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Landau, Burstyn e alguns brasileiros

Pulei um dia. Normal nessa correria maluca que é a Mostra SP. Quarta desisti de um filme brasileiro com menos da metade de sua duração. O filme, Um Dia de Ontem, parecia qualquer nota, mas seria injusto afirmar isso sem ter visto numa cópia decente. Diretor apresentou. Será que ele sabia do estado da cópia, que estava um horror? Sério, fazia mal à vista. Fico me perguntando como esses diretores querem algo do cinema e não ligam que seus filmes passem dessa maneira horripilante. A mesma coisa se deu com o português Fernando Lopes, um veterano que merecia mais respeito. Nesta quinta encarei três brasileiros. O melhor é A Casa de Sandro, de Gustavo Beck. O pior, Insolação, de Felipe Hirsch e Daniela Thomas. Esse último é uma espécie de cruzamento entre Purgatório Eroica (Yoshida) e O Signo da Cidade. Não tinha como dar certo. Entre eles, Natimorto, do qual tenho simpatia, mas não chego a apoiar com paixão, pois tem uma série de tiques meio bestas, como se precisasse mostrar a loucura do personagem com uma câmera mais louca que ele e uma montagem cheia de modismos; e Ainda Adoráveis, que caminha redondinho, até uma torção arriscada perto do fim, e se sustenta bem, graças ao desempenho gracioso de Martin Landau e Ellen Burstyn.

Brilho de uma Paixão (Bright Star, 2009), de Jane Campion * * *

Os atores brilham de fato.

A Casa de Sandro (2009), de Gustavo Beck * * *

Quem é Sandro? A câmera tenta descobrir. Com sucesso?

Natimorto (2009), de Paulo Machline * *1/2

Outro filme de atores. A câmera e a montagem quase entortam.

Ainda Adoráveis (Lovely, Still, 2008), de Nicholas Fackler * * *1/2

Uma boa surpresa. Comove mesmo quando quase se estrepa. Palmas para Landau e Burstyn.

Insolação (2009), de Felipe Hirsch e Daniela Thomas *1/2

Que filhote mais defeituoso de filme de arte...



Escrito por sérgio alpendre às 03h28
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Mostra SP - Dia 27/10

Num dia que começou com a descoberta da Matilha Cultural, espaço bem interessante no Centro de São Paulo, o melhor foi Trilogia II: A Poeira do Tempo, continuação da trilogia iniciada em 2004 por Theo Angelopoulos. A questão é: ele piorou ou é esse tipo de cinema que não empolga mais como nos anos 1990? Seja como for, poucos filmam tão bem quanto ele, ainda que pesem as implicações exageradamente poéticas de suas tramas. Além do mais, prefiro um engessado cafona que se inspirou em Mizoguchi a um indie filipino que não sabe o que fazer com a câmera (Mendoza). Teve debate após a sessão, mas nada de novo ou surpreendente foi dito.

Katalin Varga (2009), de Peter Strickland * *1/2

Ia bem, até o desfecho.

Perseguição (Persecution, 2009), de Patrice Chéreau *1/2

Pesado como um mastodonte, pretensioso à beça e chato de galocha. Pior filme do diretor.

Trilogia II: A Poeira do Tempo (The Dust of Time, 2008), de Theo Angelopoulos * * *

Engessado toda vida, mas a movimentação da câmera continua lenta e impressionante.



Escrito por sérgio alpendre às 02h00
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Mostra SP - Dia 26/10

A foto acima é do melhor filme visto em 26 de outubro: O Banquete, de Hasse Ekman. Foi o primeiro que vi desse diretor sueco, filho do ator Gosta Ekman, que também participa como ator.

A nota patética, segundo o que foi narrado por um espectador via Twitter, aconteceu no debate após a sessão de Sorrisos do Destino, de Fernando Lopes (diretor de Belarmino). Um espectador, sem saber que o que tinha visto havia sido exibido numa cópia nojenta em DVCam, perguntou ao diretor o porquê da opção por uma fotografia sépia e opaca. Será que Lopes viu como seu filme foi exibido? Será que ele não quis enfiar a cabeça no chão depois da pergunta, ou após perceber em que enrascada havia se metido? Enfim, seria o caso de tomarem vergonha na cara e avisarem sempre das condições toscas dos filmes que programam, e tornar essas sessões gratuitas, no mínimo.

