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10º CineOP

Estive novamente na adorável cidade histórica de Ouro Preto para a décima edição do CineOP, um dos festivais de que mais gosto. Gosto por ser o evento que discute história, que busca filmes perdidos e discute temáticas do cinema brasileiro do passado.

Foram apenas três dias. A intenção era fazer um diário para a Interlúdio. Como dormi muito mal no dia em que cheguei, não consegui aguentar o tranco. Vi vários filmes, não escrevi sobre nenhum. Só três dias, pensei. Melhor deixar tudo para o balanço final.

E cadê o balanço final? Deve entrar até domingo na Interlúdio.

Sabem como é: achei, como sempre, que ia chegar de lá, pegar as anotações e transformar logo em texto. A saúde vem antes, contudo, e eu precisava ir ao médico, buscar exames, preparar textos para a Folha e a fala de uma palestra.

O que vi por lá? Coisas bem bacanas. Não conhecia, por exemplo, os filmes de Gerson Tavares. Pude ver sete curtas e um longa. Dos sete curtas, dois são razoáveis, cinco são muito bons. Lembram os primeiros curtas de Ermanno Olmi para a Edison Volta. O longa é bom, lembrando um sub-Zurlini (algo de A garota com a Valise no tom), e nouvelle vague por outro lado. Um deslumbramento meio infantil com a nouvelle vague francesa que, no entanto, rende algumas cenas bem bonitas. Minha preferida e a de muitos por lá: Jardel Filho cortando o maiô de couro de Norma Bengell, libertando seus seios, de frente para o mar.

Dos novos, alguns curtas bem ruins, com destaque negativo para A Festa e os Cães, do curta-metragista mais supervalorizado do momento, Leonardo Mouramateus (seu A Era de Ouro não é de se jogar fora, mas esse último é constrangedor). Vi também alguns longas bons, como A Paixão de J.L. (quem lembrou de Godard, não errou) e, principalmente, Retratos de Identificação, uma porrada para quem insiste em dizer que a ditadura militar brasileira foi de mentirinha.

Perdi a exibição de Limite. Cópia restaurada recentemente. Tenho em DVD. vai ser o jeito. Mas a exibição causou celeuma. Alguns saíram no meio, reclamando do excesso de grão. Outros saíram reclamando que estava muito limpo. Na dúvida, perguntei para a Luciana Araujo (e a Sheila Schvarzman, do lado, confirmou): era mesmo excesso de grão. Normalmente acho melhor uma restauração que preserva o grão do que a limpeza total. Mas elas me disseram que tinha grão demais, e confio no julgamento delas. Uma pena. Ainda assim, prefiro grão a mais a grão nenhum.


Escrito por sérgio alpendre às 00h51
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Composição, teu nome é Manoel de Oliveira

Non, ou a Vã Glória de Mandar (1990)



Escrito por sérgio alpendre às 02h12
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TOP 10 Jerry Lewis

Em homenagem a um dos maiores gênios do cinema, arrisco aqui um Top 10 de filmes com sua presença, ou como ator, ou como ator e diretor.

1) O Terror das Mulheres (The Ladies Man, Jerry Lewis, 1961)

2) O Otário (The Patsy, Jerry Lewis, 1964)

3) Errado Pra Cachorro (Who's Minding the Store, Frank Tashlin, 1963)

4) A Família Fuleira (The Family Jewels, Jerry Lewis, 1965)

5) O Mensageiro Trapalhão (The Bellboy, Jerry Lewis, 1960)

6) O Mocinho Encrenqueiro (The Errand Boy, Jerry Lewis, 1962)

7) O Professor Aloprado (The Nutty Professor, Jerry Lewis, 1963)

8) O Rei dos Mágicos (The Geisha Boy, Frank Tashlin, 1958)

9) Smorgasbord (Jerry Lewis, 1983)

10) O Fofoqueiro (The Big Mouth, Jerry Lewis, 1967)

NOTAS:

- os cinco filmes que Lewis dirigiu para a Paramount (1960-1964) estão presentes na lista, nas sete primeiras posições.

