vai persegui-lo na rua e que lhe dá uma carona. Muitos podem argumentar que ela também é prostituta. Certo. Mas aí a ligação com o amigo que canta as mulheres sem o menor pudor (e sem o menor jeito) briga com o tom geral do filme, que mostra Fassbender sempre como uma espécie de sociopata, mais do que um viciado em sexo, e nessa cena do bar o retrata como um contido e carismático galanteador. Na Interlúdio, meu colega de editoria Bruno Cursini escreveu a crítica:
http://www.revistainterludio.com.br/?p=2776
Escrito por sérgio alpendre às 15h18
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Todos os Homens do Presidente

Não gosto de Alan J. Pakula. Klute e Amor e Dor têm ao menos uma beleza plástica (muito por causa dos diretores de fotografia Gordon Willis e Geoffrey Unsworth, respectivamente). A Trama poderia ter sido um bom filme em mãos menos pesadas, com Pakula consegue ser razoável. E Te Vejo Amanhã tem o mérito de deixar o elenco brilhar, fazendo justiça ao talento de Jeff Bridges, mas o restante de sua obra é medíocre, especialmente o melodrama equivocado A Escolha de Sofia.
Contudo, tenho que admitir mais uma vez, como já o fizera quando vi pela primeira vez, que Todos os Homens do Presidente é um belo filme. Mais uma vez, Gordon Willis controla as sombras, e Pakula é sensível o suficiente para valorizar seu elenco, com destaque para o editor do Washington Post composto por um Jason Robards corajoso, enérgico e decidido, sempre nas medidas certas.
Podemos estranhar Dustin Hoffman e Robert Redford (creditados nessa ordem, respeitando a ordem com que seus personagens assinavam suas matérias) como repórteres novatos, mas depois de meia hora somos consumidos pela paixão que demonstram. A câmera se move com tanta rapidez pelas mesas da redação, que nos sentimos sobre patins, acompanhando-os sempre atrás de uma nova pista, uma nova fonte.
O filme é muito mais uma ode ao bom jornalismo do que um manifesto político. Tudo que vemos já estava registrado. Temos tão somente a representação da investigação. Mas Pakula soube imprimir o tom certo para que a longa duração transcorresse suavemente diante de nossos olhos. Quando percebemos, o filme já se encaminha para o fim. A imagem de Nixon tomando posse com os dois repórteres ao fundo, alucinados em suas máquinas de escrever, é o desfecho ideal para narrativa tão potente.
Escrito por sérgio alpendre às 01h37
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Top 10 Kenji Mizoguchi

Até hoje evitei fazer um top com meu diretor dos diretores, o soberano Mizoguchi, mas agora resolvi arriscar. Obviamente, esta lista tem validade de um dia, já que amanhã poderia ser totalmente diferente.
Mizoguchi é o diretor da aula inaugural do curso Panorama do Cinema Japonês, que chega a sua quarta edição no próximo abril. Está chegando a hora de retomar leituras e filmes, descobrir novos detalhes, mágicas que me eram escondidas até então. Para mais informações sobre o curso, visite o blog:
http://panoramadocinemajapones.blogspot.com
Recomendo dois livros sobre o grande diretor: a coletânea Mestre Mizoguchi, organizada por Lucia Nagib com textos de Jean Douchet, Jacques Rivette, Tadao Sato, Gérard Légrand e outros, que pode ser achado pela Estante Virtual; e o excepcional Kenji Mizoguchi, de Tadao Sato, livro em inglês que pode ser importado via Amazon.
Sem mais, vamos ao Top 10:
1) O Intendente Sansho (1954) 2) Contos da Lua Vaga (1953) 3) Senhorita Oyu (1951) 4) Conto dos Crisântemos Tardios (1939) 5) Oharu - A Vida de uma Cortesã (1952) 6) A Nova Saga do Clã Taira (1955) 7) A Perdição de Osen (1934) 8) Chama do Meu Amor (1949) 9) Os Amantes Crucificados (1954) 10) O Destino de Madame Yuki (1950)
obs: todos são obras-primas.
Escrito por sérgio alpendre às 00h23
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Larry Crowne

