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Voltando a Deixa Ela Entrar

Quem seria capaz de abdicar de sua própria vida social pelo amor de uma pessoa? Quem estaria propício a se dedicar ao assassinato em série para proteger e perpetuar a pessoa amada? O menino Oskar. Assim como seu antecessor, que havia se apaixonado pela mesma pessoa quando pré-adolescente.

Mas esse antecessor envelheceu, ficou lerdo demais, colocando em risco a existência de Eli, uma vampira eternamente presa num corpo de doze anos. Não poderia mais assassinar pessoas para entregar a ela o que era vital: o sangue de pessoas ainda vivas.

Oskar é o novo escolhido. O garoto que envelhecerá ao lado dela e verá, dia após dia, a diferença de corpos, as rugas que com o tempo tornarão o amor menos físico do que espiritual. Ele é o responsável por escondê-la da humanidade, protegendo-a de pessoas que não suportam a diferença, e sendo protegido da crueldade dos juvenis e, depois, da vida adulta.

No meio do caminho ela morde algumas pessoas. A mulher da foto acima, por exemplo, sobreviveu, mas não suportou a idéia de que o mundo giraria enquanto ela ficaria parada, aprisionada no corpo de uma balzaquiana, e determinou o suicídio: "deixe a luz entrar".

Com um dos finais mais belos em filmes recentes, após uma seqüência muito arriscada na piscina, e um uso do scope dos mais sensacionais dos últimos tempos (sim, adjetivos não são demais quando a memória confirma a excelência do que se viu), Deixa Ela Entrar, de Tomas Alfredson, ainda não foi confirmado por nenhuma distribuidora, apesar de estar legendado em português (na cópia). Quem será o corajoso a trazer esta pérola para iluminar o combalido circuito comercial brasileiro?

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Atualizando: Deixa Ela Entrar passa no dia 4 de novembro, terça-feira, às 21h no CineSesc.



Escrito por sérgio alpendre às 14h54
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Appaloosa, de Ed Harris

O melhor dos quatro últimos filmes vistos na 32ª Mostra é Appaloosa - Uma Cidade Sem Lei, de Ed Harris. Aparentemente, o longa que redimiu o fiasco da estréia de Harris na direção (Pollock) não tem nada a ver com o esquisitão filme quase homônimo (porque tem o artigo "The" antes de Appaloosa) de Sidney J. Furie, rodado em 1966 com Marlon Brando. Naquele, a câmera estava sempre nos lugares mais bizarros. Neste, o classicismo impera. Viggo Mortensen (foto) faz o grande personagem do filme.

A decepção maior foi Tiro Contra - A Rebelião dos Cineastas, que prometia ser uma coletânea de extras de DVDs das mais interessantes, mas não chega nem nisso, pois perde muito tempo com coadjuvantes. As imagens de arquivo são valiosas, mas acabam se perdendo no meio de tantas entrevistas entediantes.

10 + 4, de Mania Akbari *

Ainda seguindo mal as pegadas de Kiarostami.

Serbis, de Brillante Mendoza *

Câmera perdida num cinema sujo. Quando a cabra entra em cena, eu já tinha perdido o interesse no filme.

Tiro Contra - A Rebelião dos Cineastas, de Dominik Wassely e Laurens Straub *

Não faz jus à turma do cinema novo alemão.

Appaloosa - Uma Cidade Sem Lei, de Ed Harris * * *

Uma bela amizade.



Escrito por sérgio alpendre às 03h08
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A Vida Moderna

Não, caro leitor. Não me referia à esta vida maluca que todos nós estamos levando, mas ao belo contraponto que Raymond Depardon apresentou a ela, e que parece estar sumindo, tragado pela força das corporações e da tecnologia. Depardon volta às fazendas para mais um filme da série Profils Paysans. A Vida Moderna conta com música de Gabriel Fauré, o que me parece uma covardia - claro que vai nos sensibilizar. Depois dele, um Okamoto legal, mas não muito inspirado, Rufião do Inferno, e um Dridi que finalmente acerta com Khamsa. Aliás, estranha a Mostra em que Doillon erra feio e Dridi acerta. Mas talvez tudo tenha a ver com a expectativa. Seja como for, a Mostra aprontou de novo e não avisou que o filme do Raoul Ruiz seria exibido em uma DVCam horrenda. E teve gente que pagou 18 reais para ver um troço cheio de impurezas na imagem. Saudades dos VHS da FJ Lucas.