Vamos à frieza das cotações:

O Banquete (Banketten, 1948), de Hasse Ekman * * *1/2

O drama dos bem-nascidos.

Meu Lar é Copacabana (Mitt Hem Är Copacabana, 1965), de Arne Sucksdorff * * *1/2

Só agora me dei conta que é Fábula com outro nome... mas me pareceu outra montagem. Não lembrava da narração. Por que diabos não programaram com o nome pelo qual o filme é mais conhecido?

Morrer Como um Homem, de João Pedro Rodrigues * * *

Viagem lisérgica pelo mundo dos travestis.



Escrito por sérgio alpendre às 01h22
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Mostra SP - Dia 25/10

Meu segundo dia de Mostra SP foi completamente dominado por Claire Denis. Incrível seu 35 Doses de Rum, que prefiro ao mais recente White Material - e nisso sei que sou esmagável minoria. A força do olhar de Alex Descas (foto) domina todo o filme, e imprime um tom dos mais emocionais na filmografia da diretora. Encontrei Inácio Araujo, que infelizmente não conseguiu ingresso. Vi no Cinema da Vila (ex-Cinemateca, Sala UOL, Sala IG...), agradável sala da Fradique Coutinho, em Pinheiros.

Alexandre, o Último (Alexander the Last, 2009), de Joe Swanberg * *1/2

Um média-metragem muito bom se terminasse após 40 minutos.

35 Doses de Rum (35 Rhums, 2008), de Claire Denis * * * *

A força dos olhares.



Escrito por sérgio alpendre às 02h58
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Uma bola dentro

É tanta pisada na bola que quando colocam uma dentro do gol dá vontade de dar os parabéns, pelo feito tão raro nestes tempos em que o retorno financeiro parece estar acima do respeito à cinefilia, por mais que esta última não tenha feito nada para merecer o menor respeito.

Trata-se do acesso a alguns filmes por meio de streaming, numa parceria da Mostra SP com o site The Auteurs. É quando o digital não é maldição. Os filmes ficam disponíveis logo após a primeira exibição nos cinemas participantes da Mostra. Ainda são poucos títulos, mas já é uma iniciativa a se comemorar, que permite a quem estiver longe de São Paulo acompanhar alguns dos títulos da presente edição. Recomendo, fortemente, Vencer, o filmaço de Marco Bellocchio.

Eis a lista de filmes (clique nos títulos para ler a sinopse):

13 MINUTOS, Felipe Briso, Gilberto Topczewski (Brazil) – 24/10

A CANTORA DE TANGO
, Diego Martinez Vignatti (Belgium, Argentina, France, Holland) – 28/10

