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O fim dos tempos

Leio o João Pereira Coutinho e imagino o quanto ainda podemos descer rumo ao obscurantismo. Será que temos ainda o que descer? Ele diz que em Harvard alguns alunos desconfortáveis com o termo "violar a lei" pediram que os professores o evitassem. O texto do escritor português fala do excesso de preservação que os pais reservam aos filhos, e que isso os faz cada vez mais despreparados para a vida.

Alguns trechos:

"A história é relatada na revista "Atlantic Monthly" e os autores, Greg Lukianoff e Jonathan Haidt, não se limitam às "violações" da lei. Segundo os próprios, crescem nos Estados Unidos os casos de "microagressões" –palavras, conceitos, meras alusões que põem em risco o "bem-estar emocional" dos alunos. E os alunos têm direito a esse "bem-estar". As universidades devem ser "zonas de conforto" onde nunca se deve escutar aquilo de que não se gosta."

"Um exemplo do artigo: se o assunto é literatura, o professor deve avisar previamente a turma que "misoginia" e "abusos físicos" fazem parte da obra "O Grande Gatsby", de F. Scott Fitzgerald. Caso contrário, uma alma mais sensível pode desmaiar em plena classe e a carreira do professor estará terminada. Pergunta óbvia: como se chegou até aqui?"

O texto desesperador está integralmente aqui:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/233864-como-destruir-um-filho.shtml


Escrito por sérgio alpendre às 18h20
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O retorno do filho do post esquizofrênico

- Primeiramente, a indicação da terceira edição do curso de crítica que ministro com Inácio Araujo: http://oficinadecritica.blogspot.com.br/

- Ministrar: baita verbo feio, e nunca consigo me livrar dele.

- Por enquanto, estou em São Luís para o módulo História do Cinema Mundial. 40 horas de cinema e bons papos com os alunos interessados da Escola Lume. Hoje foi dia de demência do pre-code, ou seja, dos filmes feitos imediatamente antes da instalação definitiva do Código Hays. Esqueci de trazer O Sinal da Cruz, do De Mille, mas falei desse e de muitos outros, e mostrei trechos de Gold Diggers of 1933. Defendo, há tempos, que a década de 1930 é uma das mais importantes da história do cinema, e tem sido subestimada a rodo por aí. Ford, Hawks, Renoir, Ozu, Walsh, Vidor, De Mille, Cukor, Ophuls, Sternberg e Mizoguchi brilharam nessa década. Preciso dizer mais?

- Dizem por aí que The Book of Souls, o novo disco do Iron Maiden, é o melhor que eles fizeram desde Seventh Son of a Seventh Son. E é isso mesmo. É o disco mais progressivo da banda, e o que faz mais jus à declaração de Steve Harris de que seu disco preferido é Foxtrot, do Genesis. Já o do Motorhead é legal, e só. Mais do mesmo em vários aspectos, até que uma nova audição me desminta.

- Mês raro no circuito comercial paulistano. Aos filmes recentes de Godard (Adeus à Linguagem) e Green (La Sapienza), somam-se o belo Tristeza e Alegria, de Nils Malmros, o melhor diretor dinamarquês de sua geração (tome, Lars Von Trier), e o essencial Já Visto Jamais Visto, de Andrea Tonacci.

- Mais uma indicação para encerrar o post. A Revista Interlúdio, editada por mim e Bruno Cursini, lançou uma nova edição, que pode ser conferida em www.revistainterludio.com.br. Tem Godard, Giallo, Robin Wood (meu crítico preferido), Muylaert, Iberê Carvalho, Peyton Reed, Woody Allen, Guy Ritchie (que não coube na Home, mas está em Nos Cinemas) e muito mais.



Escrito por sérgio alpendre às 14h52
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Que Horas Ela Volta?

Numa primeira visão, gostei de Que Horas Ela Volta? Parecia existir ali mais nuances do que no habitual cinema brasileiro dos anos 2000, com um trabalho muito bom das atrizes. Alguns planos ou cenas, contudo, ficavam martelando minha cabeça, fazendo com que o filme piorasse em minha memória.

O que mais me incomodou foi:

- Val (Casé) dá de presente para sua patroa (Karina Teles) um jogo de café. Percebemos que a patroa detestou o presente, mas Val o leva para a cozinha e tenta montar o jogo de acordo com o que vê na embalagem. Essa sequência toda esbarra no exagero de interpretação de Casé, que se alonga demais na montagem do jogo, insistindo em dizer coisas engraçadinhas como "ah, é descasado".

- Jessica (Camila Márdila) chega na casa onde sua mãe mora, a casa dos patrões. Ela é logo sabatinada pelos burgueses com consciência culpada, que, no entanto, se assombram com a informação de que ela pretende prestar FAU. Os planos de reações são, convenhamos, constrangedores. A única que se sai bem nessa cena é Camila Márdila.

- O patrão se apaixona pela ninfeta, e em dado momento chega a perguntar se ela não quer se casar com ele. Depois de perceber que virá uma possível negativa, ele diz, gaguejando, que era brincadeira. A atriz parece ter uma interpretação notável nesse momento, mas o plano não a favorece. A câmera fecha um pouco o enquadramento dos dois, mas em momento algum deixa de mostrá-la em perfil.

- Val entra no quarto, logo depois de consolar Fabinho, que não passou na primeira fase da Fuvest, gritando que sua filha tinha passado, e com uma nota humilhante. Um plano grosseiro, que revela uma tremenda falta de tato da personagem com aquele que ela criou como se fosse um filho. Filmada quase toda num plano só, a cena serve apenas para dar o golpe de misericórdia à tragédia do vestibular. Os ricos, contudo, viram a situação: Fabinho parte para estudar na Austrália.

Na revisão, esses problemas continuaram, a meu ver, e um outro, que já era perceptível, mas não me incomodava tanto, passou a me incomodar mais: o maniqueísmo (que Inácio chamou de novelismo, com razão). Isso se dá principalmente em dois níveis: mulheres fortes/homens fracos; pobres fortes/ricos fracos ou problemáticos (a mãe que não consegue o mesmo carinho que o filho reserva à empregada, que, afinal, o criou.

Tem coisas boas também. Após Jéssica ter informado que pretendia concorrer à FAU, ela conhece melhor a casa. Graças ao impressionante trabalho de Camila Márdila, percebemos a consciência que Jéssica vai tomando de toda a situação, e a possibilidade de controlar todos ali. Ela se aproxima de uma estante com livros, e os dois homens da casa o cercam, por trás, como se estivessem prestes a avançar sobre a presa. Ela percebe esse cerceamento e consegue virar o jogo, "segura de si", como Fabinho comentará depois para Val.

A cena em que ela se senta na piscina e Fabinho chega com um baseado é bem interessante, e os momentos em que Val está na cozinha e os patrões na sala de jantar são todos fortes, mesmo quando Regina Casé exagera no gestual. As atrizes, aliás, são todas ótimas.

Fora isso, duas perguntas subordinadas. Por que recusar o campo/contracampo em alguns momentos em que este seria mais funcional: principalmente o do pedido de casamento e o anúncio final de Val para a filha? Se havia mesmo essa vontade estilística de evitar o campo/contracampo, por que não escolher um ângulo melhor para a colocação da câmera?

Durval Discos e É Proibido Fumar têm seus defeitos, mas não têm planos tão mal filmados.



Escrito por sérgio alpendre às 00h27
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