Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, Homem





Histórico


Outros sites
 revista interlúdio
 antigo chip hazard
 meu blog musical: melomania
 blog da Eide
 alessandro coimbra blog
 amor louco
 ainda não começamos a pensar
 ana paul multiply
 arqueologia da mise en scène
 aqui jazz lucas
 as aranhas
 assim está escrito
 balaio porreta 1986
 bangalô cult
 berghof
 blog do chiquinho
 bruno yukata saito
 cerrado cerebral
 canto do inácio
 cine análise
 cid blog
 cine art
 cine resort
 cine do beto
 cinecasulofilia
 cinema com cana
 cinema cuspido e escarrado
 crítica de cinema em portugal
 crítica retrô
 cinema de boca em boca
 cinema de invenção
 culture injection
 cinenetcom
 dias felizes
 dementia 13
 da multidão
 dicionários de cinema
 diversita
 diário de um cinéfilo
 discurso-imagem
 do desastre ao triunfo
 duelo ao sol
 e agora para algo completamente diferente
 egolog
 enquadramento
 estranho encontro
 era uma vez na paraíba
 fabito's way
 esperando godard
 filmes que só eu vi
 filmes do chico
 foco potiguar
 fora de quadro
 fotograma experimental
 herax blog
 hollywoodianas
 ilustrada no cinema
 in a glass house
 in a lonely place
 in the mood for cinema
 kino crazy
 kinos
 liga dos blogues cinematográficos
 lights in the dusk
 loged
 los olvidados
 medo do quê?
 marginal notes while filming
 merten
 meu nome não é superoito
 multiplot
 muvucofobia
 na minha rolleiflex
 no extracampo
 nudo e selvaggio
 nitrato, acetato e poliéster
 o cantinho do ócio
 o cinema e a pessoa
 o falcão maltês
 o lugar do sangue
 o olhar implícito
 o dia da fúria
 o esporte favorito dos homens
 o perseguidor
 o olho do furacão
 o planalto em chamas
 o signo do caos
 o signo do dragão
 o touro enraivecido
 olhos de caleidoscópio
 olhos livres
 olho de hochelaga
 paralelismo
 paragrafilme
 palavras do bruno
 passarim
 pagoda reborn
 pela luz dos meus olhos
 pensar enlouquece
 phantom limb
 pickpocket
 querelas cinematográficas
 qualquer coisa
 quotes e tal
 RD - b side
 rebeldes do deus neon
 sempre em marcha
 setaro's blog
 sétima arte e algo mais
 this blog is a movie
 the bridge
 toca do cinéfilo
 tudo é cinema
 vá e veja
 viver e morrer no cinema
 urso de lata
 watalandia
 zé geraldo couto
 zanin
 a film by
 chris fujiwara
 Chronic'art
 cinema em cena
 cinema escrito
 cine players
 cinemascope
 cinemascópio
 cinequanon
 cinética
 contracampo
 dvd beaver
 filmescópio
 film comment
 filmologia
 filmes polvo
 Foco
 green cine
 la furia umana
 moviola
 multiplot
 reverse shot
 taturana
 rouge
 UOL cinema
 zingu


chip hazard


Scarabea

Quem não gosta de filmes datados deve se afastar de Scarabea, mas aí estará perdendo um grande filme de Hans Jurgen Syberberg.

 

Ser datado quando aconteceu em 1968 é quase uma condição. A iconografia dessa época psicodélica é tão forte quanto a da era Disco, com aquela imagem de tom pastel, as roupas coloridas, os objetos de cena futuristas. No aspecto sonoro também, com suas guitarras alucinadas e os barulhos semi-eletrônicos. Scarabea é tão datado, e tão bom, quanto Zabriskie Point.

 

Uma das cenas mais fortes mostra um grupo de freiras jogando o leite dos seios no rosto de nosso herói (ou anti-herói, que seja).

 

Existem ainda cenas belíssimas, de uma plasticidade visual que vence qualquer noção temporal. Syberberg faria duas obras-primas nos anos 70, Ludwig - Réquiem para um Rei Virgem e Hitler - Um Filme da Alemanha, sem contar o Karl May, do qual só vi trechos porque tenho sem legendas, e me pareceu sublime. E olha que eu nem baixei a versão de dvd que pintou recentemente.