À MARGEM DO LIXO
, Evaldo Mocarzel (Brazil) – 25/10

A VIDA EM BLOCO
, Alfredo Hueck e Carlos Caridad (Venezuela) – 25/10

AMOR EM TRÂNSITO
, Lucas Blanco (Argentina) – 24/10

AQUILES E A TARTARUGA
, Takeshi Kitano (Japan) – 30/10

BR3 (DOCUMENTÁRIO), Evaldo Mocarzel (Brazil) – 24/10

BR3 (FICÇÃO), Evaldo Mocarzel (Brazil)
– 10/24

CORTEJANDO CONDI
, Sebastian Doggart (USA, United Kingdom) – 26/10

DENTRO DA LEONERA
, Nicolas Bénac e Cedric Robion (France) – 25/10

FUTEBOL BRASILEIRO
, Miki Kuretani e Tatiana Vilela (Japan, Brazil) – 26/10

HUGO REI E SUA DONZELA
, Franco de Peña (Poland, Venezuela) – 01/11

KALANDIA – HISTÓRIA DE UMA FRONTEIRA, Neta Efrony (Israel) – 26/10

MOMENTOS DE JERUSALÉM
, vários diretores (Israel) – 27/10

NÓS QUE AINDA ESTAMOS VIVAS
, Daniele Cini (Italy, Argentina) – 24/10

O CERCO
, Toshi Fujiwara (Japan) - 01/11

O JOGO DO PAI
, Michael Glawogger (Germany, Austria) – 28/10

O PEQUENO INDI, Marc Recha (Spain, France) – 27/10

PAPAI FOI CAÇAR PTÁRMIGA
, Robert Morin (Canada) – 24/10

REIDY, BUILDING UTOPIA, Ana Maria Magalhães (Brazil) – 29/10

SIRI-ARA, Rosemberg Cariry (Brazil) – 02/11

TIKIMENTARY, Duda Leite (Brazil) – 24/10

TUDO QUE NOS CERCA
, Hashiguchi Ryosuke (Japan) – 24/10

UM LUGAR AO SOL, Gabriel Mascaro (Brazil) – 28/10

VENCER
, Marco Bellocchio (Italy) – 29/10



Escrito por sérgio alpendre às 16h25
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Digital é maldição

Twitter tem seu lado bom. Marcelo Hessel avisa que A Ressurreição de Adam, aguardado filme de Paul Schrader, está sendo exibido em DVCam na Mostra SP. Um a menos na minha programação. É uma besteira tamanha ver no cinema enquanto tem Blue Ray disponível na internet. Quem viu, ou verá, está assinando embaixo dessa prática tacanha de programar um filme em condições tão ralas. Não tem internet, ou é contra o download? Espere sair em DVD. Faça um favor a seus olhos.

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Por enquanto, não consegui pegar nem no tranco. Vi apenas um filme nesta edição:

Momentos Eternos, de Jan Troell **1/2

Detalhes insólitos e emotivos suavizam a sensação de previsibilidade.

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Amanhã: Alexandre, O Último e 35 Doses de Rum.



Escrito por sérgio alpendre às 02h32
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Hora de voltar a Angelopoulos

No começo deste ano, fiz um post conclamando todos a uma revisão dos filmes de Theo Angelopoulos. Agora, a 33ª Mostra SP nos dará essa oportunidade, ainda que alguns filmes estejam meio escondidos na programação (salas distantes, pequenas, uma só reprise). Republico o post, então.

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Aproveitando o lançamento de Um Olhar a Cada Dia, por cortesia da Lume, proponho uma revisão dos filmes de Theo Angelopoulos, considerando que a maioria, senão todos, estão disponíveis em algum lugar por aí (desde que se tenha banda larga para baixar as raridades, claro).

No começo da década de 90, era moda gostar de Angelopoulos. Por consequência, de todos os filmes gregos, que causavam filas quando exibidos em mostras. Isso aconteceu por causa do imenso sucesso de Paisagem na Neblina, seu melhor filme, que ficou, se não me engano, quatro meses em cartaz no Cinesesc - passando em todos os horários, vale dizer. Agora é moda não gostar, o que é normal. Seus filmes representam um tipo de cinema que deixou um rastro de decepções a partir da década passada, queimando um pouco o circuito de arte com os críticos, talvez com uma boa dose de intolerância.

Em 1995 surgiu Um Olhar a Cada Dia, que entrou em cartaz logo depois da 19ª Mostra SP (1995), para a alegria dos que ansiavam por nova obra de sua autoria. Na época me decepcionei, pois percebi que ele estava se repetindo de maneira incômoda, repetindo tudo o que tinha agradado em Paisagem na Neblina dentro de um tema caro ao cinéfilo: a busca pelas origens cinematográficas da Grécia. Mas faltava um filme, realizado entre um e outro, para saber como havia sido essa involução.

A 20ª Mostra SP (1996), com uma retrospectiva completa de sua filmografia, foi a oportunidade ideal para conhecer melhor seu cinema, suas preocupações estéticas, suas influências. Foi, também, a chance de ver o tal filme do meio, O Passo Suspenso da Cegonha, de 1991, que me arrebatou em cheio na Cinemateca antiga, a de Pinheiros. Saí radiante pois tinha descoberto uma outra obra-prima do diretor, com Marcello Mastroianni e Jeanne Moreau.

O primeiro filme que vi naquela mostra antecipava a parceria de O Passo Suspenso. Era O Apicultor, que Angelopoulos dirigiu em 1986 com Marcello Mastroianni falando grego (aprendeu de ouvido, segundo Angelopoulos).