A Vida Moderna, de Raymond Depardon * * *

Na estrada com Gabriel Fauré.

Rufião do Inferno, de Kihachi Okamoto * * *

Cadê a simpática viúva?

Khamsa, de Karim Dridi * * *

Esqueçam Pigalle e Bye Bye, o Dridi que vale é este, ainda que irregular.



Escrito por sérgio alpendre às 02h21
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A decepção com Jacques Doillon

Foi minha primeira decepção com o cineasta Jacques Doillon. A inconseqüência que ameaçava afundar filmes bons como La Pirate e Carrement à L'Ouest, mas era controlada com mãos sábias, agora se mostra desnuda, incontrolável, e por isso O Primeiro a Chegar é um grande equívoco. A maior emoção do fim de semana foi causada por um músico: Arnaldo Baptista, que fez ao menos três grandes discos após sua saída dos Mutantes (Loki?, uma obra-prima, O Elo Perdido e Singin' Alone) - enquanto a ex-banda se afundava imitando o Yes. Pena que o documentário dedicado a ele tenha que trair tanto seu espírito inventivo para melhor o retratar para um grande público televisivo.

Por Sus Proprios Ojos, de Liliana Paolinelli * *

Irregular, embora bem simpático.

O Primeiro a Chegar, de Jacques Doillon *

O diretor de Ponette também pode se equivocar.

A Batalha de Okinawa, de Kihachi Okamoto * * *

Ainda um outro lado para Cartas de Iwo Jima.

Loki - Arnaldo Baptista, de Paulo Henrique Fontenelle * *

Emocionante ao quadrado. E quadrado ao cubo.

Desperado - Posto Avançado, de Kihachi Okamoto * * *

Faroeste japonês no norte da China.



Escrito por sérgio alpendre às 02h37
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A bela estréia de Kihachi Okamoto

Num dia em que o ponto mais baixo foi a projeção em DV Cam do filme de Mário Barroso, um diretor de fotografia dos grandes, que trabalhou em vários filmes de Manoel de Oliveira, tudo foi salvo pela descoberta de mais três filmes de Kihachi Okamoto, de quem eu só conhecia Sword of Doom (1965), Kiru (1968) e Akage (1969).

Na saída do primeiro, Forte Sepultura (1965), a viúva do diretor apertou a mão de cada espectador e deu um sincero "arigato", olhando nos olhos de cada um, visivelmente emocionada. Um jornalista japonês (conforme o Fábio Kawano, da Cinemateca, me contou) filmava tudo. Mais tarde, vi esse mesmo jornalista apontar um cartaz entre os vários que estavam expostos ali e dizer um monte de palavras incompreensíveis em japonês, das quais só entendi "Daibosatsu Toge" (nome original de Sword of Doom, ou A Espada da Maldição) e "best", que já virou universal. Fui sorrindo para o próximo filme, porque até então concordava com ele.

A surpresa veio na última sessão, com o primeiro filme de Okamoto, Tudo Sobre o Casamento (1958), que eu quase deixei de ver porque sempre li que sua carreira só começou a deslanchar a partir de 1964. É um filmaço, que lembra Has Anybody Seen My Gal? (1952), do Douglas Sirk, e algumas comédias sofisticadas de McCarey e Lubitsch.

Um Amor de Perdição, de Mário Barroso * *

Um crédito por acreditar que algumas idéias visuais funcionariam melhor numa projeção minimamente decente.

Forte Sepultura, de Kihachi Okamoto * * * *

Scope, riso e morte.

A Vida Elegante do Sr.Comum, de Kihachi Okamoto * * *

Bizarrice tresloucada e divertida, mas um pouco chata na parte final.

Tudo Sobre o Casamento, de Kihachi Okamoto * * * *

Realmente moderno.

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Filmes de Okamoto que eu vi em 2006, a partir do DVD americano de Sword of Doom que pertence ao acervo da Lasermania e de pesquisas internáuticas da época, e que já precisam de revisão:

A Espada da Maldição (Sword of Doom / Daibosatsu Toge) * * * *

Os Sete Rebeldes (Kill / Kiru) * * * *

O Guerreiro Vermelho (Red Lion / Akage) * * *



Escrito por sérgio alpendre às 02h26
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Shohei Imamura

Um dos melhores diretores a pesquisar formas dentro dos enquadramentos. A trabalhar com o espaço e as distâncias entre a lente e o que ele filma, a levar às últimas conseqüências a analogia entre os homens e os bichos - Buñuel não o citou em Meu Último Suspiro (sua autobiografia) provavelmente pela beleza plástica extrema em seus filmes, coisa que o diretor espanhol desprezava.