 

Enfim, é um artista único, que lembra um pouco o Herzog de Sinais de Vida, mas consegue ser diferente de tudo que se fazia na época, mesmo sendo datado. Percebemos que o filme só poderia ter sido realizado em 1968, mas não o imaginamos sendo assinado por outro diretor que não Syberberg.



Escrito por sérgio alpendre às 01h43
[] [envie esta mensagem] []



Novo melomania e outros recados

Começo este mini-post esquizofrênico com um trecho do ótimo livro Woody Allen por Woody Allen, que encontrei num porão imaginário aqui de casa, com entrevista gigante, filme a filme, realizada durante o ano de 1992 pelo crítico sueco Stig Björkman. No trecho, Allen fala de um dos meus preferidos dele, Hannah e Suas Irmãs (1986):

SB: Há no filme uma citação de Tolstoy que também é usada como legenda de um dos capítulos: "o único conhecimento absoluto atingível pelo homem é que a vida não tem significado". Isto foi, de um modo ou de outro, uma espécie de ponto de partida para o filme?  Acha que Hannah confirma ou contradiz esta citação?

WA: Não foi o ponto de partida do filme, mas, certamente, é esse o tema que ele aborda, o fio da minha história gira em torno desse tema. Acho que se eu tivesse tido um pouco mais de coragem, este filme, de certa forma, confirmaria ainda mais a citação. No entanto, reneguei um pouco a citação e recuei ligeiramente no final.

SB: Na sua opinião, de que maneira?

WA: No final, amarrei o filme de uma maneira muito clara. Deveria ter dado um final menos feliz do que dei.

SB: Você quer dizer que deveria ter dado maior abertura para os personagens seguirem os seus diferentes destinos?

WA: Sim, devia ter dado mais abertura e não ter solucionado tanto. Este negócio de tentar buscar uma solução satisfatória é um hábito da minha formação e dos filmes americanos. Pode não ser um final feliz, mas, de certa forma, satisfatório. Daí por diante, porém, passei a solucionar menos os meus filmes.

-------------------------------------------------------

Acabou o carnaval. Espero que com isso também acabe a mania idiota de todos dizerem que só querem alegria, que não pode chorar e blá blá blá.

-------------------------------------------------------

Comentar o Oscar? Sem a menor vontade. A cerimônia foi das mais interessantes, com algumas modificações sutis que deram certo (Hugh Jackman entre elas), mas os premiados foram no geral uma lástima. J.P.Coutinho acertou desta vez, e isso é raro.

------------------------------------------------------

Melomania todo modificado. Achei que ficou bonito. Para reinaugurá-lo, uma matéria que tinha sido engavetada na época do meu site Tem Que Acontecer (de 2003, só durou três meses por causa da venda do hospedeiro gratuito, o HPG). Troquei alguns discos, modifiquei alguns textinhos, e voilá, serviu como uma bela terapia para este carnaval de pouca inspiração para o trabalho. Prestigiem:

http://melomania.blogspot.com



Escrito por sérgio alpendre às 02h26
[] [envie esta mensagem] []



Ama-me Esta Noite

Ama-me Esta Noite (1932) é um desses clássicos que concentram tantas idéias geniais que nos momentos mais mornos passa uma falsa impressão de enfado. Na verdade, esses momentos inventivos são brilhantes para o andamento da narrativa, sendo o exemplo mais perfeito o uso da canção "Isn't it Romantic", que começa com Maurice Chevalier, passa por diversos personagens que só aparecem para isso, incluindo soldados, um motorista e um cigano, para chegar aos ouvidos de uma solitária e infeliz Jeanette MacDonald. Antes disso, dá para destacar a sinfonia de barulhos do cotidiano no início, muito imitada em filmes bons e ruins - Delicatessen sendo um dos exemplos mais conhecidos - e logicamente a trilha de canções compostas por Richard Rodgers e Lorenz Hart. Na direção, o sempre subestimado Rouben Mamoulian, de filmaços como O Médico e o Monstro (a melhor versão, de 1932), Rainha Cristina (1934), Vaidade e Beleza (1935), A Marca do Zorro (1940) e Sangue e Areia (1941).