Larry Crowne é o segundo longa de Tom Hanks como diretor, e o segundo em que contracena com Julia Roberts (após Jogos do Poder, de Mike Nichols). Começa e termina com música do Electric Light Orchestra ("Hold on Tight" e "Calling America", respectivamente), o que revela o bom gosto musical de Hanks. Tem ainda a curiosidade de mostrar Wilmer Valderrama, o adorável Fez da série That 70s' Show, como um jovem com cara de rebelde que tem uma namorada irresistível (não para Larry Crowne, que prefere Julia Roberts). E dois personagens carismáticos: o vizinho interpretado por Cedric the Entertainer e o folclórico professor de economia. Mas como acompanhar personagens que se empolgam com uma matéria idiota como a que é ministrada por Julia Roberts?
Escrito por sérgio alpendre às 22h55
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Gentleman Jim

Realizado em 1942 por Raoul Walsh, O Ídolo do Público (Gentleman Jim) é todo acelerado. Parece uma screwball comedy, só que não é bem uma comédia, apesar de ter bastante humor. A chave está no único momento em que seu ritmo se acalma. O filme passa a respirar não mais o ar apressado do personagem de Errol Flynn (o tal Gentleman Jim), mas o ar então tranquilo do lutador que perdeu o título, interpretado por um maravilhoso Ward Bond (que no restante do filme tem o mesmo ar apressado de tudo e de todos). A humildade do bom perdedor perturba Jim, porque humildade é exatamente o pouco que lhe falta, a gota de autocrítica e comedimento necessária para que consiga tudo o que quer sem ter de machucar alguém. É um filme maravilhoso, à altura dos maiores do diretor (Os Heróis Esquecidos, Meu Último Refúgio).
Escrito por sérgio alpendre às 03h38
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Dossiê Francis Ford Coppola

Finalmente o novo Dossiê da Revista Interlúdio está no ar. É dedicado ao grande Francis Ford Coppola. Na foto, o diretor dá instruções a Robert Duvall, ator que já havia sido o guarda de Caminhos Mal Traçados, o consigliere da família Corleone nos dois primeiros O Poderoso Chefão (só não foi no terceiro porque exigiu da Paramount o mesmo cachê de Al Pacino, no que foi recusado), no set de Apocalypse Now. Seu papel, um coronel surfista, é daqueles cujas falas são repetidas com paixão pelos fãs: "I love the smell of Napalm in the morning". Boa leitura a todos: http://www.revistainterludio.com.br/?p=2557
Escrito por sérgio alpendre às 13h37
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Durazno Sangrando

- Alguém ainda leva a sério o Oscar? Antes até era divertido ver, por algum motivo que já nem lembro mais qual é. Hoje em dia (um hoje em dia que na verdade já dura uns dez anos), está uma chatice só. Tudo a ver premiar O Artista. Filme chato para cerimônia chata. O que me desanima é que boa parte das pessoas que aplaudem essa bobagem de Hazanavicius não aguentaria dez minutos de um King Vidor dos anos 20. No entanto, Vidor é gênio, Hazanavicius é um Guy Maddin palatável para consumo preguiçoso.
- Dos que concorreram a melhor filme, gosto de Hugo (crítica na Revista Interlúdio) e Meia Noite em Paris. Não estão entre o que os diretores fizeram de melhor, mas ao menos se sustentam. Devo ver Moneyball ainda esta semana.
- Já notaram a ausência de Theo Angelopoulos e Raul Ruiz no obituário do Oscar. Curioso que esse esquecimento ainda escandalize alguns. A Academia é caduca faz tempo.
- Revi Peggy Sue Got Married, que continua meio insosso, e Jardins de Pedra, que é melhorzinho, mas não muito mais animador. São dois projetos de encomenda, que Coppola tentou de alguma maneira tornar ao menos um pouco seu. Revi O Homem Que Fazia Chover também. Desse eu não gostava, mas agora passei a gostar. Mesmo assim, aquela subtrama amorosa é de lascar. - O livro sobre Coppola que tem na série Masters of Cinema, encontrado em inglês em qualquer grande livraria, é escrito por Stephane Delorme, e é muito bom. Geralmente gosto do Delorme como crítico. Ele andou escrevendo besteira e defendendo filmes execráveis nos últimos meses, mas quando acerta é magnífico, como no tal livro e no recente texto sobre J.Edgar para a edição de janeiro da Cahiers du Cinéma.
- O título do post é uma homenagem a Luis Alberto Spinetta, gênio do rock argentino (líder e principal compositor das bandas Almendra, Pescado Rabioso, Invisible e Spinetta Jade, e de muitos outros discos solo), falecido no começo do ano. Durazno Sangrando é o título do segundo LP da banda Invisible, e foi lançado em 1975.
Escrito por sérgio alpendre às 22h25
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Cada Um Vive Como Quer