Nos dias seguintes pude construir mentalmente a cronologia de sua carreira, vendo de maneira desordenada os painéis históricos que ele havia realizado nos anos 1970: Reconstituição, Dias de 36, A Viagem dos Comediantes, Os Caçadores, filmes difíceis, com o foco dividido entre diversos personagens, sendo que apenas um deles tinha status de protagonista: a Grécia. O único que gostei entre esses filmes iniciais foi A Viagem dos Comediantes, gigantesco painel de quatro horas de duração que me obrigou a ficar de pé na Cinemateca por 1/3 de filme, na tentativa vitoriosa de afastar o sono. Valeu a pena. O que mais me marcou nesse filme antológico e complicado foram os diversos momentos em que a alegria coletiva era interrompida por algum representante da ordem.

Em 1980, Angelopoulos inicia uma mudança em sua obra: em vez de compor um complicado painel histórico resolveu centrar suas forças em um personagem, fazendo as alegorias girarem em torno dele. O filme era Megalexandros, com suas três horas e meia de imagens inesquecíveis e discursos confusos. Sua obra seguinte completa a mudança e inicia a melhor fase de sua carreira: Viagem a Citera, a história de um diretor de cinema que pretende realizar um filme em homenagem a seu pai. A história é finalmente inserida de maneira clara, o filme é mais enxuto (duas horas e meia de duração) e as imagens continuam impressionantes, claramente influenciadas por Mizoguchi e Tarkovski.

Essa fase dura até O Passo Suspenso da Cegonha, ainda que seus dois filmes seguintes tenham inúmeras qualidades. Um Olhar a Cada Dia sofre com a esperteza de quem se descobriu um gênio antes mesmo de se confirmar como tal, mas tem grandes momentos, como a dança que viaja pelos tempos, e uma interpretação magistral de Harvey Keitel. A Eternidade e um Dia, chamado jocosamente de Central da Grécia, por sua semelhança com Central do Brasil, também sofre da tal esperteza, mas as imagens hipnotizantes estão lá, e como Angelopoulos já havia aprendido a centrar suas forças em um único personagem, dá a chance para Bruno Ganz brilhar também.

Vi Trilogia 1: O Vale dos Lamentos na Mostra SP de 2005 e não me impressionei. Em 2008 ele lançou a segunda parte, Dust of Time, que conta com Willem Dafoe, Bruno Ganz, Iréne Jacob e Michel Picoli.



Escrito por sérgio alpendre às 21h56
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Rainer Werner Fassbinder

Iniciou-se nesta quarta-feira uma mostra para completistas de um dos maiores diretores de cinema. Está em cartaz no CCBB de São Paulo com o nome Fassbinder: filmes libertam a cabeça. Alguns filmes essenciais não serão exibidos: Num Ano Com Treze Luas, Lágrimas Amargas de Petra Von Kant, Cuidado com a Puta Sagrada, O Medo Devora a Alma, Lili Marlene, O Desespero de Veronika Voss, por exemplo. Ainda assim, o diretor tem tantas obras-primas (é isso mesmo, com ele não é honesto ser econômico), que atração não vai faltar.

Já que a Mostra Internacional de SP está cheia de digitais toscos e filmes que vão estrear depois em circuito comercial (tem as pepitas raras, também - Crônica de Anna Magdalena Bach em 35mm, por exemplo -, mas estas aparecem em cada vez menor número), é bom programar algumas sessões desta mostra curiosa do CCBB, que ainda tem alguns filmes que influenciaram Fassbinder, com destaque para A Grande Jornada, de Raoul Walsh, Imitação da Vida, de Douglas Sirk, e O Leopardo, de Luchino Visconti (os três, infelizmente, passam em DVD).

Entre os filmes de Fassbinder presentes na mostra, recomendo com muito entusiasmo os seguintes:

- Whity (1970, 35mm)

- O Direito do Mais Forte (1974, 35mm)

- O Medo do Medo (1975, 35mm)

- Roleta Chinesa (1976, 16mm)

- Berlim Alexanderplatz (1982, 35mm) dividido em várias sessões.

fora O Amor é Mais Frio Que a Morte, seu primeiro filme, que passou hoje e não reprisa.