Escrito por sérgio alpendre às 20h16
[] [envie esta mensagem] []



Oscar Goldman

Não lembro se já comentei sobre entregas de Oscars no passado, mas para tudo pode ter uma primeira vez. Não tenho a pretensão de fazer uma série de posts como fez muito bem o Chico Fireman (aliás, leitura altamente recomendada). Como acho um porre apontar favoritismos, resolvi postar minhas preferências em algumas categorias, como forma de intensificar a torcida por elas.

Atriz coadjuvante

Viola Davis (Dúvida) deveria ganhar, pois sua presença é luminosa, a melhor atuação de um filme que conta com Mery Streep e Philip Seymour Hoffman. Não é pouco. Não ficaria chateado, entretanto, se ganhasse a Marisa Tomei (O Lutador) ou a Taraji P. Henson (a melhor coisa de O Curioso Caso de Benjamin Button).

Ator coadjuvante

Heath Ledger é barbada, ou a Academia teria enlouquecido de vez. Não só porque faleceu, mas porque tem uma atuação primorosa, dentro do melhor filme da franquia Batman. Pena para Philip Seymour Hoffman e Josh Brolin, excelentes em Dúvida e Milk, respectivamente.

Documentário

A categoria em que estou completamente desfalcado, pois não vi nenhum dos concorrentes. Torço pelo Herzog, sem ter visto ainda seu Encounters at the End of the World.

Filme estrangeiro

Outra categoria que me escapa por completo neste ano. Torço por Entre os Muros da Escola pelo currículo do diretor Laurent Cantet. Espero que o filme não me decepcione depois.

Direção de fotografia

Se não ganhar Tom Stern por A Troca eu não vou levar mais a sério essa premiação. Ok, já não levo muito a sério, mas a frase de torcedor deve ter algum impacto, por menor que seja.

Melhor ator

Mickey Rourke, por O Lutador. Apesar de Sean Penn estar muito bem, não tem como tirar o prêmio de Rourke. Seria um crime. Se ganhar o Brad Pitt será uma verdadeira palhaçada.

Melhor atriz

Se o maridão não merece emplacar, a esposa tem todo o direito de sair com a estatueta. Angelina Jolie brilha em A Troca. Meryl Streep, apesar de ser uma constante em premiações, ganharia com justicça também. Qualquer outro resultado será um disparate.

Melhor diretor

Gus Van Sant, por Milk. Não tem como ser diferente disso, a não ser que os votantes sejam ETs.

Melhor filme

Milk. Não entendo as acusações de que o filme é impessoal. Tem muito de Gus Van Sant aí. Entre seus trabalhos mais narrativos, só perde para Garotos de Programa. A primeira metade de Milk é um primor, cheio de achados visuais, como a imagem refletida no apito de um gay assassinado. Na segunda metade, o filme fica mais comportado, e perde com isso. Paradoxalmente, entra em cena um dos personagens mais interessantes, o supervisor de distrito interpretado por Josh Brolin.

---------------------------------------------------------

P.S. O título do post é uma homenagem a um personagem de O Homem de Seis Milhões de Dólares, série bem famosa dos anos 1970, com Lee Majors como o "cyborg"

 



Escrito por sérgio alpendre às 17h10
[] [envie esta mensagem] []



A revisão e a surpresa

Começando pela surpresa: O Menino da Porteira, filme dirigido por Jeremias Moreira Filho e lançado em 1977. Tem diálogos explicativos em excesso, elenco desigual, momentos em que não se sabe muito bem o que está em foco. Mas tem um ator estranho, mas que vem bem a calhar para o personagem, um Sérgio Reis sério, quase sombrio, com fortes tintas do Clint Eastwood de Estranho sem Nome (e no final isso fica bem claro). Deu mais vontade de ver a refilmagem agora, assinada pelo mesmo diretor e com Daniel como protagonista. Acompanhei uma hora no set em Paulínia. Mas set de filmagem é aquela chatice, então não conta. O filme estará nas telas em março.