Imamura é o grande herdeiro de Mizoguchi no sentido de pintar com a câmera, de esquadrinhar seus planos criando diversos outros enquadramentos possíveis (quem viu Conto dos Crisântemos Tardios ou A Nova Saga do Clã Taira entende a comparação). Por mais que Imamura odiasse as mulheres santas ou sacrificadas de Ozu, Naruse e Mizoguchi, não há como ignorar o quanto ele aprofundou o uso do scope que nos Naruses tardios era o básico (mas o básico para Naruse já era surpreendentemente - e naturalmente - elaborado) e o quanto ele ampliou as divisões de poder que Mizoguchi fazia em seus planos para a dimensão do 2.35:1.

O plano acima é retirado de Profundo Desejo dos Deuses, filme desigual de três horas de duração, rodado em 1968 e com diversos momentos de antologia, como esse, em que o casal discute no tatame, ela nua, ele parcialmente escondido no quadro, ambos desfocados, enquanto as lagartixas repousam em foco sobre a luminária. Por sinal, todo o trabalho com o foco atinge o sublime justamente nesse filme. Não é uma obra-prima como Todos Porcos ou Desejo Assassino porque é mais desconjuntado. parece lhe faltar fôlego em alguns momentos. Mas é apaixonante, ou melhor, viciante.



Escrito por sérgio alpendre às 02h13
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32ª Mostra: o dia de Assayas

Depois de ver o belíssimo filme de Olivier Assayas, Horas de Verão (foto), a chuva me impediu de me deslocar para rever A Floresta dos Lamentos, de Naomi Kawase. O jeito foi terminar o dia com mais um patético Wim Wenders, e seu novo Palermo Shooting. Quanto mais eu torço para ele voltar à boa forma, mais ele se afunda no constrangimento.

Horas de Verão, de Olivier Assayas * * * *

A vida passa.

Palermo Shooting, de Wim Wenders *

Se o cinema morreu, é hora de voltar aos sentidos.



Escrito por sérgio alpendre às 17h53
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Nouvelle Vague indiana

Começa nesta terça-feira, no CCBB de São Paulo, uma excelente opção para quem quer cinema de primeira. É a mostra Nouvelle Vague Indiana, que já arrebenta logo de cara com a Trilogia de Apu (A Canção da Estrada [no alto], O Invencível, O Mundo de Apu), filmada por Satyajit Ray entre 1955 e 1959. Ao ver esses filmes, fica clara a influência de Jean Renoir, de quem Ray foi assistente em O Rio Sagrado (1950). Influência que é bem evidente também em alguns filmes dos anos 60, como A Deusa (1960) e A Esposa Solitária (1964), infelizmente ausentes da mostra.

Outro diretor importante do período, Ritwik Ghatak, está presente com apenas um filme, o essencial The Cloud-Capped Star (1960 - acima). Lamento não poder ver em cinema duas obras fantásticas: A Soft Note on a Sharp Scale (1961) e The Golden Thread (1965), raridades em película que estão disponíveis em DVD na Europa.

De Mrinal Sen nunca vi nada, a não ser que minha memória tenha apagado uma eventual exibição de algum de seus filmes em edições antigas da Mostra SP. Vale conferir Mr.Shome (1969) e Calcutta' 71 (1971), dois filmes muito elogiados. Como também são A Day's Bread (1970), de Mani Kaul e Night's End (1975), de Shyam Benegal, que terão, como a maioria, exibições em 35mm.

Mas a mostra exibe ao todo 20 títulos (4 deles serão exibidos em DVD), e muitos devem ser dignos de serem descobertos.



Escrito por sérgio alpendre às 04h43
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24 City e Acne, um simpático filme uruguaio

 

O poder de O Poderoso Chefão me fez esquecer de colocar as cotações dos outros filmes do sábado. É o que faço agora, incluindo o 24 City, de Jia Zhang-ke, melhor entre os mortais, visto no dia seguinte em cabine.