E encerro este post com um Top 15 de Fassbinder, por mais dolorido que seja colocar um na frente do outro, entre esses filmes geniais:

1) As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant (1972)

    Martha (1973)

    O Medo Devora a Alma (1974)

    O Desespero de Veronika Voss (1982)

5) O Direito do Mais Forte (1974)

    Roleta Chinesa (1976)

    Num Ano Com Treze Luas (1978)

    Lili Marlene (1980)

9) O Amor é Mais Frio Que a Morte (1969)

    Cuidado com a Puta Sagrada (1970)

    O Comerciante das Quatro Estações (1971)

    Despair (1977)

    O Casamento de Maria Braun (1978)

    A Terceira Geração (1979)

    Lola (1981)

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- obs: Não consegui hierarquizar os filmes individualmente, então coloquei em blocos, com uma ordem cronológica dentro de cada bloco. Os filmes dos dois primeiros blocos são todos obras-primas, sem exagero.

- obs2: Seria injusto colocar um monumento como Berlim Alexanderplatz no TOP.

 



Escrito por sérgio alpendre às 23h00
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Despedida de BH

Mais um festival que termina. Desta vez em BH, onde tenho amigos muito queridos. Encerro a cobertura no Chip Hazard com as cotações do longa de Domingos Oliveira, mais os curtas que vi, aqui ou alhures, da programação do festival.

LONGA:

Todo Mundo Tem Problemas Sexuais, de Domingos Oliveira * * *

Compensa a tosqueira com um humor afiado e com Pedro Cardoso.

CURTAS:

Alto Astral, de Hugo Pierot e Gláucia Barbosa * *1\2

Ressentiu-se da exibição na tela grande.

Amanda e Monick, de André da Costa Pinto * *

O final coloca tudo a perder.

Biografia da Mudança, de Alexandre Carvalho * * *

Tirando a mania de poesia, é bem legal.

C. J.K., de Elisa Gazzinelli e Ana Paula Gazzinelli * *

Doc sobre o Copan de BH.

Minha Avó Comemora Aniversário com Suas Amigas de Hidroginástica, de Leonardo Amaral

* * *

Exercício em contenção.

O Anão que Virou Gigante, de Marão * *1/2

Animação que peca pela lição de moral no final.

Perto de Casa, de Sérgio Borges * * *

O curta permite esse tipo de picaretagem.

Jarro de Peixes, de Salomão Santana *1/2

Não entendi proposta e propósito.



Escrito por sérgio alpendre às 13h12
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Mostra Cine BH 2009

Estou em Belo Horizonte, acompanhando o 3º CineBH. A cobertura pode ser conferida no Cineclick, e, posteriormente, na Contracampo. Como sempre, por aqui listo os filmes vistos, desta vez incluo os que já tinha visto em outras ocasiões, com breves comentários.

Ensaio Sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles *

Cegueira cinematográfica.

Cidade de Deus, de Fernando Meirelles *1/2

Filme brasileiro mais superestimado de todos os tempos.

O Banheiro do Papa, de Cesar Charlone e Enrique Fernandez *1/2

Um pouco abaixo do medíocre.

Independencia, de Raya Martin * * *

Festivalesco em excesso, mas ainda assim, tem seus achados.

Dzi Croquettes, de Tatiana Issa e Raphael Alvarez *

Síndrome de Huguinho, Zezinho e Luisinho.

Entre os Muros da Escola, de Laurent Cantet * * *

Um pequeno retrocesso na carreira do ótimo Cantet.

O Menino Peixe, de Lucía Puenzo *

Simplesmente, sem sentido.

Houve Uma Vez Dois Verões, de Jorge Furtado * * *

Deu Pra Ti anos 90.

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A mostra se encerra hoje. Devo ver mais alguns curtas, incluindo De Volta ao Quarto 666, em que Gustavo Spolidoro retoma as inquietações de Wim Wenders, desta vez com ele respondendo à questão sobre o futuro do cinema; e Todo Mundo Tem Problemas Sexuais, de Domingos Oliveira.

A partir da próxima sexta-feira, Mostra SP, com a esperança de que ainda tenha filmes em película.