- três filmes da fase pós-Paramount (1965-1983), estúdio com o qual ele se manteve em briga constante desde antes de estrear na direção. O Otário é uma boa ilustração de seus problemas com o estúdio.

- apenas um filme dos anos 1950, e nenhum filme com a dupla Martin-Lewis. O que mais chega perto de um lugar entre os dez melhores é Ou Vai ou Racha (Hollywood or Burst, de Tashlin, 1956).

 



Escrito por sérgio alpendre às 13h45
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Memória de Helena

Memória de Helena é um típico primeiro filme. Dirigido pelo então crítico David Neves, o filme está cheio de ideias visuais e alusões ao cinema dos anos 60. Tem muito Godard (principalmente no desenho de som, nos cortes abruptos da trilha, no uso da narração), Antonioni (clima burguês decadentista, ritmo por vezes contemplativo), Resnais (fragmentação) e Bresson (a cena do suicídio de Helena, das melhores do filme, tem inspiração clara em Mouchette).

Uma outra cena me deixou impressionado: Helena está em seu quarto observando a janela. Os personagens do filme passam e somem, do lado de fora, como em truques de mágica, ou deslizam pela extensão da janela como se estivessem em uma esteira. Neves usa campo e contracampo, com cada plano durando cerca de dois segundos, às vezes menos, alternando os personagens que passam com a reação de Helena. Efeito Kulechov.

Há outros elementos admiráveis: as amigas brincando com o louva-deus, a chegada impactante de Joel Barcelos, a frágil delicadeza das duas moças (Adriana Prieto e Rosa Maria Penna), a charlatanice divertida de Arduíno Colassanti, o encontro com o tio e suas histórias sobre Diamantina.

Filme irregular, por certo, com seu alusionismo febril. Mas muito talentoso. Mostra um potencial que explodiria na obra-prima Muito Prazer, dez anos depois.


Escrito por sérgio alpendre às 02h36
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Interatividade

Inácio Araujo faz um post clementgreenbergiano falando sobre a interatividade, do qual destaco a passagem abaixo:

Se há uma coisa perigosa no mundo, pior que a bomba atômica, é a interatividade.

Menos por ela em si do que pelo que tem de intimidante. Todos nos sentimos na obrigação de ser interativos, de aceitar o diálogo amplo e blábláblá.

O auge disso eu vejo no Guia da Folha, onde duas pessoas reclamam da exposição Miró.

Um deles diz que é o pior pintor do mundo.

A outra diz que fazia muitos daqueles quadros… na infância.

No entanto, esse pior pintor do mundo goza de uma reputação enorme entre os pintores do século 20.

Diante disso, o espectador tem duas respostas possíveis: a) entender que toda a crítica e história da arte são uma farsa empenhada em difundir falsos valores; b) buscar saber por que se chegou a uma espécie de consenso entre pessoas que conhecem o assunto a respeito pintor espanhol.

O segundo caminho pode ser, obviamente, um pouco trabalhoso. Supõe ir atrás de informações, buscar até eventuais discordâncias, compará-lo a outros pintores, saber qual o pensamento que orienta esses quadros tão “infantis” e que são, necessariamente, diferentes dos que ela desenvolvia na infância.

É mais ou menos assim que se forma um gosto.

Só discordo de uma coisa do texto. Inácio identifica o mal no twitter, e até batiza o post com o nome da rede dos 140 caracteres, mas é evidente que o mal vem de antes. Vem da própria ideia de interatividade. Esse post tem a ver com um mais antigo, de sua própria lavra, em que dizia que o leitor hoje é um consumidor, e como tal exige seus direitos. É parte da falência em que vivemos nesta dita "pátria educadora", em que governos sempre cometem o crime (sim, é crime) de cortar verba da educação e da saúde em momentos difíceis da economia.



Escrito por sérgio alpendre às 11h18
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