Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, Homem





Histórico


Outros sites
 revista interlúdio
 antigo chip hazard
 meu blog musical: melomania
 blog da Eide
 alessandro coimbra blog
 amor louco
 ainda não começamos a pensar
 almanaquito
 ana paul multiply
 arqueologia da mise en scène
 aqui jazz lucas
 as aranhas
 assim está escrito
 balaio porreta 1986
 bangalô cult
 berghof
 blog do chiquinho
 bruno yukata saito
 cerrado cerebral
 canto do inácio
 cine análise
 cid blog
 cinearquivo irritante
 cine art
 cine resort
 cine do beto
 cinecasulofilia
 cinema com cana
 cinema cuspido e escarrado
 cinema de boca em boca
 crítica de cinema em portugal
 crítica retrô
 cinema de invenção
 culture injection
 cinenetcom
 dias felizes
 dementia 13
 da multidão
 dicionários de cinema
 diversita
 diário de um redator
 diário de um cinéfilo
 discurso-imagem
 do desastre ao triunfo
 duelo ao sol
 e agora para algo completamente diferente
 egolog
 enquadramento
 estranho encontro
 era uma vez na paraíba
 fabito's way
 esperando godard
 filmes para doidos
 filmes que só eu vi
 filmes do chico
 foco potiguar
 fora de quadro
 fotograma experimental
 herax blog
 hollywoodianas
 ilustrada no cinema
 in a glass house
 in a lonely place
 in the mood for cinema
 kino crazy
 kinos
 liga dos blogues cinematográficos
 lights in the dusk
 loged
 los olvidados
 medo do quê?
 marginal notes while filming
 merten
 meu nome não é superoito
 multiplot
 muvucofobia
 nada alucinatório
 noitada
 no extracampo
 nudo e selvaggio
 nitrato, acetato e poliéster
 na minha rolleiflex
 o caminho alternativo
 o cantinho do ócio
 o cinema e a pessoa
 o falcão maltês
 o lugar do sangue
 o olhar implícito
 o dia da fúria
 o esporte favorito dos homens
 o perseguidor
 o olho do furacão
 o planalto em chamas
 o signo do caos
 o signo do dragão
 o touro enraivecido
 olho cinematográfico
 olhos de caleidoscópio
 olhos livres
 olho de hochelaga
 paralelismo
 paragrafilme
 palavras do bruno
 passarim
 pagoda reborn
 pela luz dos meus olhos
 pensar enlouquece
 phantom limb
 pickpocket
 querelas cinematográficas
 qualquer coisa
 quotes e tal
 RD - b side
 rebeldes do deus neon
 sempre em marcha
 setaro's blog
 sétima arte e algo mais
 this blog is a movie
 the bridge
 toca do cinéfilo
 tudo é cinema
 vá e veja
 viver e morrer no cinema
 urso de lata
 watalandia
 zé geraldo couto
 zanin
 a film by
 chris fujiwara
 Chronic'art
 cinema em cena
 cinema escrito
 cine players
 cinemascope
 cinemascópio
 cinequanon
 cinética
 contracampo
 dvd beaver
 filmescópio
 film comment
 filmologia
 filmes polvo
 Foco
 green cine
 la furia umana
 moviola
 multiplot
 reverse shot
 taturana
 rouge
 UOL cinema
 zingu


chip hazard


De um Oliveira a outro

Não faço obituários no blog, a não ser quando se passa um tempo, o tempo do luto, de nos acostumarmos à vida sem o falecido.

Para Manoel de Oliveira, abro uma exceção.

Primeiro porque tenho uma relação muito forte com Portugal, desde que, criança, ficava lendo os jornais de meu avô e acompanhando os resultados do campeonato português. Sei lá por quê, torcia para o Boavista, que anos depois descobri ser um time do Porto.

Mais de trinta anos depois, conheço o Porto, o mesmo Porto de Manoel de Oliveira, e de O Porto de Minha Infância, uma de suas obras-primas. Conheço o Douro, rio mágico que brilhou em tantos de seus filmes, a começar pelo primeiro, Douro, Faina Fluvial.

Um anjo, Manuel Mozos, facilitou meu encontro com o mestre. Mas não consegui completar a comunicação. Algo em mim dizia que eu não devia insistir. Não insisti. Tentei só no meu primeiro dia inteiro na cidade.

Agora Manoel de Oliveira se foi. Poucos dias depois de eu ter passado por sua cidade, ter quase comprado um livro sobre ele em Paris, ter passado doze horas numa viagem de ônibus de Paris a San Sebastián (na hora, foi tortura, agora, é história para contar aos netos que não terei).

San Sebastián, cidade mais linda e mágica que conheci, aliviou minha dor. De algum modo, a vista do ponto mais alto da cidade me aproximou do mestre. Senti que estava perto de onde ele deve estar agora. Num céu azul azul, com lua e sol ao mesmo tempo, banhando um mar de beleza indescritível.

Os filmes. Gosto de todos. São capítulos essenciais da História do Cinema. Tenho cá meus preferidos: Amor de Perdição, Francisca, O Sapato de Cetim, Meu Caso, Non ou a Vã Glória de Mandar, O Dia do Desespero, Vale Abraão, O Convento, Palavra e Utopia, Porto de Minha Infância, O Princípio da Incerteza, O Quinto Império, Espelho Mágico, Belle Toujours, O Estranho Caso de Angélica, O Gebo e a Sombra... mais algum, certamente, que devo ter esquecido.

São muitos, sim, porque o homem era simplesmente um dos maiores em sua arte.

Apertei sua mão após a sessão de O Quinto Império. Estava com três amigos. Lembro de ter agradecido por mais uma obra-prima. Sua resposta: "O texto é muito bom". Depois, referindo-se às pessoas que saíram no meio da sessão, completou: "infelizmente as pessoas não têm mais paciência para um bom texto". É clichê, mas vou dizer: o cinema ficou muito mais pobre sem ele.

Por que de um Oliveira a outro? Acontece que meu pai se chama, justamente, Manoel de Oliveira (com um Messias no meio). Herdei seu último nome, vem depois do Alpendre, que é da minha mãe e do meu avô (o mesmo dos jornais e sotaque portugueses).



Escrito por sérgio alpendre às 19h59
[] [envie esta mensagem] []




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]