Escrito por sérgio alpendre às 11h25
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O lançamento do século

Não é o lançamento em DVD do ano, nem da década. É do século mesmo. O Intendente Sansho, de Kenji Mizoguchi, não tem equivalente em cinema. É tão bom que resiste até ao erro da Lume, que estampou em sua capinha o nome Shando. Já imaginaram? O Intendente Shando? É uma maneira de rir com um dos filmes mais tristes e tocantes de todos os tempos. O preço é salgado (R$ 49,90), mas é o melhor presente que alguém pode receber.

http://www.lumefilmes.com.br/index.php?pg=show_filme&id=108



Escrito por sérgio alpendre às 01h59
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Por um serviço decente

Reproduzo aqui o texto coletivo (capitaneado pelo Pedro Butcher) que rolou no fórum da crítica, pedindo maior respeito da parte dos envolvidos com as exibições digitais. Experiências nojentas como a projeção de Les Herbes Folles, do Resnais, no Festival do Rio, não podem se repetir. Quem quiser assinar a petição, entre aqui:


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A projeção digital chegou ao Brasil com a missão de democratizar o acesso aos filmes e libertar os distribuidores da dependência de cópias em 35 milímetros, cuja confecção e transporte são notoriamente caros. A instalação de projetores digitais permitiria ao público assistir a títulos que dificilmente seriam lançados nas condições tradicionais e ainda ofereceria condições para que espectadores situados longe do eixo Rio-São Paulo (onde se concentram quase 50% das salas de cinema do país) tivessem acesso aos mesmos títulos simultaneamente.

O que estamos vendo, no entanto, é uma total falta de respeito ao espectador no que se refere à exibição do filme propriamente dita. As razões são basicamente duas: projeções incapazes de reproduzir fielmente os padrões de cor e textura da obra e/ou projeções incapazes de exibir os filmes no formato em que foram originalmente concebidos. Sem falar no som, que muitas vezes ganha uma reprodução abafada, limitada ao canal central, muito diferente de seu desenho original.

A adoção da projeção digital pelos dois maiores festivais internacionais do Brasil (o Festival do Rio e a Mostra de São Paulo) e por outros festivais do país, infelizmente, não respeitou o que seriam critérios mínimos de qualidade de projeção de filmes em cinema – algo que é observado com atenção em qualquer festival internacional que se preze. Trata-se de uma situação particularmente alarmante tendo em vista o papel de formadores de plateia que esses eventos desempenham.

Sucessivamente, temos visto um autêntico massacre ao trabalho de cineastas, fotógrafos, diretores de arte, figurinistas, técnicos de som e até mesmo de atores. Apenas para citar um exemplo: Les herbes folles, o novo filme de Alain Resnais, originalmente concebido no formato 2:35:1, foi exibido no Festival do Rio, com projeção digital, no formato 1:78. Isso representou o corte da imagem em suas extremidades, resultando em enquadramentos arruinados, movimentos de câmera deformados e rostos dos atores cortados. Um pouco como se A santa ceia, de Leonardo Da Vinci, tivesse suas pontas decepadas, deixando alguns discípulos de Jesus fora de campo – e da história. Para completar o desrespeito, não há qualquer aviso em relação às condições de exibição e o preço cobrado pelo ingresso não sofre qualquer alteração.

Não nos cabe, aqui, pregar a “volta ao 35mm” nem defender determinada resolução mínima para a projeção digital. Sabemos que, se respeitados determinados critérios técnicos – ou seja, se a empresa responsável pela projeção digital receber do distribuidor o master no formato adequado, se o processo de encodamento for feito corretamente, e se os ajustes necessários para a exibição de cada filme forem realizados cuidadosamente –, a projeção digital pode ser uma experiência perfeitamente satisfatória para o espectador.

Não é isso, porém, que tem ocorrido. Exibidores, distribuidores e os fornecedores do serviço da projeção digital são responsáveis pela má qualidade da projeção e coniventes com esse lamentável descaso geral, que tem deixado críticos e amantes de cinema indignados. É um desrespeito ao cinema e aos seus criadores, mas, sobretudo, ao espectador e consumidor final, que saiu de casa e pagou ingresso para ver um filme.

A situação chegou a um ponto intolerável. Pedimos a todos os profissionais envolvidos com a projeção digital que tomem providências para que tais deformações não se repitam.


Escrito por sérgio alpendre às 01h58
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Quanto Dura o Amor?