Cada Um Vive Como Quer é o Deus Sabe Quanto Amei da Nova Hollywood. Os paralelos são incríveis.
Jack Nicholson é um ex-pianista, assim como Frank Sinatra é um ex-escritor.
Ambos estão desiludidos com a vida, e se envolvem com mulheres tolas ("que não sabem nada mas entendem tudo", João Bénard da Costa).
E se apaixonam por mulheres inatingíveis (apesar de terem experimentado o prazer com elas). Voltam para o lugar onde cresceram por imposição das circunstâncias.
O final de um é trágico, e o plano final é de uma maestria incrível. O final do outro é marcado pela desesperança, mas ao menos a mulher tola estará livre e não será sacrificada. Só que ela pode demorar para entender isso.
Até ontem, quando revi o excelente Cada Um Vive Como Quer, nunca havia imaginado um paralelo entre Bob Rafelson e o grande Vincente Minnelli. Mas tal paralelo, nestes dois filmes, é claro como os ambientes que abrigam boa parte das tramas. O filme de Rafelson estreia amanhã, em horários especiais, no Cine Olido.
Escrito por sérgio alpendre às 04h02
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A favor e contra, por Luis Buñuel

Uma das imagens do topo do blog: A Idade do Ouro. ------------------------------------------------------------------- Algumas passagens, com as quais me identifico bastante, da deliciosa autobiografia Meu Último Suspiro:
Detesto a proliferação de informação. A leitura de um jornal é a coisa mais angustiante do mundo. Se fosse ditador, limitaria a imprensa a um único diário e a uma única revista, ambos estritamente censurados. Tal censura só se aplicaria à informação, a opinião permaneceria livre. Detesto o pedantismo e o jargão. Aconteceu-me de rir até às lágrimas ao ler alguns artigos de Cahiers du Cinéma. Na Cidade do México, designado presidente honorário do Centro de Capacitación Cinematográfica, alta escola de cinema, um dia sou convidado para conhecer as instalações. Apresentam-me a quatro ou cinco professores. Entre estes, um rapaz corretamente vestido e ruborizando de timidez. Pergunto-lhe o que ensina. Ele me responde: "Semiologia da imagem clônica". Poderia matá-lo. Tenho horror à multidão. Chamo de multidão toda reunião de mais de seis pessoas.
Gosto da pontualidade. A bem da verdade isso é até uma mania. Não me lembro de ter chegado atrasado uma única vez em minha vida. Se estou adiantado, ando de um lado para o outro em frente à porta em que devo bater, esperando que chegue o momento exato. Gosto muito das manias. Cultivo algumas, às quais me refiro aqui e ali. As manias podem ajudar a viver. Deploro os homens que não as têm.
Gosto da solidão, contanto que um amigo venha ver-me de quando em quando. Não gosto dos donos da verdade, quaisquer que sejam eles. Assustam-me e me entediam. Sou antifanático (fanaticamente).
Gosto da regularidade e dos lugares que conheço.
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Pensei inicialmente em reproduzir trechos de todo o livro. Quando percebi, só do capítulo "a favor e contra", que vivo plagiando aqui no blog, já dava um post grande. Fiquemos então com trechos desse capítulo.
Desnecessário dizer que trata-se de um livro obrigatório para quem gosta de cinema. E não é difícil de ser encontrado. A Cosac & Naify lançou uma edição caprichada há pouco tempo, e nos sebos pode-se encontrar as antigas com preço razoável.
Lembro de Tony Ramos, numa antiga Revista da Folha, dizendo que Meu Último Suspiro era seu livro de cabeceira. Não sei se o ator ainda pensa assim, mas é mesmo um livro para ser relido com frequência. Um antídoto para o mau humor.
Escrito por sérgio alpendre às 15h08
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A esquizofrenia é a bola da vez