A revisão pela segunda vez de A Questão Humana, de Nicolas Klotz, me deixou com mais impressão ainda de que o filme foi amplamente superestimado no ano passado (e no ano anterior, quando passou na Mostra SP). Já não me incomodou tanto o empregado secando Amalric com lenços de papel, mas continuo achando aquela rave uma palhaçada, e a participação de Lou Castel (que é um grande ator), um equívoco e tanto. Primeiro porque lidamos com o lugar-comum por excelência (festa de modernos que se permitem uma maluquice de vez em quando / músico incompreendido e tornado recluso, com cabelos grandes e cara eterna de triste, num monólogo que parece existir unicamente para enobrecer o filme), segundo porque se revela cada vez mais simplório em suas artimanhas para pescar o espectador, jogando ganchos para que sejam capturados mais tarde. O curioso é que essas constatações me fizeram achar os momentos fortes ainda mais fortes, e por isso o filme, se cai por um lado, se fortalece por outro. Ainda assim, mantenho, é quase um Zodíaco pelo que enganou de gente por aí.

--------------------------------------------

Comecei a ver Not Wanted (1949), mas os afazeres impediram que eu passasse de vinte minutos. Nada a ver com o filme, que me pareceu excelente. Tudo a ver com a percepção de que não era o momento certo para vê-lo. Qualquer coisa que tenha o nome de Ida Lupino deve ser visto com mais entrega, ainda mais quando se trata de sua estreia na direção.

-------------------------------------------

Fora isso, trechos e mais trechos de filmes de Joris Ivens; alguns que eu nunca tinha visto, e os que me deixaram embasbacado quando vistos na telona do Cinesesc anos atrás: La Seine Rencontre Paris (1957) e Pour le Mistral (1966).



Escrito por sérgio alpendre às 01h13
[] [envie esta mensagem] []



Frost/Nixon e os atores

Na safra atual de filmes que concorrem às estatuetas do Oscar dá para se impressionar com o número de filmes "de atores". O melhor é O Lutador, no qual Mickey Rourke dá um show. Mas Frost/Nixon não é para ser desprezado. Primeiro porque temos um Frank Langella em estado de graça. Todo mundo sabe que o ator envelheceu bem, se tornou realmente bom. Sua composição para o ex-presidente Richard Nixon é impressionante, valorizada pelo desempenho de Michael Sheen como o apresentador/entrevistador inglês David Frost.

Lembrei do Nixon feito por Anthony Hopkins para o filme mastodonte de Oliver Stone, mas a comparação é constrangedora para o Hannibal Lecter. Em Frost/Nixon, temos um elenco de apoio primoroso formado por Oliver Platt, Sam Rockwell e Kevin Bacon, e o diretor Ron Howard permite que esses atores brilhem, fazendo o feijão com arroz.

Outro filme de ator é Dúvida, com interpretações impecáveis dos monstros de sempre, Philip Seymour Hoffman e Meryl Streep, mas o diretor John Patrick Shanley, o mesmo do fraquinho Joe Contra o Vulcão, filma tudo com um academicismo pesado e soterra esses atores - e Amy Adams também - dentro de uma camisa de força do cinema de qualidade. Dá para ver com certa facilidade, porque é difícil resistir a Hoffman e Streep, mas é frouxo.

No mais, tem O Casamento de Rachel, em que Anne Hathaway interpreta uma drogada que tem permissão para acompanhar o casamento da irmã. É mais uma bola fora de Jonathan Demme, que havia nos presenteado com Sob o Domínio do Mal em 2004. Sua câmera enquanto a família se debate é frequentemente irritante, e o filme se salva apenas pelas interrupções musicais. Como o Ruy em sua crítica na contracampo, eu também lembrei bastante de Festa de Família, aquele filme do Dogma que agora todo mundo insiste em abominar. Mas Vinterberg se saiu melhor do que Demme na hora de mostrar traumas de família.