Tava pensando o que escrever sobre Quanto Dura o Amor?, de Roberto Moreira. Não sei. Não me parece ter grandes achados, nem graves defeitos. Não é a bomba que eu esperava. Nem mesmo é uma bomba, como Contra Todos. Mas não me diz muito. Ia escrever algumas linhas para a Contracampo, mas desisti. Talvez a única crítica que tenho a fazer diz respeito ao personagem do escritor, que é uma bobeira. Ou dizer que os atores no geral estão bem encaixados, dão conta do recado. Vale encerrar este pequeno post com uma frase positiva, então. Roberto Moreira progrediu muito neste seu segundo longa.

Antes dele vi Salve Geral, de Sérgio Rezende, que se não é a nulidade que eu esperava, é fraco ainda assim, e tem momentos constrangedores, sobretudo no começo. Mas tem mais uma grande interpretação de Andrea Beltrão.

Antes do primeiro, o trailer maior de Lula, Filho do Brasil, de Fábio Barreto. Antes do segundo, o trailer menor. Tanto faz. Pelo que vi, vem aí um filme que terá de ser incluido no currículo de qualquer faculdade de cinema. Para o aluno aprender como não se faz.



Escrito por sérgio alpendre às 22h54
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A lição de Mizoguchi

Republicando um post de 22 de junho de 2008, no antigo chip hazard:

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Ainda Mizoguchi.

Em uma mesa redonda realizada em 1937 *, na qual o mestre, então com 39 anos, é confrontado impiedosamente em alguns momentos, muito se fala de Elegia de Osaka, seu último filme na época. Na primeira intervenção, Mizoguchi diz: "Seria melhor se estivesse presente Yoshikata Yoda (roteirista), que fica completamente à vontade nesse tipo de encontro. Quanto a mim, só digo coisas sem sentido."

Mais adiante, após uma pergunta capciosa, ele responde: "Quando acabo de rodar um filme, como posso dizer... me parece uma merda expelida a duras penas e que dá nojo só de olhar. Quando um filme meu está em cartaz numa sala normal de exibição, fico constrangido em passar em frente àquele cinema, não consigo ir vê-lo."

Vejam bem, frases ditas por um gênio do cinema, um dos maiores.

Quando penso que hoje em dia, com o mar de auto-promoção existente em todos os cantos, pessoas realmente talentosas são tolhidas ou se acanham por não ter estômago para tal prática, me dá uma imensa tristeza. Acredito ser necessária boa dose de autocrítica e insegurança para se alcançar um trabalho realmente bom, em quase todos os ramos em que se lida com um modo de expressão artístico, e a crítica de cinema não seria exceção. No sentido de que só assim podemos exigir mais de nós mesmos, e estar sempre querendo evoluir, aprender (com mais velhos ou mais novos, tanto faz), reler velhos textos, ir atrás de coisas que deviam ter sido lidas, mas não foram por algum descuido... Humildade, se resumirmos em uma única palavra.

O que Mizoguchi disse pode até ser interpretado erroneamente como falsa modéstia, disfarce de quem é consciente do que produz. Mas é, na verdade, uma boa lição, bombardeada constantemente por publicitários espertinhos - dentro ou fora da profissão de origem (a publicidade). Às vezes um ataque de egocentrismo (não me refiro em absoluto ao uso da primeira pessoa) pode ser muito mais prejudicial que a aceitação das limitações, e a compreensão de que algumas dessas limitações podem ser superadas com o tempo.

* no livro Mestre Mizoguchi - Uma Lição de Cinema, organização de Lúcia Nagib. Navegar Editora

 



Escrito por sérgio alpendre às 23h35
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Bastardos Inglórios não mataram Bill

Sei que não descubro a pólvora ao comparar Bastardos Inglórios com Kill Bill. Mas talvez a única sensível ameaça que percorra todo este novo filme de Quentin Tarantino seja justamente essa semelhança, e a constatação que falta a Bastardos justamente a noção de sinfonia que existia principalmente em Kill Bill 1 (mas também no 2).

Como inexiste a preocupação sinfônica* e o diretor optou por uma narração direta e linear dos fatos, com as habituais escapadas no tempo (todas ótimas) e digressões (quase todas fracas), aconteceu de o primeiro capítulo ser o melhor do filme, o segundo ser o segundo melhor, e se desenvolver quase sob um incômodo decréscimo de entusiasmo. O que ocorre é que a salutar ideia de desrespeitar a história só é comprometida porque mexe com o destino do que é de longe o personagem mais carismático de todo o filme: o Coronel Hans Landa da SS nazista, vivido por Christoph Waltz. Mesmo assim, a força do filme é inegável. Algumas sequências, sobretudo na primeira metade, estão entre as melhores que o diretor filmou.

