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Filmes no circuito

Sempre reclamo do cinema no circuito, e acho até que nem faz mais sentido reclamar. É causa perdida. Mas é fato que neste ano a coisa está um pouco melhor (ou menos pior, para ser justo). Tivemos, desde o início, e sem contar estreias necessárias (ou por serem blockbusters, ou por serem brasileiras), alguns filmes de inegável força, dos quais os melhores e mais ousados do ponto de vista comercial, penso, são Noites Brancas no Píer e Winter Sleep.

O primeiro é do veterano Paul Vecchiali, que renasceu na França, recebendo homenagens e retrospectivas em todo canto (e um certo menosprezo da Cahiers du Cinéma). Quando o selecionei para o FICBIC 2014, achei que era uma escolha arriscada, mas necessária. Vi alguns cinéfilos extasiados por causa do filme, o que foi recompensador, mas infelizmente ele não causou o mesmo encanto no circuito. Pudera, o público de cinema está muito mal acostumado.

O segundo é de Nuri Bilge Ceylan, que nunca tinha realizado algo dessa estatura: um longa com mais de três horas, atenção voltada aos detalhes, às menores nuances nas relações humanas. Um filme raro, que por causa de sua longa duração e a despeito da premiação máxima em Cannes, estreou mal, em poucos horários, poucas salas, quando merecia muito mais.

É pouco se contentar com apenas duas apostas mais arriscadas (Depois da Chuva e Sniper Americano chegariam de todo modo, ainda que o filme baiano tenha demorado para encontrar seu lugar no circuito, e O Abutre e O Ano Mais Violento não chegam a ser arriscados). Timbuktu é outro grande filme, mas de lançamento justificado, no fim de janeiro, pela indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

No segundo semestre a situação normalmente esquenta, então dá para prever que 2015, pelo menos no circuito comercial paulistano, será melhor que 2014.



Escrito por sérgio alpendre às 00h44
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Mad Max: Estrada da Fúria

Pessoal tem elogiado bastante esse novo Mad Max. Bem, acho que mais do que isso: o pessoal está embasbacado com o filme. Não creio que seja para tanto, e fui sem grandes expectativas, porque já acostumado com essas supervalorizações (eu mesmo cometo algumas de vez em quando).

É fato que George Miller é um diretor muito melhor que os Marvel boys, e que sua direção, mesmo na ação alucinante, não deixa de lado um cuidado com o espaço onde se dá a encenação. Em um ou outro momento você vê umas mudanças estranhas nas posições das carangas, mas nada muito aviltante.

Incomodam mais o excesso de música (ainda que exista um comentário interessante sobre isso na própria narrativa - o cara com a guitarra é insano) e o tom meio piegas de redenção. Mas têm momentos interessantíssimos como o da travessia do terreno infértil, com água contaminada e habitado por corvos e homens com perna de pau. Uma imagem realmente impactante.

O exagero das cenas de ação são aquilo lá, para não ser levado a sério mesmo. Um setentão se divertindo a valer por trás das câmeras. Não é a maravilha que pintam. É meio que um desfile de escola de samba, só que mais divertido. E é muito melhor do que esses filmes de super-heróis atuais.


Escrito por sérgio alpendre às 00h40
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...

Dia desses Inácio Araujo reclamou da postura de Joaquim Pedro de Andrade em alguns filmes, uma postura de quem está acima de seus personagens, de quem os julga. Disse também que isso não costuma incomodar as pessoas, mas o incomoda. Acho bem o contrário. Os críticos normalmente se incomodam com isso. Eu não. Ou raramente me incomodo. Lembro que na Contracampo alguns diretores eram atacados justamente por esse tipo de postura "de cima" (lembro de Werner Herzog, mas havia outros). Na lista de discussão interna da revista, eu ficava praticamente sozinho defendendo Meu Melhor Inimigo. Inácio reclamou justamente de um dos meus preferidos do grande Joaquim Pedro, Guerra Conjugal.

Nunca entendi muito bem essa bronca contra quem julga. Creio que da inteligência e da honestidade vem uma certa arrogância, que pode se manifestar ou não. Hoje em dia há uma tendência de cercear uma manifestação mais contundente de julgamento, como se fosse um grande pecado. Existe com frequência um sentimento de superioridade em quem lida com crítica, pensamento, coisas fora de moda. Mas muitas vezes esse sentimento vira rapidamente ao contrário. Surge um sentimento de inadequação, de não ter jeito para as coisas, de ser um completo idiota. Esse sentimento efêmero de superioridade, aliás, é o que nos move. Porque nós, que lidamos de alguma forma com arte (escrevendo críticas ou dando aulas, no meu caso), sofremos o diabo porque somos autocríticos, inseguros, ansiosos. Se nos tirarem esse breve olhar de cima, o que sobrará de nós?



Escrito por sérgio alpendre às 00h09
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De volta, de novo

- Surgiu uma foto de um multiplex em Bauru (mas podia ser em qualquer lugar do Brasil), em que as cinco salas exibem Velozes e Furiosos 7, dublado. Fábio Porchat, o comediante, compartilhou, e nos comentários alguns malucos defenderam o multiplex dizendo palavras que não ofendem, de tão burras. Uma delas diz respeito à necessidade de o cinema lucrar. E eu fico pensando: como lucrar exibindo apenas um filme? Ou se está falando de um público lobotomizado por completo, ou de uma estratégia burra do exibidor, ou pior, de algo mais escuso, que justificaria a onipresença do blockbuster americano (um incentivo da major, provavelmente).

- Falando nisso, Adilson Mendes flagrou a Cinemateca Brasileira com grandes logos da Warner. Já está tudo dominado mesmo?

- Volto dos 20 dias passados entre Portugal, França e Espanha. Deprimido, porque confirmo que não estou mais na civilização. Angustiado, porque o Brasil parece se encaminhar muito rapidamente para um fundo de poço que parece ser nossa condição. Desmotivado, porque em Madri e San Sebastián pude constatar (ou confirmar) que aqui no Brasil não existe cinefilia. Como existir, se livros sobre cinema simplesmente não vendem, e por isso saem cada vez menos, ocupam menos espaço nas livrarias, são pouco lidos?

- Mas a vida continua. Continuo dando aulas, escrevendo para a Folha de S.Paulo, tentando atualizar este blog e escrever para a Revista Interlúdio, participando do poeiraCast, jogando sinuca sempre que posso e ouvindo muita música (Steely Dan, Van der Graaf Generator, Ian Gillan, Deep Purple, Led Zeppelin, Gentle Giant, Moody Blues, Estelle, Arctic Monkeys, Depeche Mode, Picassos Falsos, Chico Buarque, Sérgio Sampaio foram os últimos). Também continuo a ler vários livros ao mesmo tempo e a rever filmes com imenso prazer, redescobrindo e reavaliando coisas.

- Ouvindo também Def Leppard, banda de que sempre gostei, e retomei por causa de uma excelente entrevista com Joe Elliott, o vocalista, no canal Bis.

- Encerrando em chave cinematográfica: revi A Noviça Rebelde, do sempre subestimado Robert Wise, após uma ótima conversa com o mestre Francisco Conte. Ele tem razão. É mesmo um filmaço. Godard (alguns faux-raccords) e expressionismo alemão (nas cenas do convento e devemos lembrar que a história se passa numa Áustria prestes a ser ocupada pelos nazistas) encontram George Cukor. É doido assim.


Escrito por sérgio alpendre às 00h07
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