Escrito por sérgio alpendre às 00h23
[] [envie esta mensagem] []



O lutador Mickey Rourke e o hard rock oitentista

tirado do imdb:

(ao som de "Round and Round", da banda Ratt)

Randy 'The Ram' Robinson: Goddamn they don't make em' like they used to.
Cassidy: Fuckin' 80's man, best shit ever !
Randy 'The Ram' Robinson: Bet'chr ass man, Guns N' Roses! Rules.
Cassidy: Crue!
Randy 'The Ram' Robinson: Yeah!
Cassidy: Def Lep!
Randy 'The Ram' Robinson: Then that Cobain pussy had to come around & ruin it all.
Cassidy: Like theres something wrong, why not just have a good time?
Randy 'The Ram' Robinson: I'll tell you somethin', I hate the fuckin' 90's.

Se o Oscar de melhor ator não for para Mickey Rourke, será coerente com a estupidez habitual da Academia. Se for, tudo estará virado de pernas para o ar. Se ele merece? Sim, merece que nem se discuta sobre quem deveria levar entre os cinco indicados, por mais que Frank Langella esteja excelente em um filme acima da média de Ron Howard (Frost/Nixon).

O Lutador não é só o melhor filme de Darren Aronofsky, mas um tratado sobre a decadência dos anos 90*, explicitado no diálogo colado no topo deste post. Quem viveu o auge nos anos 80, ou se submete à decadência moral e cultural da década seguinte, ou vive preso eternamente nos idos das calças de purpurina e do auge do hair metal.

Para Randy, o lutador desencantado, a única morte justa, a morte certa, é a morte num ringue. Como os guerreiros do Manowar (banda de True Metal, seja lá o que isso for), que desejavam morrer em guerra para ir ao Valhalla, Randy só existe enquanto recebe os apupos da platéia. Só respira enquanto está consciente de que em algum lugar um fã tem um poster seu na parede, ou brinca com um boneco de plástico feito de suas glórias, com o mesmo cabelo grosso e loiro.

Marisa Tomey está excelente, e tem nessa cena já citada um momento mágico, espelhando o olhar apaixonado de Randy. Mas são dela dois dos momentos que colocam o filme para baixo: quando ela percebe que não arrasa mais no palco da casa noturna e quando tenta arrastar alguns clientes sem sucesso. Uma cena com Rourke também sai pela culatra: quando ele surta no balcão de frios do supermercado.

No mais, todos os momentos de ringue ou dos bastidores das lutas são memoráveis. E o final, que recusa a conclusão mais simples, é de tirar o chapéu. Com todos os defeitos, é um filme fácil, muito fácil de ser admirado. Pior que é mais fácil ainda de ser subestimado.

---------------------------------------------------------------------------

* digressão que me pareceu inevitável:

Fico pensando que na música pop/rock as décadas de 70, 80 e 90 atingiram um pico entre os quatro primeiros anos, caindo vertiginosamente no miolo, para recuperar sinais de inventividade no final. Essa queda foi mais sentida nos anos 90, pois pouca coisa digna parece ter saído entre 96 e 98, daí o reinado tranquilo de discos (excelentes) como The Great Escape e OK Computer. Da mesma forma, o hard rock começou a degringolar a partir de 1986, e o surgimento do grunge e de um metal moderno e sem graça foi uma resposta precisa a essa decadência. É algo que precisa ser melhor investigado no futuro, mas é curioso como esses ciclos ocorrem sempre na mesma posição em cada década, e como os sinais de resposta começam a surgir nas viradas.

Em tempo: gosto muito do Nirvana de Nevermind e In Utero (nem tanto do Bleach), e do Pearl Jam de Vitalogy e No Code, e de algumas outras coisas do grunge, mas não deixo de simpatizar com o diálogo colado no início, entre Rourke e Tomei.



