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Gosto... não gosto - ep. 2018

Adeus Dragon-Inn, de Tsai Ming-Liang: o cinema habitado por fantasmas

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- Não gosto de 3D. Sempre que há a opção de ver em 2D, é a que escolho. 3D é legal só para crianças. E mesmo assim, para elas deve ser um brinquedo que enjoa.

- Também não gosto de salas de cinema com lugares marcados, uma dessas falsas facilidades do mundo atual. Tenho evitado as salas que adotam esse sistema sempre que é possível. Daqui a pouco sobram só as do Bristol, e olhe lá.

- Não gosto da atual configuração dos cineclubes paulistanos. Por exemplo: está circulando em alguns lugares um pedido de boicote ao CCBB. Dizem que a sala é minúscula, e que é impossível ver uma sessão sequer sem chegar muito cedo para pegar ingresso. Tem razão quem reclama da sala. É muito mal pensada, claustrofóbica e pequena. Não é o lugar para abrigar mostras de cineastas conhecidos como Hitchcock e Bergman. Tinha de ser um local para apresentação de obras pouco conhecidas, de formação, e não essa submissão ao que vai lotar a sala, causar buchicho. Caso houvesse uma preocupação (e a burocracia nojenta não emperrasse tudo que é bom), existem várias salas de cinema abandonadas que poderiam ser utilizadas no centro de São Paulo. Bastava querer para fazer um senhor cineclube. Algo que o Banco do Brasil não quer, obviamente.

- Detesto a burocracia, como já escrevi aqui algumas vezes. E tenho reparado que é algo que aumentou em índices insuportáveis nos últimos anos. A burocracia parte do princípio que todo mundo é trambiqueiro, até que se prove o contrário, e o burocrata é o grande inimigo do bem estar do cidadão. Enquanto esse mal não for eliminado, ou reduzido a um mínimo necessário para o desenvolvimento da ignorância tropical, não teremos um país de verdade, mas um terreno fértil para a informalidade (sobretudo no comércio) e para o crime organizado.

- Não costumo me interessar por extras de DVD, pelo menos a maioria deles. Até fico empolgado quando vejo uma lista de extras apetitosa na capa de algum DVD, mas em 90% dos casos esses extras são supérfluos, e não substituem uma fortuna crítica escrita sobre determinado filme. Diante disso, é sempre ótimo deparar-se com os extras da Criterion, ou da Masters of cinema.

- Odeio marcações de penaltis no futebol. O fato dessa punição existir faz com que um árbitro incompetente como Sandro Meira Ricci (e muitos outros) defina o resultado de muitos jogos com sua cegueira crônica. Não sei exatamente o que entraria no lugar para punir quem fizesse falta dentro da área, mas creio ser possível pensar em algo (o uso da TV para tirar dúvidas, por exemplo) que não dê tanto poder para árbitros medonhos ou mal intencionados.

- Do que eu gosto? De muitas coisas, mas hoje não vou escrever sobre elas. O mundo tá muito chato e a hora é de reclamar.



Escrito por sérgio alpendre às 18h42
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Isla de encanta

- Está no ar, na Revista Interlúdio, a entrevista que fiz com Carlão Reichenbach no começo de 2006, para a extinta Revista Paisà, que fundei em 2005 com o amigo Alexandre Carvalho dos Santos, e que afundou em 2008. Fica como uma homenagem tardia ao amigo, conhecido pela generosidade e vontade de transgressão.

http://www.revistainterludio.com.br/?p=3678

- Aproveitando, alguns de seus filmes estão passando por aí nos cinemas. São tantos os cineclubes, bibliotecas e cinematecas que prestam a merecida homenagem ao Carlão que nem sei mais o que está passando e onde. Sua obra-prima, O Império do Desejo (foto), tem ainda duas sessões na Cinemateca. A cópia em película está novinha. Nem preciso dizer que o programa é obrigatório. Nos últimos dias sei que passou Filme Demência, o preferido do próprio diretor, e hoje no Olido passam outros que existem em cópias de 35mm (Alma Corsária, Garotas do ABC, Bens Confiscados, talvez mais algum). Sua outra obra-prima, Amor Palavra Prostituta, está sumida. Deve ser coisa do Galante.

