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Obra-prima

Leitores perguntam sobre meu conceito de obra-prima, talvez impressionados pelo tom falsamente objetivo de meu último post. Digo falsamente porque nunca se é totalmente objetivo, apesar de se buscar uma certa objetividade.

Definir o que para mim (o que para qualquer um) é uma obra-prima requer um curso, ou um livro. Não é algo simples de ser resumido. Porque envolve minha concepção de cinema, que é bem plural, apesar de aparentar o contrário. Envolve minha vivência, a ordem com a qual descobri as coisas, as revisões e releituras constantes.

Não é algo que eu saiba definir de bate-pronto, como se fosse uma receita de bolo. Um livro inteiro sobre o assunto iria apenas arranhar uma possível explicação.

De início, posso dizer que a história não me interessa. O que interessa é como a história é contada. É o beabá, a ideia mais simples possível de apreciação artística.

Posso dizer também que um filme deve ter uma boa escrita de câmera, isso quer dizer uma câmera que seja adequada a um sentimento que se está passando (e que muitas vezes também é difícil de saber). Por isso não gosto de filmes que não pensam a câmera, que não agem de acordo com o ensinamento de John Ford: "só existe um lugar para se colocar a câmera, o bom diretor é aquele que sabe o lugar".

Ford e Mizoguchi são meus diretores preferidos. Então, torna-se natural indicar, mais uma vez, este trecho aqui, de um texto meu publicado na Taturana há alguns anos:

Uma pergunta que ouvi no fim de 2009 ainda ecoa na minha cabeça: “Qual seria, hoje, o cinema a ser defendido?” Depois de alguma hesitação, respondi: “o cinema que apresentasse alguns ou todos os preceitos de Mizoguchi, ou, se não fosse possível apresentar tais preceitos, que pelo menos não os negasse”. Em alguma medida, a maior parte do que interessa no cinema contemporâneo responde por algum princípio que Mizoguchi defendia – e como ele, de maneira ligeiramente diferente, defendiam Raoul Walsh, Otto Preminger, Fritz Lang, Joseph Losey, Ida Lupino, Shohei Imamura, Manoel de Oliveira, Jean-Marie Straub & Danielle Huillet, Abbas Kiarostami, Andrei Tarkovsky e alguns outros, todos diretores com um ou mais pontos de contato com a estética de Mizoguchi. Essa estética é baseada na câmera persecutória e na discrição no registro das emoções do ator, para que essas mesmas emoções se transfiram diretamente ao espectador, sem chantagens nem manipulações. Walsh e Preminger, por exemplo, acreditavam no plano-sequência como respeito ao trabalho do ator e como possibilidade maior de conseguir o máximo de sua interpretação e assim pensava, também, Samuel Fuller, Joseph Losey, Max Ophuls e Shohei Imamura. Lupino e Lang ainda respeitavam a inevitabilidade do confronto com o espaço, assim como o registro que preservasse a intimidade do ator. Straub e Oliveira convergem pela preocupação com o texto, com as diferentes entonações que esse texto pode proporcionar, e pela maneira como essas entonações dirigem a performance do ator dentro do espaço cênico.

Esse trecho pode dar a entender que sou rígido demais em meus princípios, o que não seria verdade. Diria que é mais uma base do que uma condição do cinema que defendo. Algo que seja contrário a isso seria muito mais difícil de me agradar, ainda que eu tenha de me manter sempre aberto à excelência do que é contrário. E que alguns filmes que aparentam ser o contrário do que defendo são na verdade convergentes ou complementares. E ainda tem o cinema experimental, o documentário, enfim, todo um mundo que pode me quebrar, pois estou sempre aberto a brigar com os meus preceitos, modificando-os, e é isso que importa. Enfim, já escrevi sobre tudo isso. Estou me repetindo.

O link para o texto completo (que tem trechos que obviamente hoje seriam mudados) é este: https://revistataturana.wordpress.com/2010/07/19/a-relevancia-de-mizoguchi/


Escrito por sérgio alpendre às 20h50
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Cinema americano em 1995

Conversando outro dia com Bruno Andrade e Paulo Santos Lima, dizia-lhes da maravilha que foi rever Fogo Contra Fogo (Heat), em blu-ray, vinte anos depois de ter visto no cinema essa obra monumental de Michael Mann. Falávamos do antológico tiroteio, da interpretação de De Niro, do ensaio que foi L.A.Takedown, e de repente me toquei de uma coisa: que ano sensacional foi 1995 dentro do cinema americano. Desconfio que desde o fim dos anos 60 não tivemos ano tão forte, e desde então nunca mais tivemos outro que se igualasse.