O Canto dos Pássaros, de Albert Serra * *

A radicalização fácil.

Acne, de Federico Veiroj * * *

Existe uma estética uruguaia? Não acredito. Mas lembra muita coisa do 25 Watts.

O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola * * * * *

Sem palavras.

24 City, de Jia Zhang-ke * * *

O digital em seu explendor (e a Rain, felizmente, não atrapalhou)

 



Escrito por sérgio alpendre às 13h47
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O Poderoso Chefão - obra maior do cinema

Uma vez que nenhum filme da Mostra, nem mesmo Prisão, A Paixão de Anna, Vergonha e Berlim Alexanderplatz, vai chegar perto desta obra imponente que Coppola fez em 1972, podemos dar por encerrada a cobertura da 32ª Mostra. Certo? Errado. Sou teimoso, e vou continuar. Mas depois desse monumento à figura do ator, dessa lição de encenação e narrativa, desse show que é a fotografia do mágico Gordon Willis, o que nos resta senão uns dois dias de descanso? Coppola teve a coragem de colocar as duas maiores forças em colisão no mesmo plano. Uma conversa terna, de pai para filho, foi filmada com as duas diferentes escolas ameaçando explodir com o filme pelo excesso de energia. Al Pacino (Michael Corleone) e Marlon Brando (Vito Corleone). Um é a interiorização perfeita, o olhar que diz tudo, a baixa estatura que se torna gigantesca no decorrer do filme. Outro é aquela força bruta, a presença física inigualável, um criador que não teme o exagero. Nessa cena chave está concentrado o segredo dessas duas feras. Um absorvendo força e estilo do outro. Pacino, o iniciante, olho no olho, à altura do monstro. Fora que seqüências como a do enterro de Dom Vito (foto), com os olhares de Michael arquitetando sua reviravolta definitiva; o batismo do sobrinho "interpretado" pela bebê Sofia Coppola, intercalando com a solução final colocada em prática; ou a temporada de Michael na Sicília, deveriam ser colocadas em qualquer curso básico de cinema. É ver e aprender, ou não aprender nunca mais. 



Escrito por sérgio alpendre às 01h58
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Um belíssimo filme sueco

Foi uma boa idéia seguir a dica de Dennison Ramalho e do sumido Fernando Veríssimo. Deixa Ela Entrar é um primor, uma belíssima história de amor e vampirismo. A vampirinha de doze anos, condenada a passar a eternidade num corpo de pré-adolescente, é uma das personagens mais tocantes que vi no cinema este ano, e é muito fácil torcer por ela mesmo nas atitudes mais absurdas. É a força de uma natureza, irrefreável, a não ser pelo amor. Não percam as próximas exibições.

Hunabkú, de Pablo César *

A essência da natureza embalada a vácuo.

Deixa Ela Entrar, de Tomas Alfredson * * * *

O vermelho e o branco.



Escrito por sérgio alpendre às 02h54
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32ª Mostra SP

Nesta sexta-feira começa a Mostra Internacional de São Paulo, evento que acompanho desde 1989, e cuja permanente integral comecei a comprar em 1994, vendo, desde então, entre 50 e 70 filmes por edição. Algo se perdeu de lá para cá. Algo estragou o que era belo. Suposições: primeiro foi a mania abusiva e bem paulistana de inflacionar tudo, de querer - intimamente ou não - que qualquer acontecimento seja reservado a uma elite de privilegiados. Segundo que com o esse direcionamento para o aumento absurdo do preço dos ingressos a quantidade de pessoas realmente interessadas diminuiu em relação aos modistas e descolados. Nos anos 90 esses descolados já existiam, mas agora são imensa maioria. A impressão de que a cinefilia é desprezada pela direção é muito grande, para não dizer da pequena imprensa, a que não recebe ajuda de lugar algum (se bem que a decepção pelo limite de trinta ingressos se dissipou e deu lugar à constatação de que foi melhor assim, pois a programação é a mais fraca em muitos anos), e motiva manifestos como o de Marcelo Carrard em seu blog Mondo Paura. Resultado pessoal dessa perda de charme do evento: será o primeiro ano desde 1994 que eu verei cerca de 30 filmes (Bergmans e Okamotos entre eles, claro), mais ou menos a metade do que me acostumei a ver nos últimos anos. Minha primeira reação após a decepção do limite de 30 foi a vontade de comprar a Permanente Especial, que dá direito a todos os filmes que comecem até 17h de segunda a sexta, por módicos 90 reais (é a grande pedida para quem tem as tardes livres, ou horários mais flexíveis). Uma boa olhada na programação me fez desistir da idéia (ou quase, já que posso, num ímpeto, cometer essa besteira). Perderei muita coisa? Não, é a triste resposta. Perderá, certamente, quem ignorar a mostra Nouvelle Vague Indiana que acontecerá no CCBB no mesmo período. Satyajit Ray e Ritwik Ghatak terão alguns de seus melhores filmes representados. Vale a pena deixar de apostar em alguma obscuridade da Mostra para encarar três ou quatro filmes, no mínimo, dessa geração inquieta e talentosa da cinematografia indiana.

