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chip hazard


Durazno Sangrando

- Alguém ainda leva a sério o Oscar? Antes até era divertido ver, por algum motivo que já nem lembro mais qual é. Hoje em dia (um hoje em dia que na verdade já dura uns dez anos), está uma chatice só. Tudo a ver premiar O Artista. Filme chato para cerimônia chata. O que me desanima é que boa parte das pessoas que aplaudem essa bobagem de Hazanavicius não aguentaria dez minutos de um King Vidor dos anos 20. No entanto, Vidor é gênio, Hazanavicius é um Guy Maddin palatável para consumo preguiçoso.

- Dos que concorreram a melhor filme, gosto de Hugo (crítica na Revista Interlúdio) e Meia Noite em Paris. Não estão entre o que os diretores fizeram de melhor, mas ao menos se sustentam. Devo ver Moneyball ainda esta semana.

- Já notaram a ausência de Theo Angelopoulos e Raul Ruiz no obituário do Oscar. Curioso que esse esquecimento ainda escandalize alguns. A Academia é caduca faz tempo.

- Revi Peggy Sue Got Married, que continua meio insosso, e Jardins de Pedra, que é melhorzinho, mas não muito mais animador. São dois projetos de encomenda, que Coppola tentou de alguma maneira tornar ao menos um pouco seu. Revi O Homem Que Fazia Chover também. Desse eu não gostava, mas agora passei a gostar. Mesmo assim, aquela subtrama amorosa é de lascar.

- O livro sobre Coppola que tem na série Masters of Cinema, encontrado em inglês em qualquer grande livraria, é escrito por Stephane Delorme, e é muito bom. Geralmente gosto do Delorme como crítico. Ele andou escrevendo besteira e defendendo filmes execráveis nos últimos meses, mas quando acerta é magnífico, como no tal livro e no recente texto sobre J.Edgar para a edição de janeiro da Cahiers du Cinéma.

- O título do post é uma homenagem a Luis Alberto Spinetta, gênio do rock argentino (líder e principal compositor das bandas Almendra, Pescado Rabioso, Invisible e Spinetta Jade, e de muitos outros discos solo), falecido no começo do ano. Durazno Sangrando é o título do segundo LP da banda Invisible, e foi lançado em 1975.



Escrito por sérgio alpendre às 22h25
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Cada Um Vive Como Quer

Cada Um Vive Como Quer é o Deus Sabe Quanto Amei da Nova Hollywood. Os paralelos são incríveis.

Jack Nicholson é um ex-pianista, assim como Frank Sinatra é um ex-escritor.

Ambos estão desiludidos com a vida, e se envolvem com mulheres tolas ("que não sabem nada mas entendem tudo", João Bénard da Costa).

E se apaixonam por mulheres inatingíveis (apesar de terem experimentado o prazer com elas). Voltam para o lugar onde cresceram por imposição das circunstâncias.

O final de um é trágico, e o plano final é de uma maestria incrível. O final do outro é marcado pela desesperança, mas ao menos a mulher tola estará livre e não será sacrificada. Só que ela pode demorar para entender isso.

Até ontem, quando revi o excelente Cada Um Vive Como Quer, nunca havia imaginado um paralelo entre Bob Rafelson e o grande Vincente Minnelli. Mas tal paralelo, nestes dois filmes, é claro como os ambientes que abrigam boa parte das tramas.

O filme de Rafelson estreia amanhã, em horários especiais, no Cine Olido.



Escrito por sérgio alpendre às 04h02
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A favor e contra, por Luis Buñuel

Uma das imagens do topo do blog: A Idade do Ouro.

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Algumas passagens, com as quais me identifico bastante, da deliciosa autobiografia Meu Último Suspiro:

Detesto a proliferação de informação. A leitura de um jornal é a coisa mais angustiante do mundo. Se fosse ditador, limitaria a imprensa a um único diário e a uma única revista, ambos estritamente censurados. Tal censura só se aplicaria à informação, a opinião permaneceria livre.

Detesto o pedantismo e o jargão. Aconteceu-me de rir até às lágrimas ao ler alguns artigos de Cahiers du Cinéma. Na Cidade do México, designado presidente honorário do Centro de Capacitación Cinematográfica, alta escola de cinema, um dia sou convidado  para conhecer as instalações. Apresentam-me a quatro ou cinco professores. Entre estes, um rapaz corretamente vestido e ruborizando de timidez. Pergunto-lhe o que ensina. Ele me responde: "Semiologia da imagem clônica". Poderia matá-lo.