A Via Láctea, ou O Estranho Caminho de Santiago ---------------------------------------------------------------- - Passei pelo Itaim-Bibi nesta semana. Meu pai teve comércio na região por 16 anos, então costumava ir muito ao bairro nos anos 80 e 90. Não tenho como ignorar que o caos tomou conta de lá. E que aquele prédio da Faria Lima, visível para qualquer um que pegue a Joaquim Floriano no fluxo do trânsito, seja uma das coisas mais estapafúrdias que eu já vi nesta cidade cada vez mais estapafúrdia (e barulhenta, e fétida, e empesteada por gente sem a menor educação). Já temos o Kassab para destruir a cidade, não precisamos de um monstrengo horrendo como aquele.
- O oásis no bairro é o Sebo Itaim, dos amigos César, José e Júlia. Sempre encontro algo interessante por lá, entre uma conversa e outra. E os preços são de sebo, não de Estante Virtual.
- O infeliz que projetou essa Linha Amarela do Metrô de São Paulo é outro que deve estar mancomunado com o Kassab para destruir a cidade. Não é possível alguma escola ter formado um cidadão desses. Se for um grupo, pior ainda. Não tinha ninguém ali para apontar o óbvio, que a estrutura já nasceria precária para o mundo de gente que iria passar por ali? Quem pega a linha amarela todos os dias tem grande chance de se tornar psicopata a curto prazo.
- Existe futebol ainda no Brasil? Até agora, vi apenas lampejos, em uma partida ou outra. Quem gosta de futebol tem de acompanhar a Copa dos Campeões da UEFA, ou o campeonato inglês. Porque no Brasil está muito chato. Ainda mais para quem acompanhou os inesquecíveis playoffs da NFL. Em tempo: sou partidário dos mata-matas. Dane-se a injustiça nesse caso.
- E esse negócio do Laerte? Não tenho opinião formada sobre isso, mas penso estar havendo um mimimi meio mala da parte dele, não? Entrar na justiça? Será que é mesmo o caso? Tudo bem, um travesti anônimo pode usar o banheiro feminino sem ser incomodado. O Laerte, quando reconhecido, não pode. É meio estranho mesmo. Mas não sei até que ponto é interesse dele diminuir as discriminações contra homossexuais ou apenas vontade de aparecer. A percepção dessa diferença é sempre camuflada pelo politicamente correto, o que é perigoso. - Cinema? Vai bem, obrigado. Vendo Buñuel estou em paz. Retomo uma paixão do começo da cinefilia, e que volta agora com força, revelando um cineasta ainda mais genial do que eu achava. Da câmera que se esconde em um armário por vinte anos em A Filha do Engano às peregrinações do inacreditável A Via Láctea; do ciúme doentio do respeitável cavalheiro de O Alucinado à anarquia de O Fantasma da Liberdade, com seus padres jogadores; tudo em Buñuel me enche de paixão por cinema (que pensando bem, é nova, porque diferente). Sua obra renova minhas forças como se eu ficasse internado em um spa cinematográfico. É como se eu me tornasse cinéfilo de novo com o sabor da redescoberta de muitos de seus 32 filmes. No próximo post reproduzirei pequenos trechos de sua deliciosa autobiografia, meu livro de cabeceira há mais de vinte anos.
Escrito por sérgio alpendre às 18h36
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