obs: na foto, a obra-prima de Naomi Kawase, A Floresta dos Lamentos, filme ignorado no ano passado, e resgatado, finalmente, neste 2008. Vamos ver se no ano que vem o charme é resgatado.



Escrito por sérgio alpendre às 00h52
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Alexandre Aja está construindo uma carreira no mínimo interessante. Ainda não vi seu primeiro longa-metragem, Fúria, com Marion "Edith Piaf" Cotillard, mas Viagem Maldita é bem animador e Alta Tensão tem grandes momentos. Talvez Espelhos do Medo (foto) seja seu filme mais fraco, mas deixa claro que Aja não está para brincadeira quando o assunto é criar uma real sensação de medo constante. Uma vez que já sabemos desde o começo sobre o poder dos espelhos, ficamos com o coração na mão cada vez que um personagem tem sua imagem refletida. O reflexo de Amy Smart no espelho do banheiro, que em certo momento adquire vida própria, é responsável por uma das cenas mais impactantes do ano. E o final é estarrecedor. Como não vi o filme coreano que serviu de base para esta viagem (e que, segundo Aja, é bem diferente), não sei até que ponto a idéia é original. Mas devo dizer que toda a seqüência final me ganhou, e fez com que eu descesse a Augusta andando como um sônâmbulo. Não é um grande filme. Nem mesmo sei se é realmente bom. Mas deve ser visto, para confirmar que o diretor deve mesmo ser seguido. Ainda mais porque seu próximo projeto é outra refilmagem libertária, desta vez de Piranha, do Joe Dante.

Mais tarde, fui conferir como Liam Neeson se saiu como Charles Bronson em Busca Implacável, de Pierre Morel, e devo dizer que ele se saiu muito bem como o pai que mata todo mundo para recuperar sua filha, raptada por albaneses traficantes de mulheres. Os politicamente corretos vão ficar horrorizados, mas o que o filme tem de ruim não tem nada a ver com a escolha radical pela "justiça com as próprias mãos", mas com sua necessidade de se explicar, em imagens, o que se passa na cabeça privilegiada do pai, um ex-agente secreto aposentado - justamente para poder ficar mais próximo da filha. Medo de deixar o público boiando, algo que também acontece (com menor intensidade) em Espelhos do Medo. Deu vontade de rever alguns filmes da série Desejo de Matar.



Escrito por sérgio alpendre às 15h18
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Gosto... não gosto...

Novo post em homenagem a Dom Luis Buñuel (foto)

Gosto de mudar de opinião a respeito de um filme. Acredito que é mais do que necessário rever, sempre, as próprias opiniões. Sinal de evolução, pois quem não evolui, involui, invariavelmente (porque quem continua na mesma vai perdendo o trem, aos poucos, e quando se dá conta vê o quanto regrediu no tempo). Agora, essa evolução pode significar, às vezes, passos para trás. Não seria uma evolução em direção à qualidade, mas em direção ao amadurecimento. Evolução que passa por inevitáveis equívocos, até uma hora em que se torna impossível evoluir mais, e aí é só cuidar para diminuir os equívocos. Parece desesperador? Sim, mas é belo. É a vida.

 

Não gosto do meu jeito de querer mudar as pessoas. A meu ver, quero mudar para o bem. Mas não tenho esse direito, em absoluto. No entanto, acho que não vou mudar tão cedo. Uma mudança desse tipo só seria possível com muita paz espiritual, e eu não sou do tipo que iria para uma montanha isolada.