Tenho horror à multidão. Chamo de multidão toda reunião de mais de seis pessoas.

Gosto da pontualidade. A bem da verdade isso é até uma mania. Não me lembro de ter chegado atrasado uma única vez em minha vida. Se estou adiantado, ando de um lado para o outro em frente à porta em que devo bater, esperando que chegue o momento exato.

Gosto muito das manias. Cultivo algumas, às quais me refiro aqui e ali. As manias podem ajudar a viver. Deploro os homens que não as têm.

Gosto da solidão, contanto que um amigo venha ver-me de quando em quando.

Não gosto dos donos da verdade, quaisquer que sejam eles. Assustam-me e me entediam. Sou antifanático (fanaticamente).

Gosto da regularidade e dos lugares que conheço.

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Pensei inicialmente em reproduzir trechos de todo o livro. Quando percebi, só do capítulo "a favor e contra", que vivo plagiando aqui no blog, já dava um post grande. Fiquemos então com trechos desse capítulo.

Desnecessário dizer que trata-se de um livro obrigatório para quem gosta de cinema. E não é difícil de ser encontrado. A Cosac & Naify lançou uma edição caprichada há pouco tempo, e nos sebos pode-se encontrar as antigas com preço razoável.

Lembro de Tony Ramos, numa antiga Revista da Folha, dizendo que Meu Último Suspiro era seu livro de cabeceira. Não sei se o ator ainda pensa assim, mas é mesmo um livro para ser relido com frequência. Um antídoto para o mau humor.



Escrito por sérgio alpendre às 15h08
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A esquizofrenia é a bola da vez

A Via Láctea, ou O Estranho Caminho de Santiago

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- Passei pelo Itaim-Bibi nesta semana. Meu pai teve comércio na região por 16 anos, então costumava ir muito ao bairro nos anos 80 e 90. Não tenho como ignorar que o caos tomou conta de lá. E que aquele prédio da Faria Lima, visível para qualquer um que pegue a Joaquim Floriano no fluxo do trânsito, seja uma das coisas mais estapafúrdias que eu já vi nesta cidade cada vez mais estapafúrdia (e barulhenta, e fétida, e empesteada por gente sem a menor educação). Já temos o Kassab para destruir a cidade, não precisamos de um monstrengo horrendo como aquele.

- O oásis no bairro é o Sebo Itaim, dos amigos César, José e Júlia. Sempre encontro algo interessante por lá, entre uma conversa e outra. E os preços são de sebo, não de Estante Virtual.

- O infeliz que projetou essa Linha Amarela do Metrô de São Paulo é outro que deve estar mancomunado com o Kassab para destruir a cidade. Não é possível alguma escola ter formado um cidadão desses. Se for um grupo, pior ainda. Não tinha ninguém ali para apontar o óbvio, que a estrutura já nasceria precária para o mundo de gente que iria passar por ali? Quem pega a linha amarela todos os dias tem grande chance de se tornar psicopata a curto prazo.

- Existe futebol ainda no Brasil? Até agora, vi apenas lampejos, em uma partida ou outra. Quem gosta de futebol tem de acompanhar a Copa dos Campeões da UEFA, ou o campeonato inglês. Porque no Brasil está muito chato. Ainda mais para quem acompanhou os inesquecíveis playoffs da NFL. Em tempo: sou partidário dos mata-matas. Dane-se a injustiça nesse caso.

- E esse negócio do Laerte? Não tenho opinião formada sobre isso, mas penso estar havendo um mimimi meio mala da parte dele, não? Entrar na justiça? Será que é mesmo o caso? Tudo bem, um travesti anônimo pode usar o banheiro feminino sem ser incomodado. O Laerte, quando reconhecido, não pode. É meio estranho mesmo. Mas não sei até que ponto é interesse dele diminuir as discriminações contra homossexuais ou apenas vontade de aparecer. A percepção dessa diferença é sempre camuflada pelo politicamente correto, o que é perigoso.

- Cinema? Vai bem, obrigado. Vendo Buñuel estou em paz. Retomo uma paixão do começo da cinefilia, e que volta agora com força, revelando um cineasta ainda mais genial do que eu achava. Da câmera que se esconde em um armário por vinte anos em A Filha do Engano às peregrinações do inacreditável A Via Láctea; do ciúme doentio do respeitável cavalheiro de O Alucinado à anarquia de O Fantasma da Liberdade, com seus padres jogadores; tudo em Buñuel me enche de paixão por cinema (que pensando bem, é nova, porque diferente). Sua obra renova minhas forças como se eu ficasse internado em um spa cinematográfico. É como se eu me tornasse cinéfilo de novo com o sabor da redescoberta de muitos de seus 32 filmes. No próximo post reproduzirei pequenos trechos de sua deliciosa autobiografia, meu livro de cabeceira há mais de vinte anos.