Escrito por sérgio alpendre às 01h34
[] [envie esta mensagem] []



Estreias das próximas semanas

Dia 20/02

Glória ao cineasta [Glory to The Filmmaker/Kantoku-Banzai!, Japão, 2007], de Takeshi Kitano

Milk – A voz da igualdade [Milk, EUA, 2008], de Gus Van Sant

As testemunhas [Les témoins, França, 2007], de André Téchiné

W. [EUA, 2008], de Oliver Stone

Dia 27/02

Alma perdida [The Unborn, EUA, 2009], de David S. Goyer

Fevereiro

Alexandra [Aleksandra, Rússia/França, 2007], de Aleksandr Sokurov

Força policial [Pride and Glory, EUA, 2008], de Gavin O’Connor

3 macacos [Üç Maymun/Three Monkeys, Turquia/França/Itália, 2008], de Nuri Bilge Ceylan

06/03

Atrizes [Actrices, França, 2007], de Valeria Bruni Tedeschi

Frost/Nixon [EUA, 2008], de Ron Howard

O menino da porteira [Brasil, 2009], de Jeremias Moreira

Quem quer ser um milionário? [Slumdog Millionaire, Reino Unido/EUA, 2008], de Danny Boyle e Loveleen Tandan

Watchmen – O filme [Watchmen, EUA/Reino Unido, 2009], de Zack Snyder

13/03

Bela noite para voar [Brasil, 2008], de Zelito Viana

Dia dos namorados macabro [My Bloody Valentine, EUA, 2009], de Patrick Lussier

Entre os muros da escola [Entre les murs, França, 2008], de Laurent Cantet

The Spirit – O filme [The Spirit, EUA, 2009], de Frank Miller

20/03

Gran Torino [EUA, 2008], de Clint Eastwood

Killshot – Tiro certo [Killshot, EUA, 2008], de John Madden

Lição de amor [Scusa ma ti chiamo amor, Itália, 2008], de Federico Moccia

Pagando bem, que mal tem? [Zack and Miri Make a Porno, EUA, 2008], de Kevin Smith

27/03

Che [The Argentine, Espanha/EUA/França, 2008], de Steven Soderbergh

Katyn [Polônia/Rússia/Alemanha, 2007], de Andrzej Wajda

Duplicidade [Duplicity, EUA, 2009], de Tony Gilroy

Personal Effects [EUA, 2008], de David Hollander

Março

 Anabazys [Brasil, 2008], de Joel Pizzini e Paloma Rocha

Um bom homem volta à casa [Em Mand kommer hjem, Dinamarca/Suécia, 2008], de Thomas Vintenberg

Paris [França, 2008], de Cédric Klapisch

 

A festa da menina morta [Brasil, 2008], de Matheus Nachtergaele

 fonte: Filme B



Escrito por sérgio alpendre às 15h08
[] [envie esta mensagem] []



Gosto, não gosto

Quando me vejo num beco sem saída (leiam, sem tempo para postar), recorro ao velho e bom "gosto, não gosto", de O Último Suspiro, autobiografia de Luis Buñuel. Mas o homenageado é Joseph Mankiewicz, que aparece na capa da sensacional Présence du Cinéma.

- adoro o cinema de Mankiewicz, claro. Quando vi A Condessa Descalça pela primeira vez, gostava de dizer aos amigos da faculdade que era melhor que Cidadão Kane. Era provocação, mas entendo quem diga isso com propriedade.

- não gosto da mania de diminuir Kane por este ser presença constante em listas de melhores filmes. Pode não ser o melhor do Welles, talvez nem dos cinco melhores, mas é um grande filme. Lourcelles, que por sinal adora Mankiewicz,  tem uma excelente crítica diminuindo Welles e Kane. Tá lá no dicionariosdecinema.blogspot.com

- gosto de perceber que estava errado a respeito de algum filme. Pelo menos quando revejo e percebo coisas que me agradam num filme que me parecia desprezível numa primeira visão. Não é tanto por orgulho de saber voltar atrás, ou dar o braço a torcer, mas pela alegria de descobrir algo belo onde eu só via falhas. Isso acontece com pessoas também. Sou meio turrão, e antipatizo com muita gente à primeira vista. Talvez isso facilite a identificação rápida com o que essa mesma gente tem de melhor.

