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Clement Greenberg

Lembro de três grandes confluências intelectuais em minha vida (deve ter mais, mas agora são essas que lembro). Foram descobertas ou indicações que vieram não para influenciar meu pensamento, meu modo de ver a vida e o mundo, mas para expor em melhores palavras aquilo que eu mesmo pensava de maneira trôpega, mal formada.

Isso se deu, como eu dizia, três vezes de maneira brutal. Primeiro com Luís Buñuel, no início da cinefilia. Logo depois, ou ao mesmo tempo, com Emil Cioran e sua visão crítica do mundo (visão que alguns chamam de pessimista). Em terceiro lugar, já neste século, com Clement Greenberg. Os dois primeiros eu fui buscar. Greenberg me foi indicado.

Quem me indicou o grande crítico de arte americano foi o Luiz Carlos Oliveira Jr, quando, num de nossos inúmeros e saudosos papos, ele me disse que aquilo que eu lhe falava com certa convicção tinha fortes semelhanças com o que ele tinha lido de Greenberg. Me indicou, assim, O Debate Crítico e Estética Doméstica. Pois encontrei mesmo, muito do que eu pensava, exposto com maior clareza e eloquência nas páginas do segundo livro, principalmente. Tanto nos ensaios da primeira metade quanto nas conferências com alunos da segunda. Desde então, recomendo Estética Doméstica e outros livros de Greenberg em aulas.

Segue um trecho do brilhante ensaio "Convenção e Inovação", presente em Estética Doméstica, relido para o curso de crítica que estou ministrando com Inácio Araujo:

"No passado, talvez se reconhecesse mais facilmente - mesmo se apenas implicitamente - que, a fim de romper com uma convenção, era necessária dominá-la ou, se não isso, pelo menos entender ou apreciar sua razão de ser. Blake, e Whitman também, estavam suficientemente imbuídos do verso métrico para serem capazes de superá-lo de modo mais ou menos efetivo ou, no mínimo, interessante, e adotarem o verso livre. Joyce precisou dominar o passado literário a fim de fazer o que fez com muitas convenções  consagradas da narrativa. Schoenberg precisou absorver a tonalidade clássica até os ossos antes que pudesse abandoná-la, como o fez. Manet conhecia do avesso a convenção de séculos da modelagem e do sombreado que violou tão radicalmente. Pollock era versado o bastante em todos os precedentes da composição e tratamento que violou. Picasso era um profundo conhecedor da tradição ocidental da escultura monolítica quando rompeu com ela, como fez em suas construções-colagens.

Não é minha intenção insistir que todos os inovadores foram, ou tiveram de ser, eruditos no sentido pleno, o sentido corrente. (E de qualquer modo, a erudição artística, a de que um artista necessita, é menos uma questão de conhecimento do que de gosto, de consciência desenvolvida em determinada direção. Shakespeare aparentemente não possuía tanta erudição livresca quanto Ben Jonson, mas era artisticamente mais erudito, ou seja, seu gosto era mais amplo e mais profundo.) Tudo o que digo é que a história não mostra nenhum caso de inovação significativa em que o artista inovador não conhecesse e dominasse a convenção ou as convenções que modificava ou abandonava. O que significa dizer que submetia sua arte à pressão dessas convenções, enquanto as modificava ou rechaçava. Que não precisava sair em busca de novas convenções para substituir as que deixava de lado; suas novas convenções emergiriam das antigas simplesmente por meio de seu embate com as antigas. E estas, não importa quão abruptamente descartadas, de algum modo permaneceriam lá, como fantasmas, e como fantasmas governariam".


Escrito por sérgio alpendre às 21h51
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38ª Mostra SP vem aí

O cinéfilo paulistano que estiver desanimado com a Mostra SP pode tratar de se reanimar. Na coletiva de imprensa realizada neste sábado, uma série de quitutes de primeira linha foram anunciados, entre os quais a exibição especial dos três longas monumentais que Victor Erice dirigiu.

Na enorme retrospectiva do diretor, produtor e distribuidor Marin Karmitz, filmes essenciais como Mélo (Alain Resnais), A Noite de São Lourenço (Paolo e Vittorio Taviani), Salto no Vazio (Marco Bellocchio), O Apicultor (Theo Angelopoulos), Um Assunto de Mulheres (Claude Chabrol), O Carvalho (Lucian Pintilie), O Vento nos Levará (Abbas Kiarostami), Conto de Cinema (Hong Sang-soo) e Atirem no Pianista (François Truffaut).

Tem ainda três filmes de Noboru Nakamura, discípulo de Yasujiro Shimazu, um dos mais importantes cineastas japoneses. Lar Doce Lar (1951) e Paixão Mórbida (1964) são imperdíveis. O primeiro lembra Naruse, tem atores frequentes em Ozu e diretor de fotografia de Mizoguchi. O segundo está em sintonia com a Nuberu Bagu e com alguns filmes de Yasuzo Masumura. O outro, Quando a Chuva Cai (1957), é mais convencional e moralista, mas tem qualidades.

E a lista não acaba: O Homem e Sua Jaula (Fernando Coni Campos), O Circo (Charles Chaplin), O Velho do Restelo (curta de Manoel de Oliveira), A Hora e a Vez de Augusto Matraga (Roberto Santos), Falstaff (Orson Welles), foco Espanha, com filmes clássicos de Buñuel, Edgar Neville, Arturo Carballo, entre outros, e ainda uma sessão especial Aloysio Raulino. 

A relação de filmes já está no site da Mostra. Certamente tem mais.


Escrito por sérgio alpendre às 02h18
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