Escrito por sérgio alpendre às 18h36
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Oh, Susana, não chores por mim

Existem alguns chavões difíceis de serem quebrados. Um deles diz respeito a Susana, este adorável filme realizado por Luis Buñuel logo após Os Esquecidos. Tal obra-prima o eclipsou. Algumas declarações de Buñuel, que tinha más impressões mesmo sem nunca ter revisto o filme, fez com que se propagasse a ideia de que Susana seria um filme menor. Dizia o diretor que o final feliz o estragava, que ele nunca deveria ter filmado o final desse jeito.

Ora, diabos, será que nem mesmo ele percebeu a ironia de tudo? Ou teria esquecido (hipótese mais provável)? Porque o fim de Susana, com as coisas voltando ao que eram e até a febre da égua esvaindo-se milagrosamente, é de uma crueldade totalmente buñueliana. Passa-se a borracha em tudo em nome das aparências e que a maior atingida engula o sapo.

Susana ainda é um dos filmes mais eróticos realizados por Buñuel. Salvo falha na memória, é o mais erótico entre todos os realizados no México nos anos 50. Aqui não temos ovo jogado na lente da câmera, mas escorrendo, depois de quebrado, pelas pernas carnudas de Susana.

Existem outros belos filmes desprezados do Buñuel mexicano: Subida ao Céu, Escravos do Rancor, Robinson Crusoe, A Ilusão Viaja de Bonde, Os Ambiciosos. Nenhum é tão bom quanto Susana, mas já está mais do que na hora desses filmes serem celebrados como merecem.



Escrito por sérgio alpendre às 22h26
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A Separação e algumas junções

As Praias de Agnès

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- Filme forte esse A Separação. Ilustra bem a diferença entre os que adotam a câmera cachorro ou suas variações (pernilongo, abstinência alcoólica e quetais) e os que realmente constroem uma dramaturgia. As coisas não são solucionáveis nesse filme de Ashgar Farhadi. Temos problemas comuns, que podem afligir a todos nós, e que não se resolvem num passe de mágica (como é regra no cinema comercial). Muitos dos problemas seriam solucionados se as pessoas envolvidas tivessem bom senso o tempo todo. Não é o caso, no mundo e no filme. Tanto melhor, pois nos afligimos com ele, e nos envolvemos com o talento de Farhadi. E essa escola de atores do cinema iraniano dá um show. Alguns são reconhecíveis do filme anterior de Farhadi, o igualmente ótimo Procurando Elly.

- Longos trechos revistos de Brasa Adormecida, o melhor longa de Djalma Limongi Batista (não vi os curtas). Totalmente amalucado na segunda metade, com Maitê Proença no auge da beleza (algo que rivaliza com Grace Kelly e Ava Gardner) e uma reconstituição de época que é mais divertida do que precisa, o filme tem uma série de referências cinefílicas (Murnau, Buñuel e principalmente Fassbinder são as que me vem à mente agora).

- A pergunta certa não é "como Buñuel passou de dois filmes interessantes mas mancos como Gran Casino e Gran Cavalera para a obra-prima que é Os Esquecidos, seu terceiro filme mexicano", mas "como ele teria realizado dois filmes quase ordinários como os supracitados entre as obras-primas Las Hurdes e Os Esquecidos". Este último impressiona em todos os aspectos. No social, pela maneira como ele insere suas observações da pobreza mexicana na narrativa (camas com estruturas de bronze, por exemplo, pelo qual foi criticado). No onírico, pela feliz conjunção dos sonhos com o enredo, algo deslocado do enredo, mas que nos ilumina para algumas características até então escondidas dos personagens. Fora isso, a movimentação de câmera é primorosa, como em vários dos filmes que Buñuel realizou com mais dinheiro, no México ou fora. E o ovo que se choca contra a lente permanece como uma das imagens mais chocantes do cinema.