A cena que ilustra este post mostra o momento final do primeiro capítulo, quando o coronel, conhecido como Caçador de Judeus, deixa uma jovem garota judia escapar. Esse capítulo inicial é um primor de tensão, aproveitamento do silêncio, dos olhares, da tensão em cada rosto. Outros momentos sublimes acontecem quando Waltz está em cena, destacando a conversa com a judia que comanda um cinema em Paris.

O momento mais engraçado é o do disfarce de três dos bastardos, que se passam por italianos para entrar na pré-estreia de um filme alemão. Brad Pitt, que exagera um pouco em alguns momentos com suas caretas, está particularmente hilariante com o sotaque terrível de seu patético italiano. Bastardos Inglórios provavelmente é o filme mais engraçado de Tarantino.

TOP (antes da revisão de Pulp Fiction que prometo há anos):

1) Jackie Brown * * * * *

2) Kill Bill Vol.1 * * * * *

3) Kill Bill Vol.2 * * * *

4) Bastardos Inglórios * * * *

5) À Prova de Morte * * * 1/2

6) Cães de Aluguel * * *

7) Pulp Fiction * * *

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* obs: essa preocupação foi ajudada pela narrativa alinear de Kill Bill 1, e consistia no aproveitamento de cada item da banda sonora como um instrumento musical. Até as vozes foram brilhantemente aproveitadas, vide a fala final de Bill a uma desmembrada lutadora de sua gangue.



Escrito por sérgio alpendre às 02h58
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Festival do Rio - 04 e 05/10

White Material, de Claire Denis * * * 1/2

Balada progressiva na África.

O Menino Peixe, de Lucía Puenzo *

Um horror. XXY não era desprezível assim.

Carmel, de Amos Gitai * * 1/2

Ensaio que remete a Esther, Kippur e Diários de Campanha. Vai do quase-sublime ao insuportável.

The Chaser, de Hong Jim-na *

Pessoal tá comparando com o Park Chan-wook, mas lembra mais um Bong Joon-ho débil.

Vincere, de Marco Bellocchio * * * *

Por um cinema viril.



Escrito por sérgio alpendre às 23h33
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Festival do Rio - 02 e 03/10

Black Dynamite, de Scott Sanders * * 1/2

Engraçado, mas um pouco enjoativo.

O Amor Segundo B. Schianberg, de Beto Brant * *

Um passo em falso.

Belair, de Noa Bressane e Bruno Safadi * * *

Homenagem emotiva e reflexiva de um cinema libertário.



Escrito por sérgio alpendre às 18h23
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Festival do Rio - 01/10

Num dia de Bong Joon-Ho e Rithy Panh, o melhor foi o filme dos irmãos Larrieu.

Jericó (2009), de Christian Petzold * * 1/2

Certinho demais.

Mother (2009), de Bong Joon-Ho * * 1/2

Calculado demais.

Uma Barragem Contra o Pacífico (2009), de Rithy Panh * *

"Cinema de qualidade" demais. É o Indochina do século XXI.

Viagem aos Pirineus (2009), de Jean-Marie e Arnaud Larrieu * * *

Literalmente, uma viagem.



Escrito por sérgio alpendre às 00h48
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Festival do Rio - 30/09

Dia de ver dois mestres em ação. Singularidades de uma Rapariga Loura, apesar de ter me decepcionado, é o melhor filme do festival até agora (entre os poucos que vi), junto de O Rei da Fuga. Conto, aqui, com os filmes vistos na mostra SP do ano passado (Khamsa e 24 City).

Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans (2009), de Werner Herzog * * *

Bacana, mas muito abaixo de um Coração de Cristal.

Singularidades de uma Rapariga Loura (2009), de Manoel de Oliveira * * * 1/2

Uma primeira metade genial.

Piquenique (2009), de Adrian Sitaru * *

Câmera subjetiva para todos os personagens? Não rola.



Escrito por sérgio alpendre às 13h10
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