Vejamos, então, uma lista de obras-primas americanas de 1995:

Fogo Contra Fogo (Heat), de Michael Mann
Cassino (Casino), de Martin Scorsese
Showgirls, de Paul Verhoeven
The Addiction, de Abel Ferrara
As Pontes de Madison (The Bridges of Madison County), de Clint Eastwood
À Beira da Loucura (In the Mouth of Madness), de John Carpenter

Que outro ano do cinema americano dos anos 70 em diante teve ao menos seis obras-primas? Não lembro. E olha que John Carpenter quase emplaca mais um: A Cidade dos Amaldiçoados. Á Beira da Loucura, por sinal, está listado como de 1994 no imdb, mas o mesmo site data a estreia do filme em 1995, e para mim é isso que conta. E mesmo que não contasse, cinco obras-primas já seria um feito impressionante.

Lembro de anos de inúmeros grandes filmes: 1974, 1976, 1978 (parece que os anos pares foram melhores naqueles tempos de Nova Hollywood). Mas não sei se cada um deles chega ao número incrível de seis obras-primas. Bom, talvez nessa década ainda tenha algum ano que chegue a esse número. Mas de 1980 em diante, talvez não tenha mesmo.

1995 é mais um ano em que muitas bobagens foram lançadas no cinema americano. De certo modo, essa tendência à infantilidade vinha se acentuando mais do que anteriormente desde a segunda metade dos anos 80. Mas pelo número de picos, é mesmo um ano especial. Pelo menos entre os últimos trinta anos.

ATUALIZAÇÃO: Percebi depois que posso ter sido precipitado ao dizer que desde o fim dos anos 60 não tínhamos ano tão bom. Um breve apanhado de 1976 me deu isto aqui: Taxi Driver, Josey Wales, Chinese Bookie, Trágica Obsessão, Carrie, e Foi Deus Quem Mandou. Ou seja, seis obras-primas no ano, duas só do De Palma. 1978 deve ter algo assim, e, pensando um pouco mais, o biênio 1980/1981 também. Deixemos assim, então: pelo alto índice de picos, 1995 é o melhor ano dos últimos trinta anos. Acho que aí dá para assinar.


Escrito por sérgio alpendre às 00h16
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ESPN Brasil e a TV brasileira

Um parêntesis em nossa programação normal é necessário. A decadência da ESPN Brasil é uma das mais tristes que já presenciei na televisão brasileira. A saída de Paulo Vinícius Coelho é só um sintoma, e representa pouco diante do que perdemos.

O canal era a melhor possibilidade de reflexão na telinha. Dava de dez em qualquer programa de debate. Ganhava do Canal Livre e do Jornal da Cultura, do Saia Justa e do Roda Viva, e de qualquer programa do suspeito Globo News (a voz do dono por excelência). Com outros programas de esporte a concorrência não existia. No antigo Bate-Bola da hora do almoço, a clássica formação com PVC, Mauro Cezar e canalha rendeu algumas das melhores horas que passei diante da TV. Na verdade, a maior parte do tempo eu mais ouvia o programa, aprendia muito com eles, eram amigos em minha casa, todos os dias. Eu praticamente não trocava de canal. Hoje, o Bate-Bola foi completamente desfigurado, e a toda hora a discussão é interrompida por essas intragáveis entrevistas com jogadores que nada tem a dizer. Canalha e Mauro Cezar ainda estão lá, Hoffman e Bertozzi dizem coisas interessantes, mas as interrupções irritam demais. Provocam o chamado comichão do controle remoto. Com tantos canais, acabo indo para outro e não mais voltando. Não duvido que em pouco tempo esses analistas sejam substituidos por ex-jogadores (porque o "fã do esporte" quer ouvir e ver quem já atuou em campo, não jornalistas ranhetas).

O Pontapé Inicial, um dos melhores e mais agradáveis programas que já vi, com discussões sobre cinema e música, artes em geral, e um pouco de esporte, desapareceu, assim como o divertido Loucos Por Futebol. Trocaram por outros Bate-Bolas, com gente falando a mesma coisa, entre as inúmeras interrupções. A estupidez interativa deu as caras na ESPN e o canal ficou comum, dando espaço demais aos fãs do esporte (que, em sua maioria, tem tanto a dizer quanto os jogadores, ou seja, nada). Sobram, ainda, o Linha de Passe e o Sportcenter (este quando tem amigão e Antero). Até quando resistirão ao baixo nível que toma conta em nome da audiência?

Canal Brasil

Lembraram-me recentemente que o Canal Brasil não passa mais filmes, ou passa em horários ingratos. É verdade. Raramente, nos últimos dez ou quinze anos, vi filmes na TV, mas sempre que via era no Canal Brasil, principalmente à noite ou de madrugada. Vi todos os filmes do Carlo Mossy que o canal exibiu, por exemplo, e descobri pérolas como Juliana do Amor Perdido, de Sérgio Ricardo, ou Kung-Fu Contra as Bonecas, de Adriano Stuart. Entendo que parte da programação seja aberta a outro tipo de programa, mas poderiam deixar mais espaço para os filmes, né? Encontrar um meio termo seria essencial.

Arte 1

Sobra o Arte 1, que lembra o antigo Bravo Brasil em sua tentativa de não se render ao que o grande público é induzido a querer ver. Vamos ver quanto tempo aguenta.


Escrito por sérgio alpendre às 14h05
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