- Revisão de As Praias de Agnés, a espetacular esmiuçada na memória de Agnès Varda, que entrou com atraso de mais de quatro anos no Cinesesc (antes tarde do que nunca, diriam com razão os que lamentam a qualidade das estreias semanais no circuito). Legal também porque dá vontade de voltar aos filmes, dela e de Jacques Demy. Texto meu para a Revista Interlúdio: http://www.revistainterludio.com.br/?p=2053



Escrito por sérgio alpendre às 23h00
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Escola Inspiratorium - inscrições abertas

A Vanessa Gouveia e o Bruno Primor, da Inspiratorium, me avisam que estão abertas as inscrições para a Formação de Cinema, curso profissionalizante com duração de dois anos e início em março de 2012.

O time reunido pelo Bruno com a ajuda do Joel Yamagi é de primeira. Humildemente faço parte dele, como um mascote que ainda irá aprender muito com esses feras todos. Entrei como coordenador da linha de História e Crítica, algo que muito me orgulha.

Os demais companheiros de time são Alziro Barbosa, em Fotografia; Cristina Amaral, em Montagem; Luiz Adelmo, em Som; Renata Rugai, em Arte; Renata Saraceni, em Produção e o próprio Joel Yamaji, em Direção e Roteiro.

A Formação de Cinema prevê ainda palestras e bate-papos entre convidados especiais e alunos. Entre os nomes já confirmados estão Andrea Tonacci, Carlos Reichenbach, Roberto Gervitz, mas existem outros.

Visitei a sede da Escola em Janeiro deste ano. As instalações são muito boas e o trabalho deles é sério. Sou suspeito para recomendar o investimento no curso, mas eu diria que é uma oportunidade e tanto para quem quer algo mais livre com boa estrutura (e o Bruno me mostrou o acervo deles, excelente. Nunca tinha visto um número sequer da revista Nosferatu. A finada revista espanhola tornou-se meu novo sonho de consumo).

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INSPIRATORIUM – escola de Cinema e Artes

Rua Pedro Morganti, 51, Vila Mariana.

Telefones: (11) 2619-3111 / 7111

agenda@inspiratorium.com.br

www.inspiratorium.com.br



Escrito por sérgio alpendre às 11h52
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L'Apollonide

Finalmente vi L'Apollonide - Os Amores da Casa de Tolerância, em uma cópia digital sofrível no Reserva Cultural. É um bom filme, bem filmado, com alguns momentos deslumbrantes de encenação aqui e ali (que mereciam projeção à altura), mas está longe de ser a obra-prima que alguns amigos disseram.

Fica bem evidente que Bonello fala também de nossa época, incluindo aí a inserção de um plano final tosco e oposto àquele de O Poder Vai Dançar, de Tim Robbins. No filme de Robbins, tudo se passa nos anos 30 (ou 20, não me lembro bem), e só no final vemos o belo plano da trupe teatral saindo nas ruas de hoje (o hoje de uns doze anos atrás). No filme de Bonello, as pistas se acumulam dentro da narrativa, seja na música pop, seja na tatuagem de uma das prostitutas, ou mesmo no linguajar delas. E no final tudo é escancarado e captado por uma câmera digital de quinta categoria. É também um comentário sobre o cinema. Antes buscava-se a limpidez visual, os cineastas queriam que o público visse as cenas da melhor forma possível, como testemunhas privilegiados. Hoje busca-se a sujeira, o testemunho escondido ou mal visto da realidade crua.

L'Apollonide passa também a impressão de que para Bonello os frequentadores de bordéis são doentes, e as prostitutas frustradas, e o clima pesado se impõe pela escolha dos momentos mais sórdidos - ou mais lúgubres - passados dentro da casa. A exceção é o piquenique que é mostrado bem no meio do filme, um respiro necessário para que o diretor voltasse a investir contra a exploração do corpo e da alma.

Apesar do tema, é um filme relativamente comportado, sem cenas fortes de sexo como as que haviam em O Pornógrafo. L'Apollonide acaba sendo menos excitante que um filme de Cecil B. De Mille dos anos 20 e 30.

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A Contracampo voltou, com novos editores e novos textos. A pauta principal da edição é sobre Paulo Cezar Saraceni, e a seção de críticas foi tirada. Segundo os editores, não há mais sentido em cobrir o circuito comercial. E têm toda a razão. Eu é que sou teimoso e ainda insisto em cobrir, aqui, no UOL e na Interlúdio. Mas sempre protestando contra o baixo nível geral das estreias (como tem ainda como piorar, melhor manter a grita, mesmo que seja inútil).

Voltando à Contracampo, vamos torcer para que a revista reencontre seu rumo com a renovação. Foi onde me formei como crítico, e para onde olharei sempre com carinho.

Leitura recomendada:

http://www.contracampo.com.br/index.htm



Escrito por sérgio alpendre às 15h05
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