- Falei em homenagem tardia, e isso tem a ver com o que acredito. Homenagens deviam ser sempre tardias. É necessário primeiro um momento de luto, para nos acostumarmos com a perda, para depois expandirmos nosso sentimento. No dia seguinte a alguma morte de alguém importante, é comum vermos várias mensagens derivativas, vários R.I.P.s, todo mundo querendo se manifestar e demonstrar que sente a perda. Eu costumo ficar em silêncio. Acho que é disso que os mortos gostam: um pouco de silêncio (alguns dias, ou até semanas). Só assim, penso, eles podem descansar em paz.

- Como seria um acinte falar de Na Estrada, o novo filme de Walter Salles, no mesmo post em que falo do Carlão, darei penas uma palha: é ruim, mas menos que Linha de Passe. E no geral eu concordo com a crítica do Heitor, que pode ser lida aqui:

http://www.revistainterludio.com.br/?p=3710

- Filmes saindo aos borbotões em DVD. Logo mais teremos críticas de alguns deles na Interlúdio. A grande maioria é da Lume, única distribuidora que manda DVDs para nós. O destaque vai para O Homem dos Olhos Frios, o sensacional western de Anthony Mann com Henry Fonda (a única vez em que Fonda atuou em filme do Mann), mas há também Gremlins 2, vários do Fritz Lang (incluindo a raridade Moonfleet, previsto pela Versátil para o decorrer do semestre), Sob o Sol de Satã, alguns do Wim Wenders, da época em que ele era bom (Alice nas Cidades, Tokio Ga) e muito mais.

- Outro dia comprei um DVD de um filme que adoro, Legião Invencível, do John Ford. Faz parte da obrigatória trilogia da cavalaria americana, que compreende ainda o anterior Sangue de Heróis e o posterior Rio Grande. Comprei o DVD, que é desses de banca, numa daquelas lojinhas do centro de São Paulo, por 10 reais. Minha surpresa é que o filme vem dublado, sem outra opção, e com uma imagem claramente captada de uma TV com antena externa (em dia de chuva). É caso de polícia, não?



Escrito por sérgio alpendre às 16h13
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Burton, Allen, Mann, TV.

Penelope Cruz no último de Woody Allen

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- Vi Sombras da Noite na terça passada. Saí decepcionado do cinema, mesmo tendo gostado de alguns trechos. Com o passar dos dias, o filme cresceu na memória. Os momentos bons prevaleceram: o McDonalds sendo confundido com um templo a Mefistófeles, Alice Cooper como a mulher mais feia que o vampiro já viu, o duelo entre Johnny Depp e Eva Green. Os maus, parecem menores, embora irritem: o prólogo que explora a grife Burton meio preguiçosamente, o exagero típico de filme de ação no desfecho, a maneira fútil com a qual o problema é resolvido.

- Gostei do novo do Woody Allen também, Para Roma Com Amor. Não achei preguiçoso, pelo contrário. Achei até arriscado em sua breguice e em sua proposta episódica. Daí vem sua irregularidade, com alguns núcleos de personagens negando fogo (o pequeno romance entre Jesse Eisenberg e Ellen Page, por exemplo, só não é totalmente furado por causa da presença bogartiana de Alec Baldwin).

- Complementando o post da decadência do cinema, duvido que surja, na Hollywood do século 21, filme tão bom quanto O Homem dos Olhos Frios, de Anthony Mann, recentemente lançado em DVD no Brasil. Esse tipo de segredo, definitivamente, se perdeu.

- Ainda como complemento, é triste notar que a TV fechada de hoje é bem inferior à TV aberta de 30 anos atrás, e a TV aberta de hoje, na maior parte, é uma excrescência. Tentei ver Pânico na Band agora há pouco. É sem graça e editado de maneira muito porca. Os programas esportivos são imbecilizantes, e a transmissão dos jogos idem (apesar disso: Vai, Corinthians!). Estou chovendo no molhado, eu sei. Mas é sempre bom lembrar que a TV paga está indo para caminho semelhante. O que nos espera?

- Esse lance de esperar fidelidade de um personagem de quadrinhos quando adaptado ao cinema é uma bobagem. Sim, estou falando do Homem Aranha. Ainda não vi, mas o fato de ser mais fiel à HQ não o faz ser melhor que os dois primeiros do Sam Raimi.