-odeio frases feitas a respeito da crítica. Dizer que crítico é um cineasta frustrado, acho que já disse aqui, não me incomoda mais tanto, de tão débil que me parece a afirmação. Perceber pré-determinação em tudo, por outro lado, é talvez mais daninho.

- gosto do desafio, do quebra-cabeça, do jogo assumido. Paradoxalmente, não gosto de me sentir num jogo que eu não queria disputar. Mas suspeito que toda a humanidade pensa assim, só não expõe dessa forma tão pobre.

- gosto da calma de Andrea Tonacci ao falar em público. Quando ele já começa dizendo que não tem muito o que dizer, pode apostar que virão frases de antologia.

- gosto da tristeza que passa por tudo que foi feito nos anos 1970. Quase tudo, que seja. Vejam qualquer clipe da Disco, tirando Village People, claro. Existe tanta tristeza por trás daqueles olhares brilhantes, tanta frustração escondida sob o ritmo sacolejante... é muito encantador, de verdade. Vejam o clipe de "Yes Sir I Can Boogie", da dupla de mulheres Baccara, para entender:

http://www.youtube.com/watch?v=KGuFn0RPgaE 

Nos filmes essa melancolia também é bem fácil de se perceber. Já falei aqui do Rolling Thunder, filmaço do John Flynn. Mas tem também Os Embalos de Sábado à Noite, do John Badham; Taxi Driver, de Martin Scorsese, e O Franco Atirador, de Michael Cimino. Ressaca do Vietnam, ondas de terrorismo na Europa, ditaduras militares na América do Sul, climão de guerra fria... a barra tava realmente pesada, e a arte refletia essa barra.

- adoro Lourcelles, cada vez mais. Agora que estou lendo em português, então, ficou mais fácil de adorar, sem a limitação do meu francês cada vez mais enferrujado. Adoro Noel Simsolo também. E Mourlet, Douchet, Mullet, Fujiwara, Tag Gallagher, algumas coisas do Daney, que também tem coisas detestáveis, Delorme, Quintana, Biette, Chauvin, algumas coisas do Skorecki - que não tem nada detestável, mas de vez em quando escorrega.

- detesto não ter tempo e - o principal - disciplina para ler grandes e pequenos romances. Paciência. Talvez um dia eu consiga ter essa disciplina, e arrume sempre brechas no tempo para descobrir várias maravilhas que estão à minha espera, às vezes até já na minha estante.



Escrito por sérgio alpendre às 02h37
[] [envie esta mensagem] []



Os Contos de Canterbury

Não gostava de dois filmes de Pasolini, Édipo Rei e Os Contos de Canterbury. Nada como uma revisão na tela do imponente Cinesesc para diminuir esse número. Os Contos de Canterbury talvez seja o mais fraco da Trilogia da Vida (iniciada com Decameron, completada com As Mil e Uma Noites), mas é um belo filme. Irregular como Decameron, tinha na memória que era um Pasolini mais calmo. Nada. O Telecine, se bobear, deve ter cortado muita coisa quando o exibiu, pois aquelas cenas do último episódio estão entre as mais fortes que o cineasta italiano filmou, com demônios defecando gente maltrapilha e pessoas peladas se espetando com tridentes. Pensando bem, forte em termos, já que a coisa é tão sinistra que pode até ser engraçada, como o rosto sarcástico de Pasolini (que representa o escritor dos contos) imaginando a cena sugere. Existe ainda um outro trunfo: talvez seja a melhor aparição de Ninetto Davoli, ator-fetiche de Pasolini, no cinema. Ele está num pequeno e cômico episódio, mais ou menos na metade do filme.