 

Gosto de coca zero ou light. Sei que um dia terei que parar, para não transformar meu corpo em isopor. Mas vou adiando ao máximo essa decisão.

 

Adoro Caetano Veloso. Mas não gostei da polêmica com o Jotabê Medeiros. A impressão que deu é que ele mesmo percebeu o erro, e tentou consertar dando uma de humilde. Claro que a crítica do Jotabê ao show dele com o Rei deve ter sido equivocada, mas não aceitá-la foi de uma arrogância absurda. Continuarei lendo o blog dele, claro. Ele fala demais, e por isso fala besteiras, também. Mas é lúcido na maioria das vezes.

 

Gosto de rever trechos de filmes ruins na TV a cabo. Ajuda a relaxar, por incrível que pareça. Apenas Amigos, com Amy Smart e Ryan Reynolds é bem fraco, mas sempre me pego assistindo a alguns trechos, e até rindo das aparições do Chris Klein.

 

Não gosto de pré-estréias de filmes com equipe técnica. Acho tudo de uma tremenda falsidade. Não consigo aplaudir, mesmo que eu goste do filme. É meio patológico até, porque vira e mexe entro numa dessas, e vou continuar entrando, mas invariavelmente fico constrangido com o puxa-saquismo em série. Talvez esse seja um dos motivos pelos quais eu não tenho o menor interesse em dirigir um filme. Saber que seriam raros os que admitissem não ter gostado dele me deixa desanimado. Em compensação, já deixei diretores de curtas-metragens que nem conhecem o que escrevo bem chateados com minha franqueza em excesso. Costumo dizer, para diminuir a mágoa, que isso só daria mais valor a um futuro elogio. Mas nunca adianta muito.



Escrito por sérgio alpendre às 00h53
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A arte de Mikio Naruse

Mikio Naruse, e o cinema do tijolo após tijolo, sem qualquer tipo de ornamento, que não seduz logo de cara (como Mizoguchi), não faz a vida parecer mais bela (como Ozu), não tem um peso de brilhante encenador (como Kurosawa ou Kobayashi), enfim, não é tão facilmente admirado quanto os gênios acima citados. Mas é um mágico. Sua arte consiste em fazer com que a sucessão de cenas simples se transformem em algo muito maior. A economia, a concentração de toda a emoção nas profundezas do ator, prestes a explodir, como na Mamãe do filme homônimo de 1952. O scope brigando o tempo todo com sua natural economia nos filmes a partir de Nuvens de Verão (1958). Já era hora de Naruse ser tratado com a reverência que merece.



Escrito por sérgio alpendre às 10h05
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Cinema japonês em BH

Mostra do Cinema Japonês, em Belo Horizonte, 34 graus (na sala de exibição, agradáveis 18 graus). Além da revisão do belíssimo Filho Único, de Ozu, pude ver dois filmes programados para o Festival do Rio: o decepcionante Sad Vacation, de Shinji Aoyama, e o soberbo Tokyo Sonata (foto), de Kiyoshi Kurosawa.

Kurosawa finalmente realiza um grande filme fora de seu registro habitual terror-estranheza-onirismo. Porém, não tão fora assim, como o espectador atento irá notar. A cena final é brilhante, um encerramento perfeito para um filme todo arriscado, cheio de mudanças de tom, que se abre à possibilidade de perder o espectador a todo momento.

Assim, continuando a cobertura do Festival do Rio e, ao mesmo tempo, parabenizando os organizadores da bela Mostra em BH, as cotações:

Tokyo Sonata, de Kiyoshi Kurosawa * * * *

Era uma vez um geniozinho, músico e dublê.

Sad Vacation, de Shinji Aoyama * *

Aoyama perdeu o bonde?



Escrito por sérgio alpendre às 12h57
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A obra-prima do Festival do Rio

Les Amours d'Astrée et de Céladon, de Eric Rohmer, é o melhor filme exibido no Festival do Rio. Como vou embora amanhã, não poderei ver Quatro Noites com Ana, e Tokyo Sonata e Sad Vacation verei em Belo Horizonte, e também são candidatos a obra-prima, principalmente pelos diretores: Kiyoshi Kurosawa e Shinji Aoyama, respectivamente. A foto está em 1.85:1, mas o filme do Rohmer foi exibido em sua proporção original, 1.37:1, o que salienta o trabalho com a verticalização dos planos, algo sempre presente em cineastas que preferem esse formato, mas nunca tão sensível quando em Les Amours, pelo menos considerando a obra do Rohmer. Talvez A Inglesa e o Duque se equipare nesse sentido. Filme para rever inúmeras vezes, é ao mesmo tempo um dos mais fáceis de se ver e um dos mais ousados dele.

Mais no artigo que estou preparando para a Paisà, que deve entrar no ar antes da Mostra SP.

Cotações do meu último dia:

Segurando as Pontas, de David Gordon Green * * *

O mais engraçado do evento, junto com Aquele Querido Mês de Agosto. Pena que o climax de ação do final é um tanto longo.

Les Amours d'Astrée et de Céladon, de Eric Rohmer * * * * *

Sem palavras.

A Mulher sem Cabeça, de Lucrecia Martel * * *

A cabeça estava no Rohmer.

Homem Andando na Neve, de Masahiro Kobayashi (sem nota)

Saí com meia hora de filme, algo que raramente faço.

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Conclusão: depois do Rohmer, a única coisa a se fazer era passear na praia, tomar um sorvete, tudo menos cinema.



Escrito por sérgio alpendre às 00h16
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Dia 3 de outubro se salvou pelo filme do Hong Sang-soo (bem agradável de se ver, e bem distante de uma obra-prima). Mais sobre ele e vários outros filmes num artigo final sobre o Festival, na Paisà.

Adoração, de Atom Egoyan (mico)

Parece tiração de sarro com o público de festivais.

A Raiva, de Albertina Carri *

A matança do porco.

Noite e Dia, de Hong Sang-soo * * *

O mundo encantado de um meninão.



Escrito por sérgio alpendre às 10h57
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Woody Allen e Dario Argento

Woody Allen e Dario Argento. Dia de gala no Festival do Rio. Bruno Andrade tinha me desafiado a comparar O Fantasma da Ópera a Mizoguchi. E confesso não achar tão difícil, já que a base para quase todos os grandes filmes é Mizoguchi, de uma forma ou de outra. Aí lembrei que outro dia me perguntaram que cineasta japonês segue a lião de Mizoguchi. Agora respondo, nenhum como Woody Allen. Claro, Allen não evita os planos fechados como o mestre supremo, mas sua câmera segue os personagens de maneira semelhante, ainda que mais à altura deles, e mais próxima também. No mais, cinema assim tá difícil de ser encontrado hoje em dia. A matriz para todo o cinema oriental parece ser mais Ozu. É grandioso também, mas é outra coisa.

Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen * * * *

O homem, firme em seu caminho.

O Fantasma da Ópera, de Dario Argento * * * *

Nem a pau que é um filme menor do diretor.

Vingança, de Paulo Pons (mico)

Para quê fui estragar um dia tão certo?



Escrito por sérgio alpendre às 00h52
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O balão vermelho de Hou Hsiao-hsien

Mais um dia bom no Festival do Rio. Dois, na verdade, porque na terça-feira pude ver A Erva do Rato, que me deixou meio sem saber o que achar (mesma sensação da primeira vez que vi Cleópatra). O melhor do dia talvez seja mesmo A Viagem do Balão Vermelho, uma belíssima homenagem ao filme do Lamorisse. Mas Hou Hsiao-hsien ainda não fez um filme que me arrebatasse definitivamente.

A quarta-feira foi marcada pela revisão de Pai Patrão, dos irmãos Taviani. Filme meio errado, cheio de cortes malucos, mas muito forte, especialmente na hora em que o filho sai de casa e pega a mala debaixo da cama onde o pai está sentado.

Vamos, então, à frieza das cotações:

Leonera, de Pablo Trapero * * *

O ápice de sua carreira.

A Erva do Rato, de Júlio Bressane * * *

Esqueleto rules.

Sobre o Tempo e a Cidade, de Terence Davies * * *

Cadê a música dos Beatles?

A Viagem do Balão Vermelho, de Hou Hsiao-hsien * * * *

Belíssimo, novamente seguindo Ozu de perto.

Pai Patrão, de Paolo e Vittorio Taviani * * * *

Filme de arte tortuoso.

Kabei - Nossa Mãe, de Yoji Yamada * *

Mais uma vez, Yamada faz besteira no final.



Escrito por sérgio alpendre às 00h53
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