Escrito por sérgio alpendre às 23h24
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Algumas palavras provisórias sobre a decadência do cinema

A grita no Facebook contra um texto recente que prega a decadência do cinema é um ótimo exemplo de como a tal rede social prima pela estupidez. "Como o cinema está decadente? Será que esse cara não viu tal, quetal e vorbital filme?", dizem alguns incautos. O protesto é feito como se alguns exemplos de filmes bons (ou muito bons, que seja) fossem garantia de que essa decadência não existe. Um outro argumento, igualmente bisonho, fala em desconhecimento do que está sendo feito. Bem, esse argumento é facilmente combatido pelo que indica o desconhecimento do que já se fez, o que me parece mais gritante e evidente do que nunca.

Há os que cismam em desconfiar do novo, sempre, como se do novo só viesse a perdição, ou a contaminação. É histórico na arte, não vai mudar. Há também os que insistem em encontrar sempre algo bom para elogiar, propagandear, dividir. Porque dessa forma não se passa por antipático, enjoado, esnobe ou outra coisa qualquer. Passa-se por generoso, antenado. Finalmente, há as pessoas de mente livre, que gostam ou odeiam independentemente da época em que cada filme (cada obra de arte) foi feito. São raros, mas estão por aí. Podem concordar ou não com a decadência do cinema. Podem argumentar inteligentemente ou com imbecilidades como as exemplificadas no parágrafo anterior.

Outro dia fui acusado aqui de entrar na onda daqueles que sempre disseram, com o correr dos anos, que o passado era melhor. Logo eu, que idolatrei Greenaway (para ficar em só um de muitos exemplos) no passado, e hoje mal posso chegar perto da maior parte de seus filmes. Não é por aí, pessoal. O caminho é muito mais pantanoso.

Recentemente descobri Hanyo, tido como um dos grandes clássicos do cinema coreano. Achei uma bobagem. É de 1960, ano em que diversos grandes filmes foram feitos, em número evidentemente superior a qualquer um dos últimos vinte anos. A mesma coisa aconteceu com O Importante é Amar, filme de Zulawski lançado em 1975. Na revisão, revelou-se frouxo, inconsequente, embora seja mais bem filmado do que 99% dos filmes contemporâneos. Da mesma maneira, inúmeros belos filmes foram feitos nos últimos anos. A questão é que eles fazem parte de uma porção cada vez mais minoritária, e normalmente são soterrados por dezenas de abacaxis.

Não estou pensando só do circuito não. Falo do que não chega também. Recentemente inventaram a onda do cinema romeno, uma bela de uma falácia. Agora é o cinema russo, igualmente pobre, como pude ver na última Mostra SP e com a ajuda da internet (e esse Loznitsa, com o fraco Minha Felicidade, tem enganado muita gente).

Assim fica fácil. Elegem-se abacaxis como grandes filmes e falam que a decadência do cinema é balela. É mais fácil um filme hoje tido como genial se revelar picareta com o passar do tempo do que o contrário. Logo, esse pessoal que elogia qualquer porcaria deveria tomar mais cuidado. 

Raramente concordo com o André Barcinski (autor do texto em questão). Claramente não rezamos com a mesma cartilha, se é que a metáfora serve aqui. Mas ele acerta quando diz que muitos filmes depois de um tempo passaram a ser feitos e pensados para o mercado de home video. Já era assim nos anos 80, quando Spielberg reconhecia que fazia os enquadramentos pensando na tela cheia da televisão. Só agravou-se nos anos seguintes. Os yuppies tomaram conta de Hollywood e das grandes produções. O cinema de arte há muito virou peça de grife, com fotografia publicitária clean (vide esse horrendo filme italiano que está fazendo sucesso no circuito de arte porque a maior parte do público só pensa em história, nunca em cinema).

Barcinski também é simplista, de certo modo. Existem muitos outros agravantes para tal decadência, e a maior parte delas passa por fora do cinema, ou mesmo das engrenagens de produção. Qualquer dia arrisco entrar nessa seara, mas tem muito a ver com o pensamento de um filósofo (seria o Agamben?) que há alguns anos escreveu sobre a dominação do nazismo na sociedade atual. Essa dominação existe, é evidente no mundo todo, e dita o que o público quer e deve ver. Claro que existe a exceção. Mas esta vem sempre em desvantagem, atropelada pelos oportunistas de sempre e sabotada pelo oba-oba contumaz.



Escrito por sérgio alpendre às 02h44
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