Sem revisão de muitos outros filmes (Pocilga, Édipo Rei e O Evangelho Segundo Mateus, principalmente), segue a filmografia com as cotações:

Desajuste Social (Accatone, 1961) * * *

Mamma Roma (1962) * * *

RoGoPaG (ep: La Ricotta, 1963) * * * * 

O Evangelho Segundo Mateus (Il Vangelo Secondo Matteo, 1964) * * *

Comícios de Amor (1965) * * *

Gaviões e Passarinhos (Uccellacci e Uccellini, 1965) * * * *

As Bruxas (ep: A Terra Vista da Lua, 1966) * * *

Édipo Rei (Edipo Re, 1967) * *

Capriccio all"Italiana (ep: O Que São as Nuvens, 1967) * * *

Amore e Rabbia (ep: La Sequenza del Fiori di Carta, 1968) * * * *

Teorema (1968) * * * *

Pocilga (Porcile, 1969) * * * *

Medea (1970) * * *

Decameron (1971) * * *

Os Contos de Canterbury (I Racconti di Canterbury, 1972) * * *

As Mil e Uma Noites (Il Fiore delle Mille e Una Notte, 1974) * * * *

Saló ou os 120 Dias de Sodoma (Salo o Le 120 Giornate di Sodoma, 1975) * * * * *



Escrito por sérgio alpendre às 23h25
[] [envie esta mensagem] []



O Descarte e outros descartes

- O Descarte (foto) foi o mais próximo que Anselmo Duarte chegou de Walter Hugo Khouri. Casarão, mulher perturbada, uma outra mulher confinada no alto da casa... No entanto, ficou longe do intimismo e da sensualidade do diretor de Eros. Glória Menezes está bem como a mulher que recebe cartas ameaçadoras e Mauro Mendonça é um detetive que só acredita no óbvio. Mas o personagem assustador mesmo é o de Fernando Torres, e disso ficamos sabendo ainda na primeira metade do filme. É uma obra bem estranha, cheia de altos e baixos. Bem de acordo com um cineasta que geralmente batia na trave, com a exceção de O Pagador de Promessas.

- Li por aí (no Setaro e em outros lugares) sobre a má educação do atual espectador de cinema. É verdade. A coisa piorou muito nos últimos anos, e o elemento de maior incidência entre as grosserias é o celular. Para cada pessoa preocupada em tapar a luz parece existir umas cinco que atendem o aparelho sem pestanejar no meio da sessão. Tudo bem que somos todos um pouco escravos dessas facilidades bestas dos novos tempos, mas não conseguir ficar sem atender um celular é caso para psiquiatria.

- Hoje foi dia de escutar televisão, como sempre que o trabalho aperta. Escutando televisão deu para perceber: que o Bial tava muito mal humorado no Big Brother (o primeiro que eu acompanho de longe desde o número 5 - bem, o 6 eu não vi direito, mas conhecia as pessoas melhor do que agora); que os comentaristas da ESPN não entendem tanto do riscado do Futebol americano e por isso ficaram sem explicar a razão de um safety contra o Pittsburgh Steelers (que, no final, se sagrou campeão do Super Bowl); que o Canal Brasil é bom, mas poderia ser bem melhor.

- Por enquanto, no BBB9, minha torcida é para o Max.

- Chega de narração do Pereio em curtas... chega.

- As Bellas da Billings era uma das minhas lacunas em se tratando de Ozualdo Candeias. Nele há uma sequência muito bonita, logo no início, no Bar Soberano, com Carlão Reichenbach, Inácio Araujo, Jairo Ferreira, o próprio Candeias, e outras figuras que circulavam por ali, mesmo que só de vez em quando. Sequência que celebra um tempo que se foi e não tem mais como voltar. Os que odeiam saudosismo não vão curtir. Final tapa na cara. Belo filme torto.

- Excitação talvez seja o grande filme de Jean Garrett. mas nunca vi A Mulher que Inventou o Amor e Mulher Mulher. Clube das Infiéis é o Claúdio Cunha que menos me impressionou, ainda que tenha algumas cenas de fazer pensar, outras que divertem - como a sequência de amantes descobertos pelos maridos no fim.

- A Warner adiou Gran Torino, de Clint Eastwood, para 20 de março. O que dita o calendário de estréias é o Oscar. Logo, se o Oscar faz besteira, as distribuidoras farão também. É a lei de um mercado de exibição cada vez mais cauteloso, e cada vez mais disposto a ajudar a pirataria.  



Escrito por sérgio alpendre às 01h53
[] [envie esta